Com o fácil acesso a plataformas como TikTok e YouTube, o uso excessivo de telas entre crianças tem gerado alertas entre especialistas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a exposição a telas ocorra apenas após os dois anos de idade. No entanto, a realidade atual é bem diferente e preocupante.
A psicopedagoga e analista de comportamento Petula Araújo, sócia-proprietária da clínica Aba Vida, destaca que a tecnologia é um caminho sem volta, mas que falta gerenciamento adequado por parte dos pais e responsáveis. Segundo ela, o uso descontrolado de telas pode trazer prejuízos emocionais, sociais e cognitivos às crianças.
“A tecnologia é inevitável, mas o que percebo é a ausência de limites claros e da supervisão ativa dos pais”, afirma Petula.
Comportamentos precoce e distorcidos
Petula alerta para um tópico delicado: meninas de até 6 anos têm apresentado comportamentos sexualizados, muitas vezes sem entender o que estão reproduzindo. Isso é reflexo do tipo de conteúdo ao qual estão expostas, muitas vezes sem filtro ou orientação.
Entre os meninos, o problema gira em torno do acesso precoce à pornografia e vícios em jogos, o que afeta diretamente a forma como lidam com emoções, socialização e autoestima.
Além disso, crianças estão expostas a crimes virtuais, como aliciamento, abuso e golpes financeiros, alerta a especialista. Confira o vídeo de Petula:
Efeitos cerebrais dos conteúdos acelerados
O consumo constante de vídeos curtos e estimulantes, comuns em apps como TikTok, leva o cérebro da criança a um estado de hiperativação, acionando ao mesmo tempo áreas ligadas à visão, audição e emoção. Essa sobrecarga pode prejudicar:
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A concentração
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A capacidade de refletir
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O desenvolvimento cognitivo e emocional
Em contrapartida, desenhos mais calmos e com histórias simples são benéficos, pois:
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Evitam a sobrecarga sensorial
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Estimulam a atenção sustentada
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Promovem a interpretação de narrativas
Supervisione:
converse com seu filho, entenda o que ele vê e gosta nas telas.
Participe:
integre o mundo digital ao seu ciclo de convivência real.
Modele comportamentos saudáveis:
crianças imitam os adultos.
Estabeleça regras claras:
como não usar o celular nas refeições ou antes de dormir.
Use ferramentas de
controle parental
e configure a segurança dos dispositivos.
Priorize o tempo em família e reflita:
o celular é mesmo necessário agora?
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