Diariamente recebemos notícias de que várias pessoas caíram em determinados golpes: do pix, do whats app, da compra de produtos que não existem. O repertório dos vigaristas é muito grande e cada vez mais engenhoso.
A mídia tem explorado bastante o assunto. Na Netflix é possível assistir dois materiais sobre como pessoas fizeram diversas vítimas e roubaram milhões de dólares de suas contas. O primeiro é um documentário sobre Simon Hayut, israelense acusado de ser o “golpista do Tinder.
O outro é um seriado sobre Anna Sorokin, uma jovem mulher que conseguiu arrecadar uma soma vultuosa para abrir uma Fundação que levaria o seu nome. Ela dizia que era herdeira de uma fortuna alemã.
Quem assiste aos dois produtos fica espantado como ambos conseguiram enganar tanta gente. Será que ninguém nunca desconfiou? Porque tanta gente acredita e cai em qualquer golpe que seja?
Segundo o psicólogo Marcos Martinelli, não é possível traçar um perfil exato das pessoas que passam a crer nos golpistas, porém, para ele, a maioria delas são mulheres, principalmente quando o golpe está relacionado a um relacionamento amoroso. “Nossa sociedade prega que ter alguém para chamar de seu é sinônimo de sucesso.”
O sexo feminino fica mais vulnerável porque tem a tendência de idealizar uma pessoa que vai suprir suas necessidades afetivas e financeiras. “Por isso elas ficam em uma posição muito mais vulnerável.”
Já os golpistas possuem um perfil bastante específico. “São pessoas sedutoras, conquistadoras, galanteadoras, falam tudo o que a outra pessoa quer ouvir. Eles investem pesado na valorização da auto estima da mulher”, explica Martinelli, “elas têm uma resposta diferente dos homens. Se alguém faz um elogio elas sentem afeto. Como ele sabe disso logo acolhe, entende as questões dela, é receptivo e simpático. Ele cria um personagem para conquistar mulheres.”
SERÁ QUE É DOENÇA?
Muita gente pode pensar que o excesso de mentiras indica a existência de alguma doença, todavia o psicólogo esclarece que nem tudo é transtorno. “Muitas pessoas agem por maldade, falta de caráter ou frieza mesmo.”
Quando há alguma patologia ela está associada a um transtorno de personalidade antissocial, estes são os casos mais comuns segundo Martinelli. Eles podem ter ainda um transtorno de personalidade narcisista. “São pessoas capazes de aplicar golpes com frieza e que sempre querem tirar vantagem das outras. Elas enganam muito bem com fotos e com ostentação.”
COMO SE PROTEGER?
O psicólogo explica que o primeiro passo para se proteger é perceber que tudo está muito fácil. “É preciso prestar atenção nos pequenos detalhes. Desconfie de algumas informações, o quanto ele compartilha da vida dele, se o que ele fala tem coerência”.
Em contrapartida, Martinelli diz para evitar exposição excessiva nas redes sociais. “Convém ter cuidado e equilíbrio às informações que qualquer pessoa pode ter acesso”. Outra estratégia, segundo ele, é investigar a pessoa, colocar o nome dela nos buscadores de conteúdo e ainda compartilhar a história com um amigo ou parente.