Fazer uma internet positiva é uma missão de todos nós. A principal regra para transformar a rede em um ambiente saudável é a mesma que usamos no nosso dia a dia, na fila da padaria, no trabalho: respeito ao outro.
Muitos ainda acreditam que a internet é um espaço livre e sem regras, mas é importante sempre lembrar e lembrarmos nossos amigos - quando necessário, que não é bem assim. Outro ponto importante é não confundir preconceito e ofensas com a liberdade de expressão.
Na internet, discute-se de tudo, mas é importante estarmos cientes que os comentários devem ser feitos com cautela.
Nos últimos anos os internautas esqueceram-se das premissas de interação, familiarização, vasto conhecimento do ambiente virtual, para dar lugar a um espaço, por vezes, hostil e polarizado.
A rede e um suposto anonimato e impunidade acarretam em abusos verbais, ofensas e ódio muito mais frequentemente do que acontece nas ruas. Não que não haja inúmeras situações desagradáveis que passamos pessoalmente, mas em redes sociais, uma mínima exposição, opinião, foto ou qualquer tipo de conteúdo estão sempre sujeitos a críticas e até mesmo ódio gratuito.
A VERDADE DOS NÚMEROS
De acordo com a SaferNet Brasil - organização não governamental, que reúne cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em direito com a missão de defender e promover os direitos humanos na Internet - o Brasil registrou um aumento de 109,95% em denúncias de crimes na internet em relação ao ano passado.
As cinco principais categorias de crimes são vazamento de nudes ou exposições íntimas, com 669 casos; cyberbullying, com 407 casos; fraudes e golpes, com 242 casos; problemas de dados pessoais, com 215 caso; e conteúdos violentos, com 112 casos.
Ainda de acordo com os dados da SaferNet, a quantidade de casos atendidos sobre vazamento de nudes e “sextorsão” cresceu 131,49%, sendo mulheres as principais afetadas, com 66% dos casos, e acima de 25 anos, sendo 53% dos registros. O agressor possuía as imagens íntimas para chantagens em 35% das denúncias, planejando obter mais fotos.
Casos de cyberbullying e intimidação virtual contaram com aumento de 13,4% em relação a 2017, sendo também as mulheres as mais afetadas (68%), em sua maioria acima de 25 anos (60%).
Conforme o psicoterapeuta Antônio João, o bullying na internet não tem diferença do bullying feito presencialmente, a não ser pelo ambiente que é o virtual. “É preciso prestar atenção em quem faz o bullying e quem sofre. Geralmente concentram-se em atacar o agressor e esquecem-se do apoio à vítima, que é extremamente necessário”, pontua.