Lifestyle

Celular e Saúde Mental

Como fugir do vício de ficar horas e horas conectado nas redes sociais.

Joana Raspini - Rara Gente
20/05/24 às 17h30

Desde que a vida cotidiana adquiriu uma ‘extensão’ virtual, as mídias sociais passaram a ser uma esfera de convivência, produção de trabalho, conhecimento, cultura etc. Essa modernização tem seus lados positivos e negativos, e com a possibilidade de acessar todo um mundo com a palma da mão, o celular adquiriu um protagonismo na sociedade.

Mesmo antes da pandemia, já havia uma porcentagem altíssima de brasileiros com acesso a um celular para uso pessoal - 81,4% em 2019, e esse número cresceu ainda mais até 2021 - 84,4%.

Principalmente após o lockdown, cresce a preocupação dos profissionais da saúde mental em relação às consequências psicológicas do uso intenso do celular. As redes sociais são desenhadas para manter o usuário mais tempo no aparelho e se tornam uma fonte rápida de dopamina. Seja pela impressão de sociabilidade, pelo entretenimento de fácil acesso e ‘personalizado’ pelo algoritmo ou até mesmo pelo engajamento em conteúdos alarmantes e negativos.

Se você é uma pessoa que percebe os impactos negativos das mídias sociais no seu cotidiano e gostaria de aproveitar as ferramentas que estão disponíveis de forma mais saudável, algumas estratégias podem ser usadas para reduzir o uso.

POR QUE É VICIANTE?

O primeiro passo para entender como escapar do ciclo de dependência do telefone celular é compreender como essa prática se torna tão sedutora. Os algoritmos das redes sociais são muitas vezes elaborados para traçar quais tipos de conteúdo, duração e formato geram mais retenção na plataforma. O problema é que esse mecanismo não possui um filtro entre o que pode ser produtivo ou não para a sua atenção. Se, por exemplo, esse interesse estiver motivado por insegurança, baixa autoestima e necessidade de validação, provavelmente esses sentimentos serão alimentados pelos conteúdos ‘naturalmente’ recebidos.

Outra questão importante a se pensar é a das curtidas e interações, que causam uma sensação de ser apreciado pelos demais, além da falta delas ser sentida como uma rejeição. Essas dinâmicas atuam quimicamente no cérebro e causam uma dependência real, e que não deve ser subestimada.

"AS REDES SOCIAIS SÃO DESENHADAS PARA MANTER O USUÁRIO MAIS TEMPO NO APARELHO E SE TORNAM UMA FONTE RÁPIDA DE DOPAMINA".

CUIDANDO DA MENTE COMO ESTRATÉGIA

  1. | Antes de partir para as medidas práticas para se desvencilhar do telefone, é necessário investigar em si mesmo o que é tão recompensador em seu uso indiscriminado.
  2. | Pode ser uma das razões aqui já citadas, mas também há a possibilidade de ser uma má administração do tédio, uma forma de evitar algum problema que esteja ocorrendo em sua vida pessoal ou até mesmo decorrente de um isolamento social.
  3. | Anote seus gatilhos para que possa contorná-los.
  4. | Compreender o que está ocorrendo consigo é importante para selecionar medidas e também para procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, se necessário.
  5. | Em casos como neurodivergentes e pessoas que sofrem de depressão e ansiedade, a ajuda profissional pode ser um grande facilitador para atender às necessidades específicas de cada um.

"AS CURTIDAS E INTERAÇÕES, CAUSAM UMA SENSAÇÃO DE SER APRECIADO PELOS DEMAIS, MAS A FALTA DELAS PODE SER SENTIDA COMO UMA REJEIÇÃO".

ESTABELEÇA LIMITES, INCLUSIVE FÍSICOS

  • Frequentemente, não é possível para todos adotar a estratégia de se desligar completamente das redes sociais, já que muitos trabalham com produtos e serviços hoje fortemente ligados a essas plataformas.
  • Utilize as ferramentas de limite de tempo disponíveis nos aparelhos e aplicativos.
  • Mesmo alarmes podem ajudar muito a perceber a passagem do tempo e quando é a hora de parar.
  • Considere comprar um despertador tradicional para evitar olhar o celular assim que acorda.
  • ‘Esconda’ os aplicativos mais viciantes no menu, utilizando pastas. Tudo que causa um obstáculo às ações automáticas é bem-vindo.
  • Carregue o celular longe de você e quanto estiver se encontrando com alguém evite mantê-lo à vista constantemente.
  • Uma possibilidade é também estabelecer zonas livres de celular na casa.
  • Outra dica é reservar um dia da sua semana para ficar o menor tempo possível no telefone.
  • Desligue notificações e ative o modo preto e branco. Estes atos podem parecer simples, mas ajudam a controlar os estímulos do aparelho.
  • Não sincronize os aplicativos com o computador, para evitar notificações diversas.
  • Considere retirar alguns aplicativos do celular para utilizá-los somente no computador.

CONECTE-SE COM O PRESENTE

  • Compreenda que aquilo que é procurado pelo uso do celular pode ser vivido e experimentado na vida real.
  • Troque a necessidade de entretenimento virtual por hobbies e formas mais saudáveis de aproveitar o tempo. Ao invés de maratonar séries e filmes, vá ao cinema ou ao teatro.
  • Ao invés de ver vídeos de bichinhos, curta seu pet.
  • Combine encontros com seus amigos e ofereça a eles sua atenção plena. Pode ser necessário investigar um pouco mais sobre os seus gostos e as coisas que te fazem feliz.
  • A meditação pode ser uma ótima ferramenta para controlar os gatilhos e manter-se no presente.
  • Os exercícios físicos, por sua vez, são grandes aliados em toda a manutenção da saúde mental, e não seria diferente nesse caso.

Tenha paciência e exercite a consistência nessas atitudes. Lembre-se que existe uma forte pressão interna e externa para que você esteja sempre conectado, mas é sim possível atingir um equilíbrio. Caso tenha dificuldades nesse processo, não hesite em buscar o apoio de amigos, familiares e também profissionais da saúde mental, lembrando-se que a dependência tem implicações na química cerebral. Mantenha em mente que esse é um ato de cuidado consigo, e parte de um esforço de levar uma vida mais saudável

"COMPREENDA QUE AQUILO QUE É PROCURADO PELO USO DO CELULAR PODE SER VIVIDO E EXPERIMENTADO NA VIDA REAL”.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM LIFESTYLE
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.