Segundo a psicóloga Letícia Queiroz, episódios como este da Melina são sintomas da chamada ansiedade social que mencionamos anteriormente. “Também chamada de ‘fobia social’, é o desconforto, o medo excessivo e a angústia de estar em um ambiente com muitas pessoas ou de interagir socialmente”.
Os sintomas podem abranger respiração ofegante, aceleração ou palpitações do coração, náuseas, dor de barriga, diarreia, tontura, tensão muscular, e agitação dos membros, principalmente as pernas.
A pandemia fez com que muitas pessoas desenvolvessem isso por causa do isolamento social. “As pessoas passaram a ter medo de contato físico ou de ficar em ambientes com outras”. Léticia esclarece que além dos sintomas que já foram citados, muitos podem sofrer com insônia, perca ou excesso de apetite e até mesmo apresentar confusões mentais”.
Ela diz também que alguns destes casos podem estar ligados a traumas, mas tudo depende do contexto no qual a pessoa está inserida. “Às vezes alguns fatores podem gerar gatilhos que levam até à crise”.
Depois da crise no supermercado, Melina sabia que precisava de ajuda, por isso logo agendou uma consulta com uma psiquiatra. “O tratamento começou com remédios mas ao longo das nossas conversas vimos que era preciso mudar algumas coisas como ter alimentação mais saudável, uma rotina de exercícios, aproveitar melhor o tempo com a família entre outras coisas”.
Letícia diz que é importantíssimo buscar ajuda para que os sintomas não fiquem mais graves ainda. Além do psiquiatra, o tratamento pode requerer ainda uma equipe multidisciplinar com psicólogos e neurologistas.
MUDANÇA PARA TODOS
Melina fala que quando começou a jornada de mudança, seu marido e sua filha mudaram de hábitos também. “No começo do tratamento eu tomava remédio para ansiedade, depressão e também para dormir. Hoje só tomo um, para controlar a ansiedade. Tive muitos problemas para dormir e hoje não tenho mais. As mudanças foram incorporadas na minha rotina e isso foi muito importante. Eu tenho hora para levantar, para me exercitar, trabalhar, para o lazer e para dormir”.
Para a psicóloga, Melina está no caminho certo. “Com ajuda profissional, mudanças de hábitos e dos pensamentos disfuncionais, aos poucos a pessoa consegue mudar essa realidade, os sintomas diminuem, as habilidades sociais voltam e com ela a qualidade de vida”.