Lifestyle

Ansiedade social: você sabe o que é?

Este é mais um dos impactos que a pandemia deixou na vida de algumas pessoas. Como retomar às atividades normais nesta nova realidade?

Rara Gente - Daniela Galli
18/05/22 às 08h00

Coronavírus, covid-19, mortes, pandemia, isolamento social, home office, coloca máscara, tira máscara, volta por que esqueceu a máscara, entra ministro da saúde, sai ministro da saúde, vai vacinar, não vai vacinar, ufa! Há quase dois anos vivemos uma realidade totalmente atípica no mundo inteiro. Que isso causou impactos profundos em nossas vidas ninguém mais duvida. Agora, uma destas consequências já ganhou até nome e tem sido bastante falada ultimamente: a ansiedade social.

É claro que a ansiedade de modo geral já existia muito antes da pandemia começar. Porém a quantidade de pessoas que começaram a manifestar os sinais da ansiedade social aumentou de forma considerável neste novo contexto.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo: são mais de 18 milhões de pessoas acometidas pela doença. De acordo com uma pesquisa publicada pela revista The Lancet, que é uma das publicações mais importantes da área da ciência médica, durante a pandemia os casos aumentaram cerca de 25% no mundo inteiro.

Neste novo cenário de retomada das atividades e flexibilização das medidas de combate ao Coronavírus por caus a do avanço da vacinação no país, o que tem se destacado é a ‘versão’ social da ansiedade. Em outras palavras, foi muito difícil nos acostumarmos com o isolamento social; conseguimos; agora está sendo mais difícil voltar ao normal, ou ao ‘novo normal’, termo que se popularizou para falar desta nova realidade que estamos vivendo.

“Eu sabia que eu não estava tão bem porque muitas coisas que eu costumava fazer já não me agravada como reuniões familiares, sair para comer com os amigos entre outras coisas. No auge da pandemia em casa eu e meu marido dividíamos a tarefa de ir ao supermercado, mercearia ou farmácia. Não frequentávamos mais a feira e sempre que possível usávamos os serviços de delivery para evitar aglomerações”.

Este é o relato da analista técnica laboratorial do Instituto Senai de Inovação de Três Lagoas, Melina DVilla Silva Lima. Ela conta também que, com a liberação de funcionamento gradativa do comércio e dos restaurantes e do shopping, passou a sair um pouco mais de casa, porém não se saiu tão bem como gostaria. “Eu saí para comprar presentes de Natal no shopping e escolhi um horário de menor movimentação de pessoas. Fui ao supermercado e deixei os presentes guardados no porta-volumes por que o carro estava estacionado do outro lado. Em meio às compras eu comecei a sentir falta de ar e a transpirar muito. As mãos ficaram molhadas e veio a sensação de pavor das pessoas que estavam ali pelo mesmo motivo que eu. Não queria ficar perto de ninguém, queria sair correndo”.

Melina diz que deixou o marido e a filha sozinha no local e se trancou dentro do carro. Posteriormente foram para Andradina e esqueceram os presentes no porta-volumes. Somente depois é que o marido dela voltou para buscar.

Horas mais tarde foi que ela entendeu que aquilo era uma crise de ansiedade. “Conversando com o meu marido ele falou que eu estava mais antissocial e que eu ficava muito nervosa e irritada quando tinha que sair de casa, principalmente para ir às compras”.

Segundo a psicóloga Letícia Queiroz, episódios como este da Melina são sintomas da chamada ansiedade social que mencionamos anteriormente. “Também chamada de ‘fobia social’, é o desconforto, o medo excessivo e a angústia de estar em um ambiente com muitas pessoas ou de interagir socialmente”.

Os sintomas podem abranger respiração ofegante, aceleração ou palpitações do coração, náuseas, dor de barriga, diarreia, tontura, tensão muscular, e agitação dos membros, principalmente as pernas.

A pandemia fez com que muitas pessoas desenvolvessem isso por causa do isolamento social. “As pessoas passaram a ter medo de contato físico ou de ficar em ambientes com outras”. Léticia esclarece que além dos sintomas que já foram citados, muitos podem sofrer com insônia, perca ou excesso de apetite e até mesmo apresentar confusões mentais”.

Ela diz também que alguns destes casos podem estar ligados a traumas, mas tudo depende do contexto no qual a pessoa está inserida. “Às vezes alguns fatores podem gerar gatilhos que levam até à crise”.

Depois da crise no supermercado, Melina sabia que precisava de ajuda, por isso logo agendou uma consulta com uma psiquiatra. “O tratamento começou com remédios mas ao longo das nossas conversas vimos que era preciso mudar algumas coisas como ter alimentação mais saudável, uma rotina de exercícios, aproveitar melhor o tempo com a família entre outras coisas”.

Letícia diz que é importantíssimo buscar ajuda para que os sintomas não fiquem mais graves ainda. Além do psiquiatra, o tratamento pode requerer ainda uma equipe multidisciplinar com psicólogos e neurologistas.

MUDANÇA PARA TODOS

Melina fala que quando começou a jornada de mudança, seu marido e sua filha mudaram de hábitos também. “No começo do tratamento eu tomava remédio para ansiedade, depressão e também para dormir. Hoje só tomo um, para controlar a ansiedade. Tive muitos problemas para dormir e hoje não tenho mais. As mudanças foram incorporadas na minha rotina e isso foi muito importante. Eu tenho hora para levantar, para me exercitar, trabalhar, para o lazer e para dormir”.

Para a psicóloga, Melina está no caminho certo. “Com ajuda profissional, mudanças de hábitos e dos pensamentos disfuncionais, aos poucos a pessoa consegue mudar essa realidade, os sintomas diminuem, as habilidades sociais voltam e com ela a qualidade de vida”.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM LIFESTYLE
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2022 - Grupo Agitta de Comunicação.