Com seus focinhos, eles são responsáveis por detectar crimes, localizar pessoas desaparecidas, intervir em situações delicadas e até mesmo salvar vidas. Se você já se perguntou como vive um cão policial, vai adorar conhecer a Mara, a cadela agente do 2º Batalhão da Policia Militar de Três Lagoas e protagonista do “Amigo Bicho” desta edição.
Craque em farejar os entorpecentes, Mara é da raça Pastor-belga Malinois, tem dois anos e meio e possui faro para quinze drogas diferentes; ela veio de um canil especializado em Goiânia e está há dois meses fazendo parte da corporação. Ao contrário do que muitos pensam, os cães policiais não são treinados para serem agressivos ou terem uma postura negativa com os humanos. A lei na rotina de Mara, é obediência e recompensa, seja com prêmio ou a bolinha que tanto ama. “Apesar de ser uma rotina de trabalho, ela faz o que mais gosta, aquilo é um prazer para ela, ela é saudável, feliz. Isso que nós estimulamos nos cães, atitudes positivas.” – diz o Comandante Ênio de Souza.
Segundo o condutor Soldado Lima Filho o treinamento é feito diariamente, também inclui socialização e a adequação aos ambientes. “Trabalhamos em ambiente externo, para ambientá-la em carros, e outros lugares que ela convive fora do Batalhão.”
Ela não faz corpo mole em serviço! A cadela recebe ração Super Premium duas vezes ao dia, com acompanhamento de dois veterinários e planilha de vacinação. A avaliação para saber se está apta ao treinamento é feita diariamente.
Para que o cuidado com ela fosse o melhor possível, os treinadores Cabo Alencar e Soldado Lima Filho, investiram em um curso especializado na Bahia.
“São pessoas que gostam de estar com animal, tratam bem, cuidam. Tem que ter essa identificação com a atividade. Destaco a iniciativa dos nossos policiais, pois foi pela vontade deles, eles investiram tempo, abriram mão de estar com a família, fizeram investimento do próprio bolso.” – diz o comandante.
Quebrando o estereótipo da frieza dos cães policiais, Mara brinca como todos os outros animais, afirma Soldado Lima, e destaca que essas brincadeiras são importantes para a socialização. “Ela não só pode, como deve receber carinho e brincar! Como é um animal para faro, tem que ser dócil, tranquilo, com temperamento ameno e adequado”.
O policial também revela ter criado um vínculo com sua parceira e que a visita até nos dias em que não trabalha. “Nós criamos um vínculo com o animal, eu mesmo, por mais que meu plantão seja de doze horas, sempre venho aqui no Batalhão para vê-la...”
Outra falácia muito comum, é que esses animais podem viciar nos entorpecentes. Ele desmente de vez, explicando que o animal vê a atividade apenas como brincadeira. “Muitas pessoas pensam que o animal é viciado em drogas. Não tem nada a ver, é um tabu que criaram, o animal faz isso única e exclusivamente pela premiação. É um jogo que se cria com o cachorro, com os três ‘is’ – Identificar, Investigar e Indicar-. Se ele fez as três fases, ele vai ganhar o prêmio no final, um carinho, a bolinha”, explica.