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A vida e os desdobramentos do destino da Janda Penha

Simples assim! A segunda parte da nossa matéria de capa traz emocionantes encontros e desencontros

Bruna Taiski
22/11/20 às 08h38
RARA GENTE

Confira a primeira parte:

[...] A mãe nunca deixou de ir às reuniões de pais e mestres da escola, mesmo para ouvir coisas boas. Saía de lá feliz, com o boletim da filha em dia e as notas excelentes.

“Fui alfabetizada na cartilha Caminho Suave, tenho muito orgulho da professora que me alfabetizou, professora Aracilda Pereira da Silva. Eu fecho os olhos e vejo ela ensinando o bê-á-bá. Eu pensava assim: ‘Quando eu crescer, vou ser igual essa tia. Vou querer ensinar!’ É muito nobre ser professor”.

Motivada, ao terminar o ensino médio, viajava todos os dias de ônibus para cursar a faculdade de Economia na cidade de Andradina, contudo, completou somente o primeiro ano.

“Eu saía do trabalho e ia para a faculdade, tomava banho no meu trabalho e não havia tempo para jantar. Voltava para Três Lagoas onze e meia da noite, pegava minha bicicleta lá no trabalho e ia para casa. Chegando perto, via mamãe na rua com o pescoço esticado olhando atenciosa. Quando ela me via, corria para dentro e passava o bife para eu comer quentinho. Tem amor maior? Eu comia, deitava e no outro dia era tudo de novo...”.

Em 2004 Janda fez o vestibular para Geografia na UFMS - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - e passou. Quando estava terminando o curso, efetuou uma inscrição de portadora de diploma para a licenciatura, e em 2011, veio a oportunidade de prestar o mestrado. Hoje ela também é mestre em Letras, na área de Análise do Discurso.  

“É um dos meus sonhos... Ensinar! Penso que a gente aprende até mais com as pessoas, do que ensina. Esse é um dos meus planos para o futuro, ir para a sala de aula”.

What a wonderful world

O ano era 1985, e o médico Antonio João Campos de Carvalho era candidato a prefeito de Três Lagoas. Janda trabalhava como secretária em um escritório de Engenharia Civil. “Eu estava com 18 anos nessa época. Um dia ele entrou, se identificou como candidato e pediu o meu voto, foi o nosso primeiro contato”.
Antonio João conquistou as eleições daquele ano e dez anos depois o coração da amada. A vida a dois iniciou no dia 23 de Junho de 1997, conviveram juntos por dez anos e oficializaram o casamento quando comemoraram as Bodas de Estanho, em 2007.

Janda sabe de cor cada momento da preparação do evento. As oito horas em ponto chegou ao casamento e entrou ao som da sua música favorita “What a wonderful world” - Que mundo maravilhoso, do Louis Armstrong. A letra desta canção não poderia resumir mais o casal: positivo, feliz e com fé no mundo.
“O Antonio João, meu gordo, tem duas filhas: a Rosana, que é a primogênita; e a Renata, que mora no Canadá e tem duas filhinhas - Isabelle e Julia. Sou a vovó Janda! Durante a cerimônia do nosso casamento, a filha Rosana realizou a parte religiosa, abriu a bíblia e leu sobre as Bodas de Caná, e a filha Renata cantou lindamente...”.

Os olhos brilham e enchem de lágrimas. “Nunca vi uma energia tão boa daquele jeito. Só tinham amigos e parte da família. A maioria de olhos vermelhos, chorando, os anjos percorriam ali naquele momento”.

Janda e Antonio João possuem 16 anos de diferença de idade, e isso nunca foi um problema. “Idade pra mim tem a ver com ser saudável. A gente adora boa música, dançar, estar com os amigos, e a gente também discorda de alguns gostos”.

Sobre não ter filhos, ela conta que foi uma decisão de ambos. “Quando nos casamos ele era vasectomizado há anos. Certa vez, fui ao médico para saber as chances de engravidar; haviam duas situações: Meu marido fazer uma cirurgia de reversão da vasectomia ou eu realizar a fertilização in vitro. Na fertilização a porcentagem era de 35% de chance de engravidar. Penso que se não desse certo poderíamos ficar frustrados”.

“Porém, não fico me lamentando, sou bem resolvida! As grávidas são lindas, amo de paixão! Mas não fico triste por não ser mãe; assunto resolvido”, completa.
A adoção também seria um complicado caminho. “Sabe o que me deu medo de ser mãe? Pensar se eu seria boa mãe; eu me cobraria, talvez se eu errasse, me culparia muito”.

“Porém, não fico me lamentando, sou bem resolvida! As grávidas são lindas, amo de paixão! Mas não fico triste por não ser mãe; assunto resolvido”, completa.

RARA GENTE

Caminhos que se cruzam

Sabe aqueles fatos que nós pensamos só acontecer em filmes? Pois é, a vida imitou a arte e acertou em cheio neste roteiro. Janda tem um irmão que só encontrou depois de cinquenta anos.

O rádio anunciava um homem da cidade de Terenos - MS, chamado Valmir e que procurava por sua mãe desde criança, Ele só sabia o nome dela: Edith Penha de Souza.

“Meu outro irmão, me ligou dizendo para ir para a casa, fui, e mamãe nos pediu para sentar e séria nos contou que namorava um rapaz e que um tempo depois descobriu que ele era casado, ela se separou e estava grávida. Há 60 e poucos anos atrás, sem marido e com os irmãos bravos; então ela teve o neném e como o meu tio não podia cuidar dela, levaram o bebê para a avó paterna do bebê. Ela ia ver a criança, até o dia em que a avó do neném falou que ele tinha morrido, e ela nunca mais o viu. No coração dela... Ela nunca aceitou, não sei como conseguiu continuar tão amorosa”.

Depois de contar a história à família toda foi conhecer este irmão em Terenos. As surpresas não pararam por aí... “Quando meu outro irmão, que já mora em Campo Grande chegou lá, eles se chamaram pelo nome! ‘Edson?! Valmir?!’ Eles trabalharam juntos como caminhoneiros na mesma empresa e não sabiam que eram irmãos”.

“Tem coisas que a gente passa nessa vida, que olha...Por que a minha mãe, esse poço de bondade, de amor puro no coração, teve que ficar 50 anos longe do filho dela? Hoje, ele liga para ela todos os dias, chama ela de ‘minha princesa’. Ele tem bisnetos e minha mãe três tetranetos”.

Gostou do conteúdo? Leia mais na edição 93 da Revista Rara Gente. <3

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