Gastronomia

As cores dos alimentos e seus nutrientes:entenda essa relação

A sua alimentação é colorida? Entenda a importância das cores nos alimentos.

Redação Rara Gente
13/05/20 às 17h00

Você é o que você come? Através das suas refeições diárias, está sendo nutrido ou envenenado aos poucos? Não é de hoje que a Nutrição ressalta a importância de uma alimentação colorida. Alguns estão carecas de saber; outros deixaram o conceito cair no esquecimento e tem os que ainda não entendem esse valor. Ainda. Mas, aqui vamos além da importância. Colocamos à mesa o poder que uma alimentação colorida tem para a saúde – a curto, médio e longo prazo – e em diversos aspectos, já que alimentação engloba aspectos não só nutricionais, mas culturais, religiosos, emocionais e sociais. Uma alimentação saudável é, de fato, colorida.


A Nutrição tem, inclusive, um conceito específico para incentivar o consumo de, pelo menos, cinco cores durante a alimentação diária. No entanto, é bom frisar que a importância e o poder das cores na alimentação estão nos corantes naturais dos alimentos. O tomate - vermelho; a cenoura - laranja; a rúcula - verde; o leite - branco; a beterraba - roxa e, assim por diante. Ou seja: nada de contar o corante do suco de saquinho como uma cor de alimento para o dia, hein! “Os corantes dos alimentos – o que pigmenta os alimentos – são chamados de compostos bioativos; então, cada elemento da natureza que tem essa concentração de cor, tem um composto bioativo que vai desempenhar uma ação dentro do nosso organismo. Pode ser uma vitamina, um precursor de vitamina, sais minerais, etc.” - explica a nutricionista Renata Petruci.

Assim, entendemos também a importância da alimentação colorida: garantindo a variedade de cores, consequentemente garantimos a variedade de vitaminas, sais minerais e nutrientes de que o organismo precisa – além de refeições mais bonitas aos olhos.

Compostos bioativos

Alimentos vermelhos

Possuem antoacina - um flavonoide que auxilia no aumento da imunidade e no sistema circulatório, e licopeno - um antioxidante que previne a osteoporose e doenças degenerativas. Exemplos: tomate, pimentão vermelho, morango e maçã.

 Alimentos alaranjados

 Ricos em alfacarotenos, curcumina, beta-criptoxantina, hesperidinas e naringenina. Em palavras mais simples e compreensíveis, nutrientes que auxiliam na absorção de fibras e vitaminas, no fortalecimento da musculatura e no crescimento ósseo; amenizam os sintomas da TPM e evitam inflamações e prisão de ventre. Exemplos: tangerina, abóbora, açafrão, mamão, cenoura.

 Alimentos amarelos

 Possuem alta concentração de betacaroteno e vitamina C; de maneira geral, auxiliam no bom funcionamento do sistema imunológico, da visão e do coração. Exemplos: manga, pimentão amarelo, laranja e batatas.

Alimentos verdes

São ricos em ácido fólico, luteína, betacaroteno, ferro, cálcio, fósforo e clorofi la - micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do sistema nervoso central. Exemplos: alface, rúcula, espinafre, ervilha, couve, brócolis, entre outros.

Alimentos roxos

Têm alta concentração de micronutrientes antioxidantes, como a própria antiocina - responsável pela pigmentação. Combatem o envelhecimento celular precoce e previnem o desenvolvimento de diversas doenças. Exemplos: repolho roxo, açaí, beterraba, uva, ameixa, mirtilos.

Cinco ao dia

Este é um conceito da nutrição que defende o consumo de, ao menos, cinco cores de alimentos naturais ao dia, seja em uma só refeição ou ao longo das refeições do dia. Renata conta que é uma ferramenta do nutricionista porque o paciente pode não saber o que é ou em quais alimentos encontrar betacaroteno, triptofano, licopeno, entre outros micronutrientes; mas, se ele garante uma ‘alimentação colorida’, consequentemente garante a presença destas vitaminas, minerais e nutrientes essenciais através das cores dos alimentos, sem a necessidade do conhecimento técnico. 

“Às vezes, o indivíduo busca uma alimentação saudável; porém, na mesma cor e disposição de nutrientes. Assim não seria uma alimentação rica em nutrientes - mesmo o prato sendo composto por alimentos saudáveis - porque faltariam cores”, diz Renata.

Descontar em cápsulas? Não!

Há casos em que as pessoas optam por uma rotina alimentar pobre em nutrientes e têm como válvula de escape os manipulados e polivitamínicos. Mas, Renata alerta que estes são para suplementação alimentar – deve ser um acréscimo à alimentação e não o carro-chefe. O avanço da medicina, da nutrição e da manipulação fez com que todo tipo de nutriente necessário seja facilmente encontrado de maneira sintética, encapsulada, embalada. E isso é muito bom para suprir carências alimentares.

Porém, ela explica: “O prazer de comer é humano. Ter uma alimentação pobre nutricionalmente e ser viciado em cápsulas pode ser um transtorno alimentar, porque a alimentação é instintiva. A fome é um instinto. Nascemos com essa vontade. Então, as pessoas não deveriam gostar de consumir cápsulas no lugar de alimentos, que são tão ricos para o corpo e para o paladar”.

E o desperdício?

Sabemos que alimentos frescos – verduras, legumes, frutas e hortaliças – são mais difíceis de conservar por um longo período. A dica para exterminar as desculpas que justificam o não consumo desses alimentos e acabar com o desperdício – de alimentos e de dinheiro – é aproveitar promoções – de mercados e feiras; assim, evita-se o desperdício de dinheiro também – e comprar o necessário. Se não come um maço inteiro de couve em uma semana, tente comprar metade, porque depois desse período a verdura já começa a estragar e perde suas propriedades - inclusive a cor, ficando amarelada.

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