Quantas e quantas vezes você teve de ser submetido à hipocrisia e ao desprezo de algumas pessoas no convívio social? Apesar de magoado, “engoliu alguns sapos” para manter a paz e evitar discussões? Sentiu-se sozinho - mesmo rodeado de pessoas - por não ter quem o compreenda verdadeiramente? Essas situações – entre outros inúmeros exemplos – têm nome: falta de empatia.
Não é de hoje que vemos as redes sociais carregadas de frases motivacionais e reflexivas acerca do tema. Empatia para cá, falta de empatia para lá... Mas, o que ela é? Para que ela serve? Como praticá-la? Essas questões acabam ficando pendentes. Não se culpe se, outrora, você leu algo sobre empatia nas redes sociais e ficou confuso, não entendeu muito bem ou confundiu com simpatia. Não nascemos sabendo de tudo e, por isso, a Gente pesquisou sobre o tema para falar a você.
Os olhos do outro
A melhor e mais concisa explicação sobre ‘o que é empatia’ é uma metáfora: olhar com os olhos do outro. Segundo a psicóloga Isabella Suttini: “pode parecer um pouco clichê falar que empatia é ‘se colocar no lugar do outro’, mas é exatamente isso. Às vezes, as pessoas acham que já estão no lugar do outro, mas de fato não estão. A empatia subentende sentir o que o outro sente. Já a simpatia é uma afinidade; gostar da companhia, se identificar com valores, querer proximidade... Compreender o outro. Empatia é sentir”.
Simpatia x Empatia
É fácil confundir. Não só pela semelhança das palavras, mas pelas atitudes que ambas representam. Porém, além da afinidade, a psicóloga utiliza uma situação que exemplifica e esclarece muito bem a diferença entre empatia e simpatia.
“Você gosta muito de uma pessoa... Uma amiga. Então, o aniversário dessa pessoa está chegando e você tem a brilhante ideia de fazer uma festa surpresa para ela. Só que ela é tímida; não gosta desse tipo de comemorações e pode até ter comentado uma vez ou outra que não quer uma festinha. Mas, você - como o bom amigo que é - organiza tudo e faz a festa. Isso é simpatia, porque teve uma boa intenção e quis o melhor para o outro. Porém, faltou a empatia; faltou se colocar no lugar da amiga e entender que, de fato, ela não se sente confortável com essa comemoração. Você foi simpático, mas não foi empático” - exemplifica Isabella.
Ir além...
Manter um convívio social saudável já não é mais a grande dificuldade dos dias de hoje. Imagine a dificuldade de não gostar do que o outro está vestindo e ter de vestir suas vestes. “É muito fácil ser simpático; ter boas relações. Mas, a empatia vai além. Ela é muito mais profunda. Exige muito do ser humano. Você estar no lugar do outro e se permitir sentir o que ele está sentindo é muito difícil; às vezes, muito doloroso e duro de aceitar”.
A psicóloga acrescenta que: “as pessoas, diante de um sofrimento, muitas vezes não têm com quem se abrir; com quem conversar. Porque é aquela questão do: ‘nossa, que complicado’; ‘não, mas isso vai passar’ ou do ‘tranquilo, já passei por isso’. Dificilmente alguém vai tirar um tempo e dizer: ‘então, senta aqui, me conte o que está acontecendo’ – para, realmente, se colocar no lugar de quem está se abrindo”.
Seria a cura?
Depressão, ansiedade e estresse são alguns dos males do século. São abordados assim por atingirem um grande número de pessoas e prejudicar bruscamente grande parte destas. Satisfação profissional, relacionamento, família, autoestima... A vida de quem sofre com alguma dessas patologias é totalmente prejudicada e, um dos motivos de termos recorrido à psicóloga para esclarecer tudo sobre o tema ‘empatia’ foi perceber que esses males resultam de problemas sociais; problemas sociais resultam de maus relacionamentos – quaisquer que sejam – e, maus relacionamentos nascem da falta de empatia.
“Se a gente treinar a empatia e se dispor a praticá-la, provavelmente todas as relações vão melhorar. Aumentar na tolerância, na compreensão... No amor. Porque todos os seres humanos são passíveis de amor, de terem um ponto de vista”. Precisamos nos colocar no lugar do outro não porque somos bons e capazes; mas, em primeiro lugar, porque é essencial ao convívio entre os indivíduos. Se o outro não for um motivo necessário para ter o hábito da empatia, o amor-próprio deve ser. Afinal, nos amando estaremos, consequentemente, prezando pelo melhor à nossa volta: um mundo repleto de pessoas que enxergam com os olhos dos outros. De pessoas que têm sabedoria para lidar com o próximo. De pessoas empáticas.
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