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Valores como respeito e cidadania são transmitidos para crianças do Programa Comunidade Educa


Bruna Taiski em 31 de outubro de 2019 - 08h00

Valores como respeito e cidadania através da prática social vêm sendo transmitidos para crianças do Programa Comunidade Educa. Você que está atento às causas sociais de Três Lagoas deve conhecê-los. O Educa é uma associação sem fins lucrativos, de cidadãos interessados em fomentar a cidadania às crianças e adolescentes, utilizando Escolas Municipais abertas aos fins de semana e que, através de brincadeiras, oficinas e dinâmicas, estimule a convivência social, promovendo a integração.


Fundado em 2015, o trabalho voluntário ocorre todos os domingos no período da tarde, na Escola Marlene de Noronha, instalada no Bairro Jardim das Violetas, em Três Lagoas. A instituição é pioneira e serve como modelo piloto para o Programa que visa ser direcionado a todas as demais escolas da cidade. 


“No início, não tínhamos a alimentação para oferecer; fomos percebendo a necessidade disto, porque as crianças começaram a desmaiar por causa da fome - logo, com doações, começamos a servir o lanche. Temos atividades recreativas, pinturas, esportes, voluntários ensinando capoeira, trabalho artesanal ou, até mesmo profissionais passando informações como palestras, higiene bucal, etc” - explica Isabela Vasconcelos Arantes, coordenadora do Educa. 


Nos corredores da escola, a gente se esbarra em muitos sorrisos e olhares de gratidão. A alegria que as crianças têm de serem protagonistas do espaço é imensa! É perceptível a enorme transformação do projeto na vida delas.


“Tudo se baseia na criança; se nós conseguirmos construir cidadãos melhores com sentimentos de bem, dando apoio, diálogo, atenção, nós conseguimos transformá-los em adultos ainda melhores. Também procuramos levar profissionais de fora para mostrar um pouco de outra realidade para essas crianças - para elas verem que há um mundo melhor, com esperança. Nossa missão é formar cidadãos que façam o que estamos fazendo, hoje em dia” - diz Isabela. 


Esta realidade é uma das conquistas que o Educa objetivava quando nasceu. A coordenadora explica que o endossamento da comunidade em relação à escola e a integralização entre pais, alunos e voluntários estão entre as finalidades.


“É importante destacar que o Educa não é só para as crianças; ele é um projeto voltado para a família. Eu acredito que muitas famílias sejam impactadas com a presença do “Comunidade Educa” no Bairro Vila Verde e na região. Nós queremos melhorar a qualidade de vida das famílias e levar as crianças do projeto para a Universidade”.


O Educa não para de ganhar adeptos e força na cidade. Atualmente, aproximadamente 30 voluntários estão ligados diretamente ao Programa que lidera os seis eixos formadores: cidadania; cultura; saúde; esporte e lazer; meio-ambiente e geração de renda. Os eixos servem para estruturar as atividades desenvolvidas pelos voluntários que, em geral, promovem ações educativas incentivando a participação ativa e consciente da comunidade: disseminam atividades artísticas na literatura, na música, na dança e no cinema; estimulam a criação de hábitos saudáveis; fomentam a prática de atividades físicas e esportivas e a promoção de oficinas para geração de renda e empreendedorismo para desenvolver competências pessoais e empresariais.


Isabela afirma que, apesar do crescente número de voluntários nas causas sociais do município, ainda faltam profissionais da educação para trabalhar as atividades com as crianças. “Nós estamos estruturando pessoas e profissionais especializados na área do ensino. Existe muita deficiência de leitura e de escrita – então, nós queremos um reforço escolar. Estamos procurando uma sede, parceiros, para fazermos mais isso. É nosso plano para o futuro”.


 A FORÇA DA EDUCAÇÃO


Em média, 80 a 100 crianças são atendidas por domingo.  Em datas festivas esse número aumenta - no Dia das Crianças, já chegaram a contabilizar mais de mil participantes.  Durante os encontros dominicais os voluntários se dividem em grupos e realizam diversas atividades com as crianças - pautadas na cooperação e na união como valores básicos para o amadurecimento individual. O voluntário, além de ajudar a cuidar dos pequenos, ainda pode desenvolver e ser o autor delas na Fábrica de Projetos. “As crianças são treinadas para que desenvolvam seus próprios projetos e trabalhem em equipe. Cada um ensina o que sabe e os pagamentos além dos abraços e sorrisos, podem virar até presentes”. 


“Recentemente, recebemos alguns computadores para o Programa EDUCOIN - é uma forma de a criança se comprometer a fazer as atividades da escola. Tudo que ela faz - por exemplo, se ajudou na limpeza, tirou boas notas, teve um comportamento excelente - ela ganha um ponto. Esses pontos são convertidos em moedas - que é o EDUCOIN – e, durante um dia, realizamos uma feirinha e com essas moedinhas ela pode comprar os presentes. Isso também ensina as crianças a administrarem o dinheiro e a comercializarem”. 


Várias outras atividades e projetos são encabeçados pelo Programa; no entanto, a coordenadora destaca que o mais importante não são as ações, mas sim os impactos desta. “Não tem outra forma de mudarmos as coisas, se não for pela educação. O “Comunidade Educa” é uma das ferramentas que existem para que consigamos ajudar as pessoas; o principal de tudo não são nem os projetos sociais – mas, você se interessar pelas pessoas; pelo que elas fazem; conhecer mais a sua própria cidade” - diz.


PARA AJUDAR


Atualmente, a arrecadação do Educa é feita através do Evento o ‘Feijão Amigo’, que acontece uma vez ao ano para sustentar o projeto o ano inteiro. Mas, toda doação e voluntariado em qualquer período do ano é bem-vinda. Basta entrar em contato pelas redes sociais ou ir à escola e preencher o termo de voluntariado. Todos podem participar das atividades e contribuir como voluntários; inclusive empresas, universidades, o terceiro setor e demais instituições podem colaborar com conhecimento, serviços, tecnologias, doações, entre outros.


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