Uma das sensações mais íntimas e prazerosas, o orgasmo é muito mais do que sinal do sucesso de uma relação sexual. O tema ainda é permeado de muitos tabus e ideias erradas. Dentre a parcela feminina da população, cerca de 26% nunca teve um orgasmo - segundo dados do Programa de Atendimento Sexual do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em comparação com os homens, existe um abismo: apenas 3% não conseguem atingir o clímax. Tabu...
Desconhecimento? Uma complexa rede de circunstâncias históricas, sociais, econômicas, religiosas e a própria anatomia do corpo feminino contribuem para essa situação.
Conhecer o próprio corpo é um fator que influencia muito para alcançar o orgasmo. Outras questões envolvem o estado mental como: estresse, nervosismo, fatores hormonais, etc. Para não restar dúvidas, a sexóloga Jacielen Arantes Alves destaca alguns pontos que considera fundamentais – mas, que, às vezes, são ignorados: as mulheres devem ser responsáveis pelo próprio prazer e não podem colocar a expectativa apenas no parceiro ou na parceira.
Para isso, precisam ser estimuladas a conhecerem o próprio corpo, para saberem do que gostam - do que não gostam - e aprenderem como chegar lá. Ah! E vamos falar com todas as letras e diretamente: elas também são capazes de fazer isso - sozinhas.
O CORPO FALA
“Uma montanha russa de sentimentos”;
“Sensação maravilhosa e viciante”;
“É como se fosse uma energia, uma corrente elétrica que passa por mim da cabeça aos pés”;
“É como se seu corpo tivesse religado os sentidos, você sente mais e aprecia mais”.
Esses depoimentos foram recolhidos pela Gente, com base na interpretação de mulheres – de diversas faixas etárias – sobre o orgasmo.
Deu para entender que ele é o ápice do prazer em uma relação sexual, certo? Essa sensação mágica - que muitas descrevem - tem uma explicação física. Conforme a sexóloga, nosso sistema nervoso libera o hormônio adrenalina, acelerando nossos batimentos cardíacos; as artérias se dilatam, os pulmões aumentam o ritmo - por isso, a respiração fica mais rápida e o corpo esquenta. “Então... começamos a suar na tentativa de estabilizar a temperatura; uma parte do nosso cérebro libera uma descarga de endorfina, responsável pela sensação de relaxamento - após alguns segundos de intensas sensações; ou seja, o principal órgão responsável pelo orgasmo é o nosso cérebro, que determina a liberação hormonal a partir dos estímulos recebidos”.
A fantasia desempenha um papel imprescindível no caminho para o orgasmo feminino. Mas, o maior de todos os segredos é a consciência de que somos únicas e que cada uma deve viver o prazer com liberdade e à sua medida. “É fácil atingir! Desde que a mulher tenha autoconhecimento e saiba a forma correta de se estimular, ou de orientar o parceiro ao estímulo que mais lhe provoque prazer”.
Quando seu parceiro reclamar, dizendo que não quer sexo porque está com dor de cabeça, use a desculpa a favor da saúde dele; no momento, os hormônios liberam substâncias - como as endorfinas - que atuam no sistema nervoso, diminuindo a sensibilidade à dor; a liberação hormonal ainda melhora o humor, o aspecto da pele e do cabelo – e, até mesmo, a conexão do casal.
“São vários os benefícios devido à liberação hormonal. A endorfina, por exemplo, é o maior analgésico natural do nosso corpo podendo aliviar, inclusive, dores crônicas; a dopamina - é o hormônio responsável pelo bem-estar; a serotonina - melhora o humor; a ocitocina - cria vínculo afetivo, deixando o casal mais conectado; a adrenalina - acelera o coração, melhorando nosso ritmo cardíaco - são todos hormônios liberados durante o orgasmo; além da autoestima de sentir-se sexualmente atraente e desejada”.
NÃO CONSIGO TER
E agora? Há uma lista enorme de mitos ao redor das mulheres e da satisfação que alcançam no sexo. Segundo a sexóloga, assim como acontece com os homens, as mulheres podem experimentar problemas nesta fase da resposta sexual humana.
Nestas dificuldades há um papel fundamental dos aspectos psicológicos. Em primeiro lugar - um autocontrole excessivo prejudica, de forma notável, neste aspecto. Algo chave nas relações sexuais é deixar-se levar. Se isso falha, a necessidade do controle pode criar travas para alcançar o orgasmo. Por isso, é tão positivo falar de sexo – e... Fazê-lo.
Há também as disfunções sexuais, como: o Desejo Sexual Hipoativo – DSH - total falta de interesse pelo sexo, como se ele não fizesse diferença e Anorgasmia - inibição do orgasmo, ou seja, mulheres com essa disfunção são incapazes de ter um orgasmo.
“Isso acontece por uma série de fatores diferentes; mas, dois são relevantes: a falta de foco e de estímulo correto; as disfunções sexuais dolorosas - as quais a mulher não consegue sentir prazer com o ato - apenas dor, tornando impossível atingir o orgasmo”.
Outra explicação é que o corpo feminino possui diferentes zonas sensíveis e que, talvez, não estejam sendo estimuladas. Os tipos de orgasmo podem variar dependendo da intensidade e duração do estímulo. Entre todos, os mais conhecidos são o clitoriano e o vaginal.
“Alguns estudos afirmam ser possível atingir orgasmo apenas com estímulo mental - sem nenhum estímulo físico. Eu preciso evoluir um pouco nas fantasias para saber se realmente é possível; ainda não atingi esse nível” – pontua Jacielen.
CHEGUE LÁ!
Quando se fala em orgasmo, existem várias formas de chegar lá. Eis a importância de conhecer-se para tornar o orgasmo possível. Muitas mulheres nunca se tocaram; não sabem do que gostam; não conhecem seu corpo; não descobriram quais são suas zonas erógenas mais prazerosas e nem como estimulá-las.
Agora pegue um marca-texto e destaque: É fundamental ter a mente limpa; ou seja, naquele momento devemos estar exclusivamente centradas na relação com o(a) parceiro(a); tranquilas; não colocando a exigência de “tenho de ter um orgasmo”; aceitar-se tal como é; ser verdadeira consigo mesma e com quem partilha a relação; deixar-se guiar pelos seus sentidos e emoções no momento a dois... Todos são fatores positivos para a sexualidade.
“É um processo um pouco longo e delicado, que envolve aspectos culturais e, até mesmo, religiosos; fomos educadas a não nos tocar; ninguém nos ensinou a aceitar nossa vagina como parte do nosso corpo – enquanto que, para o homem, a masturbação é natural. A aceitação precisa iniciar com um processo de desconstrução de crenças limitadoras; de amor consigo mesma e de aprender a ignorar os padrões que a sociedade tenta nos impor. Conhecer o próprio corpo é, sem dúvida, um caminho indispensável para a conexão consigo mesma e à plenitude sexual”.
São várias as possibilidades - é verdade; a favorita, porém, é o clitóris. Já foi comprovado, cientificamente, que ele é o melhor caminho para chegar ao clímax. “O clitóris possui cerca de 8.000 terminações nervosas - enquanto a glande peniana possui apenas 4.000 - sem contar que a única função dele é proporcionar prazer” - completa.
E como eu consigo saber que tive um orgasmo? Nas primeiras vezes temos uma sensação diferente – mas, não conseguimos identificar se realmente é um orgasmo; conforme o tempo vai passando ficamos íntimas dessa sensação – então, sabemos exatamente quando está prestes a acontecer.
Para a Gente terminar o papo... Voltamos a afirmar: o autoconhecimento é a estradinha de ladrilhos amarelos que a leva ao prazer. Libere-se da coisa pronta; lembre-se que o céu é o limite e que você pode encontrá-lo cheio de estrelas.