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Pobreza Menstrual: Você sabe o que é isso?

Maryanne Tosta fala sobre o assunto e aborda temas pertinentes sobre o universo feminino

Thais Dias  - Rara Gente 
23/08/21 às 15h55

Uma em cada dez meninas no mundo deixam de ir à escola quando estão menstruadas. No Brasil, estima-se que sejam uma em cada quatro. Falta de condição financeira para comprar absorventes e de estruturas sanitárias estão entre as causas do problema batizado de pobreza menstrual e reconhecido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A pobreza menstrual, como o nome já diz, tem a ver com pobreza no sentido literal. É caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e até conhecimento por parte de mulheres para cuidados que envolvam a própria menstruação.

Trata-se de um fenômeno afetado pela desigualdade social, racial e de renda, segundo o levantamento “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, realizado pelo Unicef.
Como meninas menstruam por volta dos 12 anos, elas ficam dependentes de familiares para adquirir absorventes ou outras maneiras de conter o sangue menstrual. E quando a família passa por necessidade financeira, o assunto passa longe de ser prioridade.

Uma pesquisa de 2018 feita por uma marca de absorventes apontou que 22% das meninas de 12 a 14 anos no Brasil não têm acesso a produtos higiênicos adequados durante o período menstrual. A porcentagem sobe para 26% entre as adolescentes de 15 a 17 anos. Isso propicia a evasão escolar, fazendo com que cheguem a perder até 45 dias de aula a cada ano letivo.

A três-lagoense, Maryanne Tosta fala sobre estas questões abertamente em suas redes sociais – Instagram @maryannetosta - Mary levanta questões pertinentes sobre o universo feminino, desmistificando a menstruação e quebrando tabus sobre temas ligados a mulheres. 

“Quando não permitimos que uma menina possa passar por esse período de forma adequada, estamos violando sua dignidade. É urgente discutir meios de garantir a saúde menstrual, com uma educação abrangente para que as meninas também conheçam seu corpo e o que acontece com ele durante o ciclo menstrual”, disse.

A Sogomat Sul (Associação de Ginecologia e Obstetrícia de Mato Grosso do Sul) entrou na campanha de doação de absorventes para mulheres em situação de pobreza menstrual. 

A campanha está arrecadando: absorventes íntimos, calcinhas higiênicas, absorventes internos e coletores.

Além destas questões, Maryanne também nos mostra que tudo é interligado com a natureza, “Diversas tradições ancestrais narram ritos e mencionam a importância da menstruação em que o sangue menstrual é celebrado e visto como símbolo de fertilidade, onde se acredita que a mulher se assemelha a terra, pois ela gera uma vida tal qual a terra dá frutos que alimentam uma aldeia inteira”, afirmou.

Além da ligação da terra também estamos ligadas com a lua onde nossos estados hormonais e de humor femininos estão relacionados com as fases da Lua. Assim como a Lua demora cerca de 28 dias para dar uma volta completa na Terra, o ciclo menstrual da mulher é de 28 dias aproximadamente. Desta maneira, nossos ciclos se conectam assim como as quatro fases lunares: lua nova, quarto crescente, lua cheia e quarto minguante.

Um estudo divulgado pelo revista  especializada Science Advances, os autores afirmam que há uma relação entre os dois ciclos, mas que a vida moderna, especialmente devido à exposição à luz artificial noite adentro e aos horários de sono desregulados, fez com que essa sincronia diminuísse.

Para chegar a essa conclusão, o time de pesquisadores contou com a ajuda de 22 mulheres que, durante anos, anotaram em seus diários as datas de início e fim da menstruação. Em alguns casos, essas mulheres mantiveram as anotações durante mais de três décadas, permitindo aos pesquisadores comparar o calendário lunar com os ciclos férteis das voluntárias.

A análise permitiu não só concluir que a Lua influencia a menstruação como também mostrar que essa relação é mais complexa do que se imaginava. Cientificamente falando, a Lua apresenta três ciclos distintos que, periodicamente, mudam a luminosidade dela e a gravidade com que ela impacta a Terra. Todos os três ciclos influenciam o início da menstruação das mulheres. 

Nota da jornalista: Somos cíclicas e isso que nos faz única, se conhecer, se tocar e se apaixonar por todos os ciclos que passamos é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmas. 

Confira a entrevista completa com Maryanne: 

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