Já nascemos artistas. Antes de aprenderem a escrever, as crianças se expressam por meio de pinturas, massinha ou desenhos. Usam qualquer superfície como tela, encantam-se com cores, formas e texturas.
Arte é sensação, seja visual, tátil ou auditiva. É o que chega aos nossos corações e nos toca profundamente, da maneira como interpretamos, que é particular. E é esta a magia da arte: ela consegue ser uma experiência pessoal.
O Dia Nacional das Artes é comemorado anualmente em 12 de agosto. A data surgiu da regulamentação da profissão de artista e técnico em espetáculos de diversões, além de diversas funções que também podem estar inseridas no que seria considerado um trabalho artístico.
Com sua multiplicidade de formas, a arte brasileira constitui uma importante expressão cultural de nosso país. Pensando nesta data tão especial conversamos com algumas artistas que estão participando do primeiro Acervo Permanente de Obras de Arte de Três Lagoas.
Este acervo contará com diferentes temas, técnicas, segmentos e faz parte do Projeto Iniciação do Patrimônio Cultural Artístico de Três Lagoas, idealizado pela Artista Plástica e Coordenadora do Núcleo de Artes da Diretoria de Cultura, Branca Tanaka.
A Exposição ficará neste primeiro momento no Shopping Três Lagoas até o dia 15 de agosto e depois voltará para o Espaço de Eventos da Diretoria.
Branca confidenciou como a arte surgiu em sua vida, “Eu nasci respirando a arte, meu pai foi um grande artista plástico inclusive foi um dos fundadores do grupo SEIBI-KAI, um dos maiores grupos de artistas plásticos japoneses. A arte foi uma coisa natural em mim, porém meu percurso não foi tão forte como artista plástica, mas como uma incentivadora.
O trabalho que desenvolvo hoje é bem parecido com o que meu pai fazia com o grupo, pois ele incentivava os artistas japoneses que chegavam ao Brasil, claro naquela época com muita dificuldade porque os imigrantes chegavam até aqui por conta da terra e não pelo campo intelectual. Este foi o caminho para me tornar uma curadora do ramo artístico.
A arte na cidade é identidade da sociedade, porque através da arte você expressa o conhecimento do meio ambiente que você vive, o que você busca no local, os sentimentos do nível de energia da cidade, enfim a arte representa a vivência do cidadão dentro da sociedade.
Hoje com a transformação industrial a mentalidade do povo está sendo provocada a uma mudança desconhecida, mas real. A sociedade começa enxergar a arte como uma necessidade de vivência, ela está aprendendo a admirar as exposições de arte, muitas pessoas se transformando em artistas plásticos, buscando sua essência na arte, pois antes para pintar tinha que ser belo, perfeito, porém a concepção hoje é outra não existe mais o belo, existe sua verdade que você expressa através das tintas e você dispõe na tela a sua alma”.
“Você é vivo? É arte. Você pensa? É arte. Você faz? É arte. Eu acredito que a arte hoje é a única educação para o terceiro milênio, será a salvação para um ser humano através da arte se educar para uma nova era.” Branca Tanaka.
Jamile Jaguir, uma das artistas que está participando da exposição contou como a arte faz parte de sua vida desde a infância (Foto:Arquivo Pessoal)
Jamile Jaguir, uma das artistas que está participando da exposição contou como a arte faz parte de sua vida desde a infância, “Quando eu era criança meu pai me presenteava com lápis de cor e tintas em vez de bonecas, ele amava e eu mais ainda, pois este processo de arte me remete ao meu pai. Já adolescente não sabendo o que cursar, fiz alguns cursinhos preparatórios e ingressei na Academia de Belas Artes em São Paulo, fazendo artes plásticas.
Assim fui me descobrindo, conheci uma professora chamada Anna Cortazio, ela me ensinou a fazer uma leitura e releitura das artes plásticas no geral com ênfase nas artes plásticas clássicas.
Depois deste processo me casei, abri algumas lojas, mas a arte nunca deixou de fazer parte de minha vida, continuo uma artista plástica sempre que há exposições a Branca Tanaka me convida e eu exponho com todo meu amor.
Sou grata a vida, ao meu pai e a Anna Cortazio, estes três me conduziram a este caminho lindo que é a arte”
“Tenho a arte nas veias desde que nasci”. Jamile Jaguir.
Celia Mancini Falco, também cresceu em um mundo cheio de vida e cor (Foto:Arquivo Pessoal)
Celia Mancini Falco, também cresceu em um mundo cheio de vida e cor. Ela nos contou em entrevista que seu pai, Oly Mancini era um grande desenhista. Trabalhava com desenhos a carvão e a nanquim, e ela foi criada no meio da arte com muita música e cultura com os verdadeiros valores a tradição. Depois de ser autodidata muitos anos, fez faculdade de artes visuais em Dracena-SP.
“Sempre pintei a óleo, mas por problemas alérgicos passei a pintar com a tinta acrílica. Conheço muitas técnicas, mas sempre pinto puxando para o impressionismo. A arte faz a vida da gente melhor, nos dá cultura e alegria”.
“A arte faz a vida da gente melhor, nos dá cultura e alegria”, Celia Mancini.
A cultura pode salvar vidas, Nilva Barroso prova isso por meio de projetos sociais através da arte.
A cultura pode salvar vidas, Nilva Barroso prova isso por meio de projetos sociais através da arte.
Aos 12 anos ela iniciou seu processo de aprendizagem artística através da pintura óleo sobre tela. Mas foi somente nos anos de 2000 que decidiu tornar a arte como profissão através do ateliê com ministrações de aulas para crianças e adultos.
Os trabalhos paralelos em projetos sociais também a fez ir em busca da arte e assim levar para os bairros de periferia, afim de que todos pudessem ter acesso a arte de forma gratuita.
“Sou grata por estar contribuindo com aqueles que junto a mim passaram e que hoje estão fazendo da arte seu trabalho”.
Atualmente Nilva continua com o ensino no ateliê e também em obras particulares.
“No ano de 2009 idealizei a técnica de pintura em celulose junto a empresa Fibria, inovando nas artes como uma ferramenta capaz de utilizar uma matéria in natura produzida em nosso município. Está técnica agregou não só valor artístico, mas também levou as pessoas a despertarem interesse no material e na criação inovadora, oportunizando o acesso as iniciativas artísticas.
A pintura não somente desperta a criatividade e o domínio de técnicas, mas também aproxima a relação das pessoas através de cores e formas, conduzindo para um crescimento sensorial onde cada um é capaz de mostrar o quanto possui de habilidades ou mesmo apreciar a arte da forma mais simples possível.
Estar em uma exposição expondo meu trabalho, vem de encontro a uma frase que sempre digo. Quando um quadro meu encantou alguém acredito que valeu e sempre irá valer a pena pintar”, finalizou Nilva.
“Sou grata por estar contribuindo com aqueles que junto a mim passaram e que hoje estão fazendo da arte seu trabalho”.