Confira a primeira e segunda parte da matéria:
Quinze anos trabalhando na Casa da Sopa e oito na Rede Feminina de Combate ao Câncer; toda a trajetória de Janda Penha como voluntaria ocuparia mais de cinco páginas desta matéria. “Eu comecei meu voluntariado em Porto Primavera, quando fomos morar lá por dois anos e meio - Antonio João tinha um emprego no hospital e para mim não havia... E eu não consigo ficar em casa o dia inteiro. Uma amiga que conheci lá me convidou para trabalhar como voluntária na Pastoral dos Migrantes - Respondi na hora: ‘Bora!’”.
Desde então ela não parou! Assumiu a presidência da RFCC em 2020 em plena pandemia e lida com todos os desafios sempre de cabeça erguida e sem medo de ‘pegar no pesado’.
“Estou entregando de casa em casa; a cesta básica, as máscaras, os kits e tudo o que os pacientes precisam. Confesso, eu era mais tranquila. Depois que assumi a Rede eu faço terapia, faço acupuntura auricular para baixar a tensão e tomo remédios. Eu perco o sono de saber que esse vírus pode atingi-los. Apesar de tudo isso, sou feliz assim, realizando esse trabalho de amor”.
De acordo com Janda, o poder público fornece apenas um motorista, toda a verba da Rede é por meio dos projetos e eventos. Com a pandemia, esses principais meios de angariar fundos foram cancelados - contando somente com a ajuda da população, instituições e empresas. “De qualquer forma, sou muito grata. Os três-lagoenses também são bem engajados. Somos abençoados. Sou grata à população, empresas, Associação Comercial, Sindicato Rural, Maçonaria e os Rotarys que sempre nos ajudam. Gratidão!”.
“O mundo precisa de mais pessoas que tenham a solidariedade no seu interior, no seu coração. Uma coisa que me intriga, é quando eu posto uma foto minha com um sorriso e nossa... Como tem gente para curtir! E quando posto uma foto da Rede, as pessoas passam batido. O câncer é como esse vírus, ele não escolhe as pessoas. Pode ser comigo amanhã, porque não? Mas já estou fazendo a minha parte”.
Entre tecidos de todas as cores, texturas, botões, linhas e rendas minimamente organizadas, ela passeia por um quarto de costuras da sua casa. As peças trabalhadas com brandura fazem parte de um hobby terapêutico.
“Costuro toalhas de mesa, customizo panos, bolsas... Gosto muito! Ensino bordado, crochê e com muito carinho produzo algumas peças para o bazar da Rede Feminina”.
Além da costura, Janda possui outra alegria: estar ao lado dos amigos. A pandemia, no entanto, os afastou de se verem pessoalmente, agora os bate-papos seguem todos os dias no WhatsApp. “Tenho muitos amigos! Que delícia! Eu nem penso como aquela música do Roberto Carlos ‘Eu quero ter um milhão de amigos’, não quero ter um milhão, quero ter os melhores! E graças a Deus tenho ótimos amigos”.
Pudera, fiel as amizades, ela não se importa em sair as duas da manhã para atender alguém que precise. “As pessoas que precisam de ajuda me ligam, eu boto outra roupa, tiro o carro da garagem e vou! Não tenho medo de sair essa hora, meus medos são outros. Medo de ajudar o próximo? Jamais”.
A este ponto você, leitor, já deve estar se perguntando ‘Qual o segredo dessa energia, dessa positividade?’ Janda revela para a Gente.
“Eu acho que isso tudo tem a ver com o que a minha mãe passou. Era pra ela ser uma mulher amarga, cuspindo fogo, e não... Ela é calma, ela pensa para falar, ela é resiliente. Eu poderia dizer sobre ter paciência, mas se você pede paciência, a vida te manda um monte de situações para você viver, sofrer e ver como ela funciona, eu prefiro pedir a sabedoria!”.
“‘Senhor, me dê sabedoria para agir na hora exata! Quando eu acordo de manhã a solução chega com o abrir dos olhos, então é preciso acreditar! E eu creio... Creio em Deus, creio nas pessoas e que ainda haverá uma mudança nesse mundo, no interior delas”.
“Meu sorriso? Deve ser da minha mãe! Minha mãe tem uma boca grande, um sorriso largo como o meu... E ela vive sorrindo, faz piadas e adora dar risada! E eu sou como ela, embora eu também chore com as coisas ruins e com as coisas boas... Sabe, ninguém é feliz o tempo todo, e as lágrimas foram feitas para isso, para usar na hora certa. A situação é ruim? Eu choro! A situação é boa? Eu choro de alegria, de felicidade... Mas eu não deixo que a tristeza tome conta, nunca”, finaliza.