Se você passar um tempo nas redes sociais, vai ter quase certeza de que todo jovem da Geração Z já nasce com um diploma de desenvolvedor, um ring light ou um plano infalível para ser nômade digital. A realidade, no entanto, bate à porta, e ela passa muito longe de startups, horários flexíveis e salários em dólar.
Um levantamento recente do Quero Bolsa, com base nos dados mais atualizados do Novo CAGED, mergulhou fundo nas ocupações que mais estão absorvendo a Geração Z no Brasil, a galera nascida entre o fim dos anos 1990 e 2010. E o resultado é surpreendente para quem acredita que o futuro do trabalho é 100% digital.
(Foto: Getty Images)
Vendedor de comércio varejista
A medalha de ouro da empregabilidade da Gen Z vai para o balcão das lojas. Com impressionantes 1.520.534 contratações, o vendedor é a verdadeira porta de entrada para o mercado de trabalho.
O que faz? Aborda o cliente, entende suas necessidades, negocia e fecha a venda. É a linha de frente do comércio.
Salário médio: R$ 1.730,41
Alimentador de linha de produção
Longe das telas e dos escritórios, o chão de fábrica respira juventude. Foram 1.424.965 jovens absorvidos pela indústria para atuar diretamente nas linhas de montagem.
O trabalho envolve abastecer esteiras com matérias-primas, embalar produtos e ajudar no controle de qualidade. Exige esforço braçal e atenção constante.
Salário médio: R$ 2.237,03
Se tem papelada, e-mail e planilha para organizar, é esse profissional que entra em cena. Com 1.134.270 contratações, o auxiliar de escritório é o verdadeiro braço direito da rotina de qualquer empresa.
Atende telefones, redige comunicados, classifica documentos e dá suporte administrativo geral.
Salário médio: R$ 2.034,54
O mestre do "crédito, débito ou Pix?". Com 965.436 vagas preenchidas, o operador de caixa é o responsável por efetuar cobranças no varejo, supermercados e farmácias.
A rotina exige matemática rápida, simpatia (mesmo nos dias difíceis) e responsabilidade para fechar a gaveta sem faltar um centavo.
Salário médio: R$ 1.822,56
Atendente de lojas e mercados
Sabe aquela pessoa que te salva quando você está perdido no corredor do supermercado? É exatamente ela. Com 940.846 contratações, o atendente recepciona clientes, presta informações, pesa produtos e mantém o ambiente organizado.
Salário médio: R$ 1.830,08
(Foto: Divulgação)
A força bruta que ergue o país também tem o rosto da Geração Z. O setor de construção civil contratou 797.254 jovens para atuar como serventes
Preparar massa, carregar tijolos, montar andaimes e dar suporte a pedreiros e engenheiros no canteiro de obras.
Salário médio: R$ 2.022,10
A manutenção da limpeza e da ordem em espaços corporativos, condomínios e lojas empregou 728.297 jovens. São os profissionais que varrem, lavam, higienizam e garantem ambientes prontos e seguros para uso.
Salário médio: R$ 1.739,54
Fechando o top 9, a mágica das prateleiras sempre cheias. O repositor transfere produtos do estoque para a área de vendas, confere validades e etiqueta preços. Uma rotina dinâmica que gerou 706.954 contratações.
Salário médio: R$ 1.805,21
Conclusão: a geração que trabalha
A Geração Z já é a força de trabalho que mantém o país funcionando. Está no caixa do supermercado, na linha de montagem, no canteiro de obras e na organização dos escritórios. É uma geração que, ao contrário do estereótipo do "preguiçoso" ou do "desconectado da realidade", está literalmente construindo o país, tijolo por tijolo, venda por venda, atendimento por atendimento.
E, sim, também tem seus sonhos digitais. Mas, enquanto eles não se realizam, os jovens brasileiros estão ocupando os espaços que existem, e fazendo disso o começo de suas trajetórias.