Sem dúvida, a cordialidade nos remetem a um ponto específico: regras de etiqueta. Muito comuns na época da burguesia, esses princípios baseados no respeito e na harmonia atuavam como um divisor de classes, separando a nobreza do resto da população.
No entanto, atualmente, elas funcionam mais como um fator de inclusão social, aproximando tudo e todos. Ou seja, ser gentil é o que torna possível viver em sociedade.
Agora, se nós não estamos mais acostumados com pequenos gestos e frases simples, que são a liga para a nossa vida social, temos que reconhecer que isso acontece, pois a gentileza tem sido aos poucos abandonada por nós mesmos.
Para dar mais vitalidade a esse valor, a colunista da Revista Claudia criou o movimento O resgate da delicadeza. “A ideia nasceu, porque sempre percebi como esses aspectos amáveis faziam falta para mim. Percebo que se eu falo ‘bom dia’, transformo de uma forma fundamental a vida do outro”, aponta.
A consultora entende que as conversas virtuais nos colocam em verdadeiras bolhas, que são nocivas. “Às vezes, alguém fala ‘oi’, só que o outro não responde, provocando uma frieza. Com isso, a vida social foi perdendo a energia positiva e essa sensação gostosa de ser bem tratada”, explica.
“A tecnologia veio para ajudar demais a gente, mas ela tirou a nossa sensibilidade, pois é diferente quando nós mandamos um emoticon, de quando falamos e nos expressamos. Não há palavras digitadas e emoticons que substituam a emoção do falar”, defende.
De forma racional e até irônica, a consultora iniciou a corrente no universo que fez com que nós nos perdêssemos: o virtual. Usando a sua conta do Instagram(@racheljordan__), ela encabeça esse resgate de forma assertiva.
Mas como fazer com que este choque de realidade surta efeito na vida das pessoas? Apenas com textos e frases motivacionais? Não, mexendo no baú de lembranças!
“Para a gente resgatar a delicadeza e outros sentimentos bons, que fazem as pessoas se sentirem bem e tratarem ao próximo com cortesia, escolhi trabalhar com as memórias afetivas, aquilo que nos fazia se sentir bem antes mesmo da tecnologia. Até mesmo a geração Z, que chama a gente de cringe, tem essas memórias afetivas! E elas podem ser resgatadas por meio de uma foto, uma roupa, xícara de café, um presentinho”, sugere Rachel.
“A pandemia, além de nos mostrar que o que importa não é cargo hierárquico ou valor financeiro, mas sim emoção, paixão e saúde, também mostrou como nós precisamos de interatividade. As pessoas vivem e querem se relacionar com pessoas que as fazem bem”, fala.
“É mais ou menos uma corrente do bem, pois quando você faz o bem, você o transmite. Quando você faz uma campanha de gentileza, você vai mostra para os outros como ela transforma a vida.
Quando você faz um movimento de memórias afetivas, você vai mostra para os outros o que é importante para você e o que te move.”
Agora se você está se perguntando se o movimento chegará ao fim em algum momento, a própria idealizadora responde: “Eu não quero que ele chegue ao fim, só quero que as pessoas resgatem a essência de cada uma delas e vejam o quanto é importante ter gentileza, trazer essas memórias afetivas e partilhar nossas experiências com o outro”, finaliza. Topa essa missão de resgatar a delicadeza e a leveza da vida?
(*) Revista Claudia.
