Aqui estão os prós e contras do abraço, com base nos conselhos de Marr e de outros especialistas:
NÃO abrace olhando um para a outra pessoa
"Essa é a posição de maior risco, porque os rostos estão muito próximos. Quando a pessoa mais baixa olha para cima, sua respiração exalada, devido ao calor e à leveza, migra para a área de respiração da pessoa mais alta. Se a pessoa mais alta olhar para baixo, existe a chance de que as respirações se misturem", disse Marr.
NÃO abrace encostando as bochechas, com os rostos apontando para a mesma direção
Essa posição, na qual os dois rostos apontam para a mesma direção, também é mais arriscada, pois o ar exalado de cada pessoa está na área de respiração da outra pessoa.
ABRACE com os rostos apontando para direções opostas
Para um abraço seguro e de corpo inteiro, cada um deve apontar o rosto para uma direção oposta, impedindo, assim, que um respire diretamente as partículas exaladas pelo outro. Usem máscara.
Deixe que as crianças o abracem nos joelhos ou na cintura
Abraçar na altura do joelho ou da cintura reduz o risco de exposição direta a gotículas e a aerossóis, porque um rosto fica distante do outro. Existe a chance de que o rosto e a máscara da criança contaminem as roupas do adulto, por isso considere a possibilidade de trocar de roupa e lavar as mãos após uma visita durante a qual você abraçou alguém. O adulto também deve apontar o rosto para o outro lado para não respirar sobre a criança.
Beije seu neto na nuca
Nesse cenário, os avós se expõem minimamente à respiração da criança. A criança pode ser exposta à respiração da pessoa mais alta, portanto beije usando máscara. Julian Tang, virologista e professor associado da Universidade de Leicester, na Inglaterra, que estuda como os vírus respiratórios viajam pelo ar, disse que acrescentaria mais uma precaução a um abraço em tempos de pandemia: prenda a respiração.
"A maioria dos abraços dura menos de dez segundos, de modo que as pessoas devem conseguir fazer isso. Em seguida, afaste-se pelo menos dois metros antes de falar novamente, permitindo, dessa maneira, que o fôlego seja recuperado a uma distância segura. Prender a respiração impede que você exale qualquer vírus para a área de respiração da outra pessoa, caso você esteja infectado e não saiba – e impede que você inale qualquer vírus dela, caso ela esteja infectada e não saiba", explicou Tang.
Yuguo Li, professor de engenharia da Universidade de Hong Kong e autor sênior do artigo que Marr citou para fazer os cálculos, comentou que o abraço provavelmente representa menos risco do que uma longa conversa cara a cara: "O tempo de exposição é curto, ao contrário de uma conversa, que pode durar o tempo que quisermos. Mas nada de beijo na bochecha."
Li disse que o risco de exposição viral pode ser maior no início do abraço, quando duas pessoas se aproximam e podem respirar o ar uma da outra, e no fim, quando se separam. Usar máscara é importante, bem como lavar as mãos, porque há um baixo risco de pegar o vírus das mãos, da pele ou da roupa de outra pessoa.
Marr observou que, como o risco de um abraço rápido com tais medidas de precaução é muito baixo, mas não inexistente, as pessoas devem escolher seus abraços com sabedoria. "Eu abraçaria amigos íntimos, mas não daria abraços casuais. Adotaria a abordagem de Marie Kondo: o abraço deve despertar alegria."
Com informações The New York Times.
