Mignonnes conta a história de Amy (Fathia Youssouf), uma garota senegalesa de família muçulmana que, divida entre o contraste dos valores tradicionais de sua mãe e da aparente liberdade da cultura da Internet, decide juntar ao grupo de dança de sua vizinha Angelica (Médina El Aidi-Azouni), e, com uma “consciência de sua feminilidade crescente”, como descreve a sinopse, impulsiona a equipe a adotar coreografias cada vez mais sensuais, despertando nas colegas a esperança de alcançar a fama por meio da participação em um concurso de dança.
A trama, segundo explicou a diretora Maïmouna Doucouré, é um espelho da sociedade e uma reflexão sobre a percepção que meninas têm de si mesmas e de sua feminilidade em uma sociedade que tanto sexualiza mulheres, especialmente nas redes sociais. A suposta liberdade encontrada por Amy no grupo de dança é mesmo liberdade, perguntou ela em um vídeo divulgado no canal da Netflix no YouTube. “O real questionamento de Mignonnes é: podemos nós, mulheres, realmente escolhermos quem queremos ser, para além dos padrões que nos são impostos pela sociedade?”, disse.
O público, contudo, parece não concordar com as visões de Doucouré e dos críticos. No Rotten Tomatos, em que a crítica o deu 88% de aprovação e classificou o filme como “um olhar cuidadoso sobre as complexidades da infância na era moderna”, a avaliação da audiência é de apenas 3%. Nojento, abominável e vergonhoso são algumas das palavras usadas pelas pessoas que deixaram reviews negativas. No YouTube, o vídeo dela já possui quase 10 mil dislikes.
Em entrevista à Deadline, a diretora revelou que chegou a receber ameaças de morte, após a polêmica dos pôsteres de divulgação. Ocupada com o lançamento do filme na França, ela contou não tinha visto antes os cartazes do filme. “Eu não entendi o que estava acontecendo. Foi quando vi como era o pôster”, relatou, contando que foi acusada de estar fazendo apologia à hipersexualização infantil, especialmente por pessoas que não haviam assistido o filme.
“Eu espero que aqueles que não viram, o vejam, e mal posso esperar por suas reações”, continuou. “Com sorte, eles entenderão que estamos no mesmo lado nessa batalha. Se juntarmos forças, podemos fazer uma grande transformação nesse mundo que hipersexualiza crianças.”
A Netflix não se pronunciou até o momento.
Com informações Claudia - Abril.
