Dentre as inúmeras formas de demonstrar amor, uma das mais significativas talvez seja doar um órgão. O gesto, que pode permitir a continuidade de uma vida, ainda é cercado de muitas dúvidas, que impedem que ele aconteça com frequência.
Todos os anos, o nono mês sedia a campanha Setembro Verde, a fim de esclarecer e conscientizar a população acerca da importância do transplante de órgãos. E nesta segunda-feira (27), é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.
De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a pandemia do coronavírus impactou negativamente nas doações, que caíram em 13% no primeiro semestre de 2021. A queda se deve à perda de 24,9% na efetivação da doação. De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), 1.126 pessoas estão na fila de espera por um transplante de fígado e mais de 45 mil pessoas aguardam por um transplante de órgãos sólidos e de tecidos.
No caso de doações realizadas após a constatação de morte do paciente, o procedimento só pode ser realizado no Brasil mediante autorização dos familiares, de acordo com a lei em vigência. Muitos, no entanto, acabam não autorizando, o que aumenta o tempo de algumas pessoas na fila de espera por um órgão compatível, levando alguns a óbito.
Transplante de Medula Óssea
Diferente do transplante de órgãos, mas tão importante quanto ele, o transplante de medula óssea também ganha destaque ao longo do mês de setembro. Por ser raro encontrar encontrar uma medula óssea não aparentada totalmente compatível — a chance é de uma para 100 mil —, é fundamental que cresçam os números de doadores voluntários.
A medula óssea é encontrada no interior dos ossos e contém as células-tronco hematopoiéticas, que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos, que também são parte do sistema de defesa do nosso organismo, além das plaquetas, responsáveis pela coagulação.
O Transplante de medula óssea não é um procedimento rápido que se resume à infusão das células tronco hematopoiéticas. Após diversas avaliações clínicas e laboratoriais, com o doador já selecionado, o paciente é submetido a quimioterapia e/ou radioterapia, para em seguida receber as células tronco hematopoiéticas previamente coletadas e congeladas. A partir daí, ainda internado, recebe o suporte de antibióticos e transfusões até que a nova medula passe a funcionar.
As células coletadas são congeladas (criopreservadas) para depois serem usadas. Após a quimioterapia e radioterapia, as células são descongeladas e infundidas na veia do paciente para, naturalmente, se encaminharem para a medula óssea, iniciando a fabricação das células sanguíneas da nova medula.
