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Conheça o projeto social que há 25 anos transforma a vida de crianças e adolescentes em Três Lagoas


Bruna Taiski em 14 de outubro de 2019 - 07h48

“Desde adolescente, eu realizava algum tipo de voluntariado. Já tive experiência com crianças especiais, com menor infrator e com idosos. Aqui em Três Lagoas, o que me tocou foram essas crianças do “Projeto Valorização da Criança e do Adolescente”, que são carentes financeira e afetivamente. Enxerguei uma enorme possibilidade para fazer a diferença na vida de alguém. O contato com elas me emocionava constantemente. Entendi aquilo como o lugar onde eu deveria estar”. Este é o depoimento da coordenadora Larissa Barberi Nunes, que trabalha no Projeto Valorização da Criança e do Adolescente; emocionada, não poupa palavras ao falar das vidas que o programa transformou.

 

O Projeto de Valorização da Criança e do Adolescente teve início em 1994 com o Programa Jovem Aprendiz; a partir de 2006 ele passou a abranger somente crianças de sete a doze anos. O objetivo principal é ajudar no aprendizado, na construção da cidadania, bem como na segurança de crianças nos momentos em que elas se encontrariam em situação de vulnerabilidade. Paralelamente, visam orientá-las a exercer a cidadania e o respeito ao próximo. Também oferecem complementação escolar, auxiliando nas tarefas, trabalhos e no estudo para provas do ensino regular. Além disso, são servidas duas alimentações por turno - café da manhã e almoço para a turma do matutino, bem como almoço e café da tarde para a turma do vespertino.


“É um trabalho maravilhoso, com potencial gigante de proporcionar um futuro melhor para essas crianças. Somos extremamente vigilantes com todas elas. Observamos cada conversa, comentário e comportamento que elas demonstram dentro da unidade. A partir disso, conseguimos identificar algum problema que ela esteja sofrendo e abordamos de alguma forma a orientar, minimizar ou até mesmo encaminhar a criança ou família para atendimento psicológico junto à Prefeitura” - diz.


A capacidade de atendimento é de setenta crianças nos bairros próximos à Vila Piloto – atualmente, sessenta crianças, de sete a doze anos, estão sendo atendidas. A maioria delas é do Bairro Vila Alegre, do Cinturão Verde (Zona rural) e, claro, do Vila Piloto.


IMPACTO SOCIAL


Como o intuito é principalmente ajudar a formar ‘crianças de bem’, Larissa diz que muitas daquelas que já passaram pelo projeto tornaram-se ‘homens e mulheres de bem’ e estão empregados no comércio local. “Há também o caso de um ex-aluno que hoje reside fora do Brasil e nos deu testemunho da sua situação, agradecendo pela oportunidade que a iniciativa trouxe” - conta.


Melhor do que realizar o trabalho, é ver o resultado que ele proporciona; hoje, quarenta e duas famílias são impactadas diretamente. “As crianças costumam nos falar que adoram estar no ‘Projeto Valorização da Criança e do Adolescente’ e têm plena consciência de que seus rendimentos na escola melhoraram. Temos ainda o ‘feedback’ dos seus pais, que também aprovam o zelo que temos com as crianças, já que estamos sempre observando seus comportamentos e trabalhando em cima de problemas que frequentemente encontramos”.


Não há como não nos lembrarmos dos voluntários que trabalham em prol dessas crianças sem pedir nada em troca... Talvez um sorriso ou um ‘Te adoro tio (a)!’ 


“Eles correm atrás de parcerias; realizam eventos; vendem produtos etc. Há também os doadores que contribuem financeiramente ou com doações de qualquer espécie. Além disso, há aqueles que exercem o serviço voluntário diretamente com as crianças, ajudando nas aulas, na recreação, na monitoria e assim por diante”.

Em 2019, após ganhar um pouco mais de visibilidade, o número de voluntários aumentou. “Estamos recebendo muitas visitas de interessados na causa e ainda podemos contar com aquelas pessoas que aderiram à campanha lançada recentemente, chamada ‘Apadrinhe uma criança’, em que fornecemos um carnê e o valor arrecadado é direcionado para manter essas crianças no projeto, provendo aulas e alimentação”.


PARA AJUDAR


O Projeto é mantido principalmente pelo Grupo Assistencial Espírita “A Candeia”, cuja unidade é estabelecida no Bairro Nossa Senhora Aparecida. Lá também são feitos eventos para o custeio, além de um brechó que ajuda a sustentá-lo. Ele também recebe doações de empresas e de pessoas da sociedade que são essenciais para a sua existência.

“A nossa maior dificuldade é manter o Projeto funcionando, devido aos gastos mensais que temos. Portanto, é um grande esforço mês a mês para arrecadar fundos destinados a custear, principalmente, folha de pagamento de funcionário e todos os impostos inerentes, além das despesas fixas como água, luz, telefone e reparos gerais”. 

Todo tipo de ajuda é bem-vinda, principalmente com voluntariado. “Precisamos de voluntários para dividir a supervisão das crianças em sala de aula, pois contamos somente com uma pedagoga para cuidar de trinta crianças ao mesmo tempo, de idades bem diferentes. Mas, temos inúmeros meios pelos quais a população pode contribuir. Basta saber o que o interessado tem possibilidade de oferecer”.


“Também gostaríamos muito de proporcionar a elas aulas diferentes e um lugar mais bonito, onde possam praticar esportes, fazer atividades ao ar livre, receber aulas de música e de computação - é um sonho de toda a equipe”.

O Projeto funciona np Bairro Vila Piloto, à Avenida Dom Bosco, número 240, de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h. Para participar, o responsável pela criança deve procurar a sede do Projeto, nos mesmos horários acima e preencher um cadastro. Posteriormente, a assistente social fará uma avaliação sobre a real necessidade dessa criança, que deverá estar em alguma condição de risco ou vulnerabilidade social. “Se for preciso, visitaremos a residência e conversaremos com a família dessa criança interessada”.

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