O sul-mato-grossense George Lange, de 28 anos, venceu duas categorias no Colletor Tattoo Expo - um dos maiores eventos de tatuagem dos Estados Unidos, realizado em Arlington, no estado do Texas, neste mês. Ele foi considerado o melhor artista da edição, superando outros 360 participantes e ainda foi premiado na categoria "preto e cinza".
"Eu estava ali tentando dar o meu melhor, o prêmio foi consequência. Passei 23 horas tatuando, focado e vencer o prêmio, ganhar de todas as tatuagens, foi uma grande surpresa", conta George.
Nascido e criado na região Jardim Itália, em Dourados, a 235 km de Campo Grande, ele teve seu primeiro contato com a tatuagem aos 13 anos, quando viu pela primeira vez o trabalho de um profissional.
"Foi algo que me chamou muita atenção, mas até então nunca achei que seria tatuador. Porém, desde que eu me conheço por gente, estive no meio de desenhos, vendo cartoons, desenhando em casa e até mesmo para colegas da escola", recorda o artista.
Sua vida começou a mudar em 2013 após o incentivo da sua namorada - hoje esposa. "Ela me disse 'George porque você não tatua?', naquela época eu estava meio insatisfeito com o que eu ganhava e almejava muito mais. A ideia dela me trouxe a sensação de poder fazer aquilo que eu gostava e ainda poder ganhar bem".
Segundo George, mais que incentivo, a namorada pagou o seu primeiro curso e ainda o presenteou com uma máquina de tatuagem.
Depois da capacitação, ele conta que pediu demissão do emprego e abriu seu primeiro estúdio de tatuagem em Dourados.
Após um tempo de trabalho em Dourados, o artista se mudou para o Rio Grande do Sul. "Foi bem difícil no começo, lá eu vi que o padrão de qualidade era muito elevado. Eu pensava 'se eu não conseguir me adequar aos padrões daqui eu não sei o que vai ser de mim', então eu acabei estudando muito, passei dois anos, focado em realmente evoluir e me destacar entre os outros", relembra o tatuador.
Com empenho e dedicação sua carreira deslanchou. Além do próprio estúdio no Rio Grande do sul ele começou a viajar pelo país. Tatuou em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Recife. Volta e meia retornava a Dourados, para rever a família.
"Nesse meio tempo ganhei muitos prêmios no Brasil e tive a oportunidade de ser convidado por um estúdio em Londres, foi aí que a minha caminhada começou a ficar um pouco mais séria. O internacional foi um aprendizado bem grande, porque eu nunca convivi com culturas tão diferentes", afirma.
Apesar de todo o reconhecimento que conquistou com seu trabalho, o tatuador revelou ao G1 que foi somente com muita determinação e apoio que recebeu da mãe e da esposa, que conseguiu atingir o patamar atual.
"Foi duro, foi difícil, dei a cara a tapa mas se fosse para fazer de novo eu faria. Minha mulher está comigo desde o começo, ela foi a minha primeira patrocinadora, ela foi a que pagou meu primeiro curso de tatuagem, minha primeira máquina de tatuagem e foi em quem eu fiz a primeira tatuagem. Sou muito grata a ela", ressalta o artista.
(*) G1 MS
