Responda rápido: qual é o primeiro pensamento que tem ao ouvir a palavra “folclore”? Foi algo relacionado às lendas, cantigas ou personagens típicos? A palavra folclore significa – em sua origem inglesa – o ato de ensinar (lore) um conjunto de costumes, lendas e manifestações artísticas do povo (folk) preservado pela tradição oral.
Mais uma pergunta: Preservamos essa tal tradição oral ou só lembramos sobre o tema no mês de agosto? As crianças aprendem sobre nossa cultura ao longo de sua formação infantil nas escolas? Questionamos esse assunto ao professor de História, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Campus de Três Lagoas, Victor Wagner Neto de Oliveira, que acredita na importância em ser levado esse tema às salas de aula ao longo de toda a infância.
“Valorizar essas expressões da cultura popular é valorizar a história local. Por isso é importante, sim, que essas expressões estejam em sala de aula do ensino básico, desde os primeiros anos; que estejam, na formação da criança em família e não somente em um dia do ano”, pontua. Segundo Oliveira, as lendas, mitos e contos são parte constitutiva da sociedade e construída pela mesma sociedade. “Da mesma forma, manifestações da religiosidade popular, de festas, danças, cantigas e mesmo o fazer-se manual de artesãos, de oleiros, por exemplo, podem ser considerados ‘folclore’ se entendemos essa denominação como uma manifestação da cultura herdada de uma tradição”, explica.
À imprensa, o professor de Cultura Popular e Etnomusicologia do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Campos São Paulo, Alberto Ikeda, declarou que “trabalhar o assunto apenas em agosto se tornou uma tradição no ensino brasileiro”. De acordo com o pesquisador, uma primeira providência essencial diz respeito à compreensão da noção de folclore que, para ele, o conceito é muito mais dinâmico do que parece: envolve diversas vertentes da cultura popular (música, dança, relatos orais, etc.) e continua sendo produzido até hoje.
