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Após superarem preconceito, transexuais falam sobre o Dia da Visibilidade Trans

"Orgulho em ser o que sou, em estar onde estou, em andar como todos".

Bruna Taiski
29/01/21 às 16h06

No Brasil, comemora-se em 29 de janeiro o Dia da Visibilidade Trans. Esta data foi criada em 2004 com o intuito de promover reflexões e estimular o desenvolvimento de políticas públicas que garantam o respeito à população trans. Na maioria das vezes, esse público se encontra em condições de vulnerabilidade e a promoção de sua inclusão social, com garantia de todos seus direitos, incluindo acesso à educação, saúde e trabalho.

Em 2020, segundo dados registrados pela 'Trans Murder Monitoring', 124 pessoas transexuais foram mortas no Brasil apenas nos primeiros nove meses do ano, o colocando, desse modo, no inglório topo do ranking dos mais violentos para essa parcela da população pelo 12º ano consecutivo.

Apesar das conquistas de décadas de luta e ativismo, a transfobia, a falta de oportunidades pelo mercado de trabalho, a rejeição pela própria família, a impunidade para atos violentos, e o continuo discurso de ódio ainda são uma dura realidade da nossa sociedade e que continuamente precisam ser enfrentadas.

Mas, de fato, qual a importância da data e porquê, mesmo depois de 16 anos, ainda precisamos de um Dia Nacional da Visibilidade Trans? Para responder tal questionamento, a Gente convidou mulheres e um homem trans para darem seu depoimento e ocuparem os espaços que são seus por direito.

Confira:

Existir e resistir

Paula deslumbrante em seu casamento com Lucas.

"Pela nossa existência e a resistência em um país onde mais mata trans e travestis no mundo ! Que todas as transexuais sejam respeitadas e inclusas no mercado de trabalho".

- Paula Martinelly Blausius. Ativista pelo movimento LGBTQIA+ de Três Lagoas.

Merecemos respeito

Pedro é dono da page e também insta: @devanearoutono. Faz obras de arte por encomenda.

"Antemão sobre a resistência e urgentemente uma colocação afirmativa de respeito, que ninguém se esqueça que nós homens trans não somos fetiches sexuais e não somos menos homens por possuir seios ou que nossa genitália não seja símbolo contraditório para o que somos. Merecemos respeitos, merecemos existir".

- Pedro Antônio Nascimento, artista autônomo.
 

Uma mulher incrível!

Tara dá literalmente um "SHOW" quando se trata em cantar e performar.

"A dúvida surgia. Sempre. Eu me imaginava constantemente enquanto uma pessoa trans mas nunca me aprofundei no assunto. Quando realmente decidi estudar sobre, descobri que estava triste e cheia de dúvidas por não estar sendo EU. Fiz acompanhamento psicológico, convivi com mais pessoas trans. E alguns meses depois, descobri que o "feto" que me "chutava" para sair, era a grande mulher que eu sempre fui pedindo pra sair e ver o sol. Hoje sou feliz e muito mais firme nos meus princípios, por entender que daqui uns anos, eu vou olhar pra trás e admirar uma história incrível de uma mulher FODA".

- Tara Fernandes, cantora e publicitária. 

Por mais visibilidade e espaço

Muita luta e muito close na vida da belísima Marcela.

"Um dia como esse se faz cada vez mais necessário quando a gente perceber a falta de pessoas trans em literalmente todos os espaços sociais. E é de extrema importância que sejamos vistos nestes ambientes, pois já está na hora das pessoas se acostumarem a nos ver durante a luz do dia e não somente durante a noite.
Quando você não se vê por muito tempo  começa a questionar se você realmente existe e SIM nós existimos, nós lutamos e resistimos. Já evoluímos muito obviamente, porém temos um longo caminho de luta ainda. E claro de muito close também, de muita beleza, de muita coisa linda em nossas vidas. Muito obrigada por nos ceder este espaço neste dia tão importante". 

- Marcela Gonçalves, publicitária. 

Orgulho de ser a Nanda

Nanda é unica e tem orgulho de ser quem ela é!

"Trans é uma palavra única, e ser única, objetificação é algo para o passado. Trans é lutar, vencer, estar, ocupar espaço... Hoje vivemos num mundo caótico, mas não deixamos de nos orientar. Vivemos nos procurando mais, nos perguntando quem somos?,como somos? , e onde vamos? São três perguntas que temos que nos policiar para estar andando juntos, porque a população tenta nos privar, e nos fazer ser mais que alguém para estar em algum lugar! Precisamos? Não. Pois somos todos iguais, nada muda, oque nos diferencia é que tudo que fazemos e com mais intensidade e mais inteligência. Temos que saber entrar e sair, sem bater a porta, pois o barulho nos deixa para fora. O julgamento está começando a se esconder, pois estão existindo leis. Minha maior mensagem é, para ser quem nós queremos ser precisamos de três coisas: Paciência, estudo e caráter. Então gente... Viva! Seja trans, seja você, seja quando quiser e no seu momento. Preconceito tem em todos os lugares, mas de 10 obstáculos existem 20 oportunidades, lute sem cansar, tenta sem pedir, vai sem ter ajuda, quando precisar avise. Mas sempre com sua essência. Orgulho em ser o que sou, em estar onde estou, em andar como todos. Ser trans e ser única. Eu Nanda sou trans, sou dançarina e cantora e amo tudo em mim".

- Nanda Sant'Anna, cantora,  diretora na empresa 3Ato - Danças Urbanas e professora dancehall na Prefeitura de Três Lagoas.

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