Quando nos tornamos tão tóxicos e sem empatia? Esse suposto anonimato e a falta de humanização de cada perfil não nos traz empatia pelo próximo. Não importa se discordamos veementemente da posição política alheia, por exemplo, não somos obrigados a criar uma discussão, ou a tomar nosso tempo para discordar por escrito, ou até mesmo ofender o outro. Parece que sentimos um impulso de nos manifestar mesmo sem ser chamados, e tampouco para alguma discussão que efetivamente mudará algo.
Há situações de indignação que nos movimenta que nos instiga a disseminar nossa opinião e querer convencer o outro da nossa verdade. Mas, na realidade, quase nunca se debate efetivamente, o resultado é apenas uma série de textos agressivos. Movimentamo-nos muito mais para nos manifestar sem ler o que a mensagem diz, do que efetivamente ler e estar aberto a aprender. Porém tudo isso acontece por dois fatores principais: O anonimato inconsequente e a vontade de atingir muitas pessoas sejam por ‘massagem ao ego’ via likes ou mesmo pela legítima intenção de disseminar informação ou opinião.
Na internet ninguém está ali para recriminar com olhos e tampouco são impostas essas regras públicas, por isso não temos empecilhos, teoricamente, para sermos agressivos sem nem ao menos considerar que por traz do perfil em questão há uma pessoa cujas informações que levamos em conta se resumem a uma postagem, ou às vezes a apenas uma única frase. Por isso é muito fácil não sentir empatia, não considerar nada mais, afinal, nem estamos vendo essa pessoa, nem estamos de frente a ela.
A solução para esse tipo de comportamento problemático no ambiente virtual é simplesmente humanizarmos os perfis e deixarmos um pouco nosso ego off-line. No final do dia, curtidas, compartilhamentos e comentários não fazem diferença na vida real, no cotidiano. Porém, o que nos afeta é ser o alvo direto desse tipo de comportamento, que acabamos por revidar, gerando um novo ciclo estressante e que consome o precioso tempo que poderíamos passar com familiares, namorados (as) e até mesmo com nós mesmos.