Paula Chacra, 23 anos, poderia ser só mais uma influenciadora digital no seu feed. Mas, por trás das selfies e dos tutoriais que posta, está uma mensagem muito importante: a da inclusão e representatividade de pessoas portadoras de deficiência na indústria da moda e da beleza.
A influenciadora é referência quando se trata de moda e beleza inclusiva em Três Lagoas e região. No seu instagram
@eupaulachacra
, ela dá um show de empoderamento feminino, com dicas valiosas e troca de experiências sobre acessibilidade.
“Eu procurava por hobbies e minha mãe chegou a me colocar para fazer aulas de crochê, mas vi que aquilo não era pra mim. Inspirada na jornalista Cilleid Heredia comecei a me comunicar com o público nas minhas redes sociais e entrei neste universo”.
Paula está há três anos no ramo e conta que iniciou a sua trajetória digital no Youtube, e para divulgar os seus vídeos na plataforma, criou um perfil no instagram, onde passou a registrar o seu dia-a-dia.
“Pelo canal eu contei minha história de vida, da minha paralisia cerebral. Mas sempre do meu jeito, alegre, positiva. Eu sou esse tipo de pessoa gente! Não consigo mudar a minha personalidade. Se você acessar minhas redes sociais vai me ver sempre assim, feliz da vida”.
A influencer destaca que seu trabalho nas redes sociais é como qualquer outro, ele requer estudo, pesquisa e muita dedicação.
“Nós, influenciadoras, temos uma coordenação, trabalhamos com grupos de engajamento com horários a cumprir. Somos como uma vitrine. Trabalhamos para outras pessoas chamando atenção para as marcas.”
“O mais importante nesta área é a dedicação. A verdadeira digital influencer trabalha com amor, acorda cedo e trabalha o dia todo”, completa.
Criando makes impecáveis, montando looks estilosos que ao mesmo tempo transmitam sua personalidade, ela inspira e empodera outras mulheres com as mesmas necessidades que as suas.
“As pessoas me procuram muito nas redes. Elas contam comigo. Pedem dicas, perguntam sobre tudo, inclusive sobre como eu mantenho o sorriso sempre largo. No meu Instagram também falo sobre empoderamento feminino da mulher cadeirante, lá tenho fotos sensuais, mas não para me exibir. Mas para falar que no meu corpo não falta nada - no sentido de dizer para as pessoas que acham que somos menos por isso. Eu me acho linda! O importante é nos olharmos no espelho e falar 'nossa que mulherão!”.
Para ser tão alto astral e contagiante Paula também passou por dias difíceis, emocionada ela conta sobre a sua história antes de perceber a pessoa maravilhosa que é.
“Fui criada por três mulheres, não tive pai na adolescência - que é a pior fase, de muito preconceito. Nessa fase eu já me achei menos, já me fizeram chorar noites inteiras. Mas o que vale é a mulher que sou hoje. A pessoa que eu mais amo na vida sou eu”.
"Já me fizeram chorar noites inteiras. Mas o que vale é a mulher que sou hoje".
A influenciadora pontua que PcDs não são especiais, incapazes ou heróis: são pessoas com algum tipo de deficiência que querem levar uma vida autônoma e livre. Pedir respeito, acessibilidade e inclusão são direitos.
“Agora estou realizando o sonho de ter meu cantinho e as pessoas perguntam ‘Como você vai limpar sua casa? Fazer sua comida? ’ Quando nasci o médico me deu uma semana de vida - até me emociono em contar. Mas estou aqui, não é? Vivi vinte sete anos e não é agora que não darei conta de tocar a minha vida”.
“Eu cresci ouvindo 'A Paula não pode isso, a Paula não pode aquilo’... Isso me irrita muito. Porque eu não posso? Nós podemos sim! É difícil? Muito! Mas todo dia é uma luta e é assim que finalmente chegamos até nossas conquistas”.