Moda

Moda e bioeconomia iluminam caminhos sustentáveis

O evento "Vestir Amazônia, reflorestar o clima", organizado pela Associação de Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio) com apoio da Riachuelo, ocorreu em uma casa de palafitas e juntou 25 looks de 15 marcas regionais.

Da Redação - Rara Gente
24/11/25 às 13h37

Enquanto as negociações oficiais da COP30 dominaram a Zona Azul do Parque da Cidade, um movimento paralelo e igualmente transformador aconteceu a 15 minutos de barco da capital paraense. A Ilha de Combu se tornou palco de um desfile-manifesto que une moda, ancestralidade e inovação em plena floresta amazônica.

O evento "Vestir Amazônia, reflorestar o clima", organizado pela Associação de Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio) com apoio da Riachuelo, ocorreu em uma casa de palafitas e juntou 25 looks de 15 marcas regionais. A iniciativa surge em um momento crucial: a moda é o segundo setor mais poluente do mundo, atrás apenas do petróleo, com 80% das peças consumidas virando lixo - um total de 92 milhões de toneladas de roupas descartadas anualmente.

Foto: Divulgação

O evento reforça o potencial da bioeconomia, o setor que pode representar um terço da economia global até 2050, segundo projeções internacionais.

Iniciativas como a plataforma Tucum Brasil surgem para conectar esse conhecimento ancestral ao mercado contemporâneo. Durante a COP30, a Tucum realizou uma oficina com mulheres Kayapó para desenvolver uma coleção de tiragem limitada. O processo, que exigiu tradução, resultou em três designs escolhidos coletivamente, respeitando a autonomia criativa das artesãs.

 (Foto: Mariana Cobra/Divulgação)

O desfile na Ilha de Combu, com trilha sonora da cantora Djuena Tikuna e um ritual dabucuri coletivo, simboliza essa nova economia que emerge das florestas. Enquanto líderes mundiais discutem metas e acordos, comunidades tradicionais já praticam há séculos o desenvolvimento sustentável.

O Fórum Mundial de Bioeconomia estima que o setor movimente atualmente 4 trilhões de dólares globally, com projeção de alcançar 30 trilhões até 2050. São números que transformam a narrativa: de sementes no chão da floresta a produtos de valor agregado, a bioeconomia mostra que é possível gerar riqueza mantendo a floresta em pé.

Com informações de Veja e Elle Brasil

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