Enquanto as negociações oficiais da COP30 dominaram a Zona Azul do Parque da Cidade, um movimento paralelo e igualmente transformador aconteceu a 15 minutos de barco da capital paraense. A Ilha de Combu se tornou palco de um desfile-manifesto que une moda, ancestralidade e inovação em plena floresta amazônica.
O evento
"Vestir Amazônia, reflorestar o clima",
organizado pela Associação de Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio) com apoio da Riachuelo, ocorreu em uma casa de palafitas e juntou 25 looks de 15 marcas regionais. A iniciativa surge em um momento crucial:
a moda é o segundo setor mais poluente do mundo,
atrás apenas do petróleo, com 80% das peças consumidas virando lixo - um total de 92 milhões de toneladas de roupas descartadas anualmente.
O evento reforça o potencial da bioeconomia, o setor que pode representar um terço da economia global até 2050, segundo projeções internacionais.
Iniciativas como a plataforma Tucum Brasil surgem para conectar esse conhecimento ancestral ao mercado contemporâneo. Durante a COP30, a Tucum realizou uma oficina com mulheres Kayapó para desenvolver uma coleção de tiragem limitada. O processo, que exigiu tradução, resultou em três designs escolhidos coletivamente, respeitando a autonomia criativa das artesãs.
O desfile na Ilha de Combu, com trilha sonora da cantora Djuena Tikuna e um ritual dabucuri coletivo, simboliza essa nova economia que emerge das florestas. Enquanto líderes mundiais discutem metas e acordos, comunidades tradicionais já praticam há séculos o desenvolvimento sustentável.
O Fórum Mundial de Bioeconomia estima que o setor movimente atualmente 4 trilhões de dólares globally, com projeção de alcançar 30 trilhões até 2050. São números que transformam a narrativa: de sementes no chão da floresta a produtos de valor agregado, a bioeconomia mostra que é possível gerar riqueza mantendo a floresta em pé.
Com informações de Veja e Elle Brasil