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Um psicopata entre nós

Eles podem, sim, estar nas nossas casas ou locais de trabalho, não chegarão ao extremo de matar ou torturar, mas podem causar muitos incômodos sociais com comportamentos antiéticos e sem empatia.

Joana Raspini - Rara Gente
29/04/24 às 16h45

O cinema imortalizou personagens cruéis, violentos e sem qualquer traço de empatia com os outros. Eles apresentam o extremo da maldade humana, são narcisistas, manipuladores, sádicos e não mostram preocupação com a dor e o medo de suas vítimas. Essas pessoas, como Hannibal Leter, que chega ao extremo do canibalismo, são portadoras de um transtorno psiquiátrico chamado de Transtorno de Personalidade Antissocial, popularmente conhecido como psicopatia.

Fora da ficção, felizmente, esta pessoa cruel e assassina não é a regra, porém, isso não nos livra de viver com pessoas de carne e osso que apresentam o transtorno, uma vez que os especialistas avaliam de uma em cada 30 pessoas podem ser diagnosticadas como psicopatas. No Brasil, seriam pelo menos seis milhões de pessoas nesta condição. Assim, não é impossível viver sob o mesmo teto que um e nem de todo errado quando alguém diz que fulano é um psicopata, por apresentar um conjunto de características antiéticas e pouco empáticas.

Segundo a psicóloga Janaína Catolino, esta é uma condição que não tem cura. “É um transtorno com o qual a pessoa nasce e morre, porém, o tipo de ambiente que essa criança está inserida influencia diretamente em como esses sintomas e comportamentos serão na vida adulta. Infelizmente é uma condição que não tem cura”, afirma.

SEM MEDO, NEM DÓ, NEM DRAMA

Ela explica que o psicopata é um indivíduo clinicamente perverso, caracterizado por desvios de caráter, insensibilidade, orgulho exarcebado, falta de empatia, desprezo pelas regras e obrigações sociais, mentira compulsiva, ausência de emoções, falta de remorso, incapacidade de criar vínculos afetivos e que não assumem seus atos.

Além disso, o comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições, e suas justificativas são requintadas e convincentes.

Janaína afirma que é um dos transtornos mais difíceis de diagnosticar, pois uma das principais características também é a manipulação para obter benefícios próprios, sem se preocupar com o outro ou as consequências. “São pessoas que possuem uma vida aparentemente comum, pois são verdadeiros camaleões e sedutores, no sentido de conseguir convencer as pessoas a fazerem o que querem. Normalmente, são sujeitos encantadores e com grande habilidade de convencimento”, conta.

A psicóloga ainda informa que os psicopatas são indivíduos que conseguem ler o ambiente ou as pessoas, rapidamente, identificando suas fraquezas e vulnerabilidades, sempre usando essas questões a seu favor. Apesar de não conseguirem criar laços e sentir emoções, conseguem disfarçar e “demonstrar” que as sente, muito bem.

“Apesar de difícil, é possível perceber alguns comportamentos e atitudes que podem indicar quem a pessoa realmente é e suas intenções, porém, apenas uma avaliação minuciosa com profissionais qualificados, como psiquiatra e psicólogo, é capaz de fornecer o diagnóstico correto”, afirma.

"A PSICOPATIA, É UM DOS TRANSTORNOS MAIS DIFÍCEIS DE DIAGNOSTICAR, POIS UMA DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS TAMBÉM É A MANIPULAÇÃO PARA OBTER BENEFÍCIOS PRÓPRIOS, SEM SE PREOCUPAR COM O OUTRO OU AS CONSEQUÊNCIAS".

"É UM TRANSTORNO COM O QUAL A PESSOA NASCE E MORRE, PORÉM, O TIPO DE AMBIENTE EM QUE ESSA CRIANÇA ESTÁ INSERIDA INFLUENCIA DIRETAMENTE EM COMO ESSES SINTOMAS E COMPORTAMENTOS SERÃO NA VIDA ADULTA”.

SINAIS DE ALERTA

Ligue o sinal de alerta quando perceber que a pessoa fala apenas dela, que não tem interesse em ouvir o que o outro tem a dizer.

“Desconfie muito de pessoas que apresentam uma lábia extraordinária, pessoas que não assumem seus erros, que mentem frequentemente, que apresentam episódios de raiva, agressividade e impulsividade, pessoas que têm um longo histórico de relacionamentos curtos, dificuldade em seguir regras e até mesmo a lei e, se possível, procure saber como é o histórico de vida desse indivíduo, pois, geralmente, na infância e adolescência apresentaram sérios problemas comportamentais e de conduta”, ensina Janaína.

Felizmente, ao contrário do que é demonstrado na ficção, poucos psicopatas se tornam assassinos. A maioria se encontra em posições de poder, como políticos, médicos, advogados e, apesar de muito complexo, grande parte das pessoas que possuem o transtorno conseguem viver a vida normalmente, dentro de suas limitações sociais.

Na maioria das vezes, apesar de provocar incômodos, a pessoa consegue ter uma convivência aceitável. No entanto, se o relacionamento se torna abusivo e causador de dor emocional, se o indivíduo já apresentou agressividade, expôs a família a situações de prejuízos financeiros, emocionais e sociais, Janaína avalia que o ideal é o afastamento. “Nesses casos, deve-se priorizar a própria vida e a vida dos dependentes”, diz.

"FELIZMENTE, AO CONTRÁRIO DO QUE É DEMONSTRADO NA FICÇÃO, POUCOS PSICOPATAS SE TORNAM ASSASSINOS. A MAIORIA SE ENCONTRA EM POSIÇÕES DE PODER, COMO POLÍTICOS, MÉDICOS, ADVOGADOS."

ATENÇÃO NA INFÂNCIA

Como Janaína Catolino explicou, a psicopatia é inata, ou seja, existe desde o nascimento. Porém, até os 18 anos, é classificada como transtorno de conduta. Desta forma, os pais atentos conseguem identificas sinais que mesmo os filhos pequenos dão, como recorrentes atitudes de desobediência e desrespeito, maldade com outras crianças e animais, mentiras constantes e falta de remorso ou culpa diante dos erros, violação das regras, sexualidade precoce acentuada e até mesmo tendência a consumo precoce de álcool e drogas.

Cabe aos pais a sensibilidade de compreender que os atos dos filhos não estão dentro do socialmente esperado e ainda de ouvir outras pessoas, como a comunidade escolar, sem julgar ou punir, mas buscando compreender e apoiar. Como é um transtorno mental grave, quanto mais cedo os pais derem atenção aos sinais de psicopatia e buscar apoio de profissionais, com o objetivo de ajudar a pessoa a controlar seus impulsos e comportamentos antiéticos, é possível ajudá-la a ter relacionamentos e vida mais saudáveis.

 "A PSICOPATIA É UM TRANSTORNO COM O QUAL A PESSOA NASCE E MORRE, PORÉM, O TIPO DE AMBIENTE QUE ESSA CRIANÇA ESTÁ INSERIDA INFLUENCIA DIRETAMENTE EM COMO ESSES SINTOMAS E COMPORTAMENTOS SERÃO NA VIDA ADULTA”.

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