Lifestyle

Quatro livros curtos para (re)descobrir o prazer da leitura

De clássicos da literatura brasileira a reflexões sobre poder e solidão, seleção prova que dá para ler com qualidade mesmo com pouco tempo

Da Redação - Rara Gente
13/03/26 às 14h41

Entre um compromisso e outro, a rotina de trabalho e as tarefas domésticas, muita gente deixou a leitura de lado. Mas o final de semana pode ser a oportunidade perfeita para resgatar esse hábito, e não é preciso encarar calhamaços de mil páginas. Livros curtos, com menos de 150 páginas, podem ser tão ou mais impactantes que grandes obras.

Pensando nisso, a Rara Gente separou quatro indicações que cabem num final de semana e prometem mexer com a cabeça do leitor.

(Foto: Reprodução/Pinterest)

A hora da estrela (88 páginas) — Clarice Lispector

Clássico incontornável da literatura brasileira, "A hora da estrela" é daquelas obras que deveriam ser lidas por todo mundo, e relidas de tempos em tempos. Publicado em 1977, foi o último romance de Clarice Lispector e talvez o mais acessível para quem tem receio de mergulhar na complexidade da autora.

A trama acompanha Macabéa, uma jovem nordestina invisibilizada pela sociedade, tão ingênua quanto esquecida. Mais do que uma história, o livro é uma reflexão sobre o próprio ato de narrar e sobre quem tem direito a contar histórias. A edição da Rocco, com posfácio de Hélène Cixous, é um convite para entrar de vez no universo clariceano.

Para quem gosta de: literatura brasileira, reflexões existenciais, personagens inesquecíveis.

Nihonjin (144 páginas) — Oscar Nakasato

Vencedor do Prêmio Jabuti de 2012 na categoria romance, "Nihonjin" acompanha a trajetória de uma família de imigrantes japoneses no Brasil. O título já diz tudo: é a palavra "japonês" em japonês, e a obra explora justamente o que significa ser japonês estando tão longe do Japão.

Com escrita delicada e direta, Oscar Nakasato aborda conflitos de identidade, pertencimento e memória, sem recorrer a excessos ou sentimentalismos. O choque entre gerações, os avós que mantêm as tradições, os netos que já são brasileiros, são retratados com sensibilidade e precisão.

Para quem gosta de: histórias de imigração, relações familiares, cultura japonesa.

(Foto: Reprodução/Pinterest)

As 48 Leis do Poder — Robert Greene

Aqui o número de páginas pode assustar, já que algumas edições passam de 400, mas a leitura é fragmentada em 48 capítulos independentes, cada um dedicado a uma "lei", o que permite ler aos poucos, sem pressa. O livro se tornou cult entre empreendedores, artistas e estrategistas.

Diferente da maioria dos livros de autoajuda e negócios, Greene não tenta maquiar a realidade. Ele parte do princípio de que a busca por poder move todas as ações humanas e que conceitos como honestidade e igualdade são, no fundo, máscaras para esconder essa verdade. Incômodo? Sim. Honesto? Também.

Para quem gosta de: estratégia, filosofia política, leituras provocativas.

Entrevista com a Solidão — Marcos Lacerda

Num mundo hiperconectado, a solidão virou tabu. Neste livro, o psicanalista Marcos Lacerda propõe justamente o oposto: um encontro deliberado com ela. A obra ajuda o leitor a distinguir a solidão que cura da solidão que adoece, e a entender como os momentos a sós podem ser fonte de criatividade, autoconhecimento e descanso.

A pergunta central é simples e devastadora: como você administra os momentos em que está sozinho? As respostas, ao longo das páginas, mostram que não vivenciar esses espaços de quietude pode levar à irritação constante, à intolerância e ao distanciamento do que existe de melhor em nós mesmos.

Para quem gosta de: psicologia, desenvolvimento pessoal, reflexões sobre o cotidiano.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM LIFESTYLE
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.