Como
o Talebã ganhou tanta influência?
O grupo avançou inicialmente na região de fronteira entre o sudoeste do Afeganistão e o norte do Paquistão no início da década de 1990 com a promessa de combater a corrupção e melhorar a segurança da população, que vivia no dia a dia os efeitos de uma guerra civil destrutiva.
Com o crescimento, o grupo passou a introduzir ou apoiar punições a contravenções baseadas na lei islâmica, como execuções públicas de assassinos e de adúlteros condenados e amputações para os considerados culpados do crime de roubo.
Os homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres, a usar a burca, um véu que cobre o rosto e o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos e meninas com mais de 10 anos passaram a enfrentar cada vez mais dificuldades para que pudessem ir à escola.
O Talebã nunca realmente deixou de existir?
No decorrer das últimas décadas, o grupo chegou a passar por momentos de dificuldade que, entretanto, nunca foram duradouros.
Em 2014, no fim do que se desenhava como o ano mais sangrento no Afeganistão desde 2001, as forças internacionais, temendo permanecer no país indefinidamente, encerraram suas missões de combate, deixando para o Exército afegão a missão de lutar contra o Talebã.
Quais os custos do conflito?
Mais de 2,3 mil militares americanos foram mortos e mais de 20 mil, feridos. Em termos econômicos, a fatura para o contribuinte nos Estados Unidos chega perto de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões), apontam estimativas.
O maior impacto, contudo, deu-se sobre a população afegã: alguns levantamentos apontam que cerca de 60 mil membros das forças de segurança perderam a vida. Quase 111 mil civis foram mortos ou feridos desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a registrar sistematicamente os números de vítimas civis em 2009.
Um acordo com o Talebã
Em fevereiro de 2020, os Estados Unidos e o Talebã assinaram um "acordo para trazer a paz" ao Afeganistão que há anos vinha sendo discutido.
Segundo seus termos, os Estados Unidos e seus aliados militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordavam em retirar todas as tropas do território em troca do compromisso do grupo de não permitir que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista operasse nas áreas que controla.
Como parte das negociações em 2020, o Talebã e o governo afegão concordaram em libertar parte de seus prisioneiros. Quase 5 mil militantes talebãs foram liberados ??nos meses seguintes ao acordo.
Os Estados Unidos também prometeram suspender as sanções contra o grupo. O país negociou diretamente com o Talebã, sem o intermédio do governo afegão.
"Depois de todos esses anos, chegou a hora de trazer os nossos de volta para casa", disse o então presidente Donald Trump.
Todas as forças americanas estão se retirando?
No início de julho, todos os soldados americanos e de aliados internacionais membros da Otan deixaram a base aérea de Bagram, a principal base militar americana no Afeganistão.
De acordo com a agência Associated Press, contudo, cerca de 650 soldados americanos devem permanecer no país para fornecer proteção a diplomatas e ajudar a proteger o aeroporto internacional de Cabul, um hub de transporte vital para o país.
Qual a situação agora?
Desde que o acordo foi assinado, o Talebã tem dado sinais de que vem apostando em uma estratégia diferente. Os ataques complexos em centros urbanos e postos militares têm dado lugar a uma onda de assassinatos seletivos que tem aterrorizado os civis.
Os militantes têm avançado por vastas áreas do território, ameaçando derrubar mais uma vez o governo em Cabul após a retirada das tropas estrangeiras.
A preocupação com o futuro da capital tem crescido, mas o presidente do país, Ashraf Ghani, tem repetido que as forças de segurança do país são totalmente capazes de manter os insurgentes longe do poder.
A Al-Qaeda segue operando no Afeganistão, enquanto militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico também realizaram ataques no país.
(*) com informações de BBC NEWS.