O mercado de trabalho brasileiro está redesenhando suas prioridades. Profissionais com 60 anos ou mais, integrantes da chamada
Geração Prateada,
alcançaram um marco histórico em 2024: 8,3 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente já registrado.
O número representa 24% da população idosa do país e é impulsionado por programas de diversidade etária, aumento da longevidade e busca por habilidades como inteligência emocional, resiliência e capacidade de mentoria.
Setores como varejo, saúde, serviços financeiros e consultoria lideram a demanda. Os cargos mais comuns incluem auxiliar de atendimento, operador de caixa, consultor, mentor e funções administrativas. Para atrair esses profissionais, empresas têm oferecido modelos flexíveis, meio período, home office e contratos por projeto.
Grandes corporações já institucionalizaram programas exclusivos. Itaú e Natura são referências, com processos seletivos adaptados para valorizar a trajetória. Plataformas especializadas, como a Maturi, conectam talentos sêniores a vagas em companhias como L’Oréal, Magalu e Santander.
Apesar do avanço, o etarismo ainda é um desafio: 41% dos trabalhadores brasileiros já sofreram discriminação por idade, segundo pesquisa da Michael Page. Para superar barreiras, especialistas recomendam atualização digital, networking e requalificação em áreas de alta demanda, como marketing e tecnologia.
Outro caminho forte é o empreendedorismo. Dados do Sebrae mostram que 4,3 milhões de pessoas acima dos 60 anos já têm negócio próprio, um crescimento de 53% em relação a 2012.
A imagem da aposentadoria como ponto final está sendo substituída por um cenário de novas oportunidades. Com a população envelhecendo e vivendo mais tempo com saúde, a experiência acumulada em décadas de trabalho se transforma em diferencial competitivo, e as empresas que ignoram esse potencial correm o risco de ficar para trás.