Em um país onde quase metade dos adultos é sedentária, entender o movimento como necessidade biológica, e não apenas como meta de verão, pode ser a chave para envelhecer com saúde e autonomia
É bem provável que você tenha listado a atividade física entre as metas para esse 2026. Voltar à academia, começar a correr, experimentar uma aula de dança. Muito se fala sobre conquistas profissionais, novos cargos, prêmios e workshops, como se fôssemos máquinas de produção. Pouco se fala sobre o que sustenta tudo isso: o corpo e a mente que tornam qualquer conquista possível.
A verdade é que a performance no trabalho, na família e na vida depende diretamente de como está a a própria saúde. E movimentar o corpo é, antes de qualquer coisa, uma estratégia de cuidado que precisa ser priorizada.
Ainda vivemos sob a lógica de colocar o trabalho no centro da vida. O problema é que, sem saúde, não há condições de fazer bom trabalho, nem de aproveitar suas conquistas.
O retrato do sedentarismo no Brasil
Apesar dos avanços, o cenário geral ainda preocupa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 47% dos adultos brasileiros são sedentários, ou seja, não alcançam os 150 minutos semanais de atividade física moderada recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os jovens, a situação é ainda mais grave: até 84% estão inativos.
Esses números colocam o Brasil como o país mais sedentário da América Latina e o quinto no ranking mundial. Em termos globais, a OMS estima que 1,8 bilhão de adultos não atingem os níveis mínimos de atividade física, o que representa cerca de 31% da população adulta do planeta.
O sedentarismo é considerado um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, desequilíbrios hormonais e processos inflamatórios no organismo. Está associado ao aumento do risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como o de mama e o de cólon. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas morram por ano no Brasil devido a doenças associadas à inatividade física.
O corpo humano nasceu para o movimento. Quando o movimento deixa de fazer parte da rotina, há repercussões negativas no metabolismo, na regulação hormonal, na capacidade cognitiva e no controle de doenças crônicas.
Do ponto de vista cardiovascular, a falta de atividade física tem consequências bem estabelecidas, além de que, sem movimento regular, há perda de força muscular, redução da flexibilidade e maior propensão a dores crônicas, especialmente na coluna, quadris e joelhos.
A longo prazo, a inatividade acelera um processo chamado sarcopenia, a perda progressiva de massa muscular, reconhecida pela OMS como uma das maiores preocupações de saúde devido ao envelhecimento da população e ao estilo de vida sedentário.
Em muitos casos, o exercício físico apresenta impacto comparável ao da psicoterapia na redução de sintomas ansiosos e depressivos leves a moderados.
A qualidade do sono, a disposição para o dia a dia e a clareza mental também são beneficiadas. Não à toa, a corrida, por exemplo, tem sido apontada como uma prática que desenvolve habilidades como disciplina, resiliência e foco, atributos que se traduzem diretamente na vida profissional e pessoal.