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Zequinha Barbosa: Vida e história de um campeão

A matéria de capa da coluna social do Edgard Júnior desta semana contou sobre a história, a trajetória, as vitórias e os desafios do atleta olímpico três-lagoense.

Da redação - Agitta Social
07/04/25 às 07h50

Apresentação

“Meu nome é José Luiz Barbosa, nasci no dia 27 de maio de 1961, aqui na cidade de Três Lagoas. Sou o quinto filho da família de 7 irmãos. O nome do meu pai é Ezequiel Clementino Barbosa e o nome da minha mãe, dona Livaneta de Araújo Barbosa.”

Foto: Divulgação

Em quem se inspirou para ser atleta profissional? Conta tudo do início?

“Na realidade eu não esperava me tornar um atleta profissional, eu simplesmente fiz do atletismo um instrumento para vencer na vida, eu fiz da pobreza também um instrumento pra vencer na vida e acho que essa combinação da minha vontade de querer mudar minha vida, fez com que me abrisse o horizonte, e aí as coisas foram acontecendo numa sequência lógica, conforme ia melhorando os resultados, mais próximo eu ia chegando e mais eu acreditava que eu poderia chegar a um objetivo que era ir pra Olimpíada porque a gente tem que ter objetivo, metas, então a coisa foi um processo natural, então eu tenho que explanar um pouquinho a minha história, eu acho que isso que me ajudou a chegar lá, acho que teve alguns fatores, por exemplo, eu dou um grande exemplo pra mim que eu sempre falo pra todo mundo, a primeira pessoa de sucesso que eu vi na minha vida foi minha mãe. Meu pai separou de casa, eu tinha 8 anos de idade, minha irmã 6 e minha mãe criou os filhos dela sozinha e com muita dificuldade, passou fome, passou dificuldade e passou uma série de coisas, então minha mãe sempre foi a maior inspiração, o maior motivo também de eu poder seguir pra frente, então agora foi o primeiro grande exemplo, dando sequência nesse sentido, então eu acho que a minha mãe é o que me inspirou de chegar lá.”


Quais os pontos positivos e negativos de ser um atleta?

“Eu acho que ser um atleta eu só vejo positividade. Eu acho que tudo na vida você tem uma escolha você vai ter que abdicar de algo, então não vejo algo de abdicar como algo negativo, é uma necessidade que se faz, mas o esporte só tem coisa positiva, foi através do esporte que hoje eu estou falando com você, foi através do esporte que eu falo uma língua, foi através do que a inglesa falou outras línguas, foi através do esporte que eu me formei fora, foi através do esporte que eu vi o mundo inteiro, foi através do esporte que eu consegui mudar, dar uma guinada de 180 grau na minha vida, então eu acho que ser um atleta ele só tem coisa positiva, Agora o negativo, ele corre risco, o principal dele é lesão, porque se o atleta é lesionado, ele não consegue performar, não consegue treinar, não vai ter resultado.

Mas o esporte é só positividade, graças a Deus, eu nunca me envolvi com drogas, nunca bebi, nunca fumei, o esporte ainda reforçou isso ainda mais, fiz grandes amigos, então o esporte já tem algo positivo pra mim, eu não vejo nada como o esporte ser algo negativo.”


Quais os maiores desafios que você enfrentou e enfrenta?

“Para todo mundo, a vida tem um maior desafio, eu acho que o maior desafio pra mim foi sair de Três Lagoas. Se eu não tivesse saído daqui, talvez ninguém me conheceria. Mas ao mesmo tempo, que foi um grande desafio, eu tive grandes exemplos. Eu vou dar um exemplo aqui do grande professor Tó (Prof. Milton José da Silva). O professor Tó, foi uma pessoa que foi a filosofia do exemplo pra mim, porque ele, na sua humildade, simplicidade, ele pedia pra gente ir até o estádio da ADEN pra treinar às 5h da manhã e quando a gente chegava lá ele já estava suado, pingando de suor. Foi através dele - se ele não facilitasse e criasse a competição que ele criou pra que eu pudesse ser visto, e posteriormente, ter conseguido ir embora, o prof. Tó até ajudou a facilitar uma fase difícil da minha vida, passar por alguns obstáculos que, às vezes, a gente como jovem não consegue viver, e ele viu. Um grande exemplo de professor de educação física que ele foi, assim como outras pessoas na cidade que também me ajudaram.”

Eu enfrentei várias coisas, pois na época, o atletismo brasileiro não possuía infraestrutura, não tinha sapatilha boa, as dificuldades eram muitas, mas eu só tinha uma coisa, vencer, porque eu queria mudar a situação da minha vida, então eu tive que enfrentar tudo, pessoas que falaram pra mim que eu não ia conseguir, mandaram embora de equipe, fizeram uma série de coisas, e eu continuava focado. Aqui no Brasil sempre foi muito difícil, porque aqui parece que tem muito mais gente puxando seu tapete, dificultando pra você chegar, do que facilitando pra você chegar e é diferente em um país como eu moro hoje, que é o Estados Unidos - lá você tem toda a infraestrutura pra fazer você chegar. Hoje eu sou técnico de atletismo e aqui no Brasil eu estou com alguns atletas que enfrentam uma dificuldade principalmente no início da vida deles (base) - eles estão agora na base que não tem nada, porque no Brasil, o pessoal só espera você fazer, a hora que você faz, e está feito e vem milhares de coisas pra você, mas o mais importante era aquele momento crucial que o garoto para por falta de apoio, pois ninguém aparece pra dar o apoio naquele momento, quando ele tá mais vulnerável, com a tendência de, de repente até ir para as drogas mesmo, fazer qualquer coisa errada e você está tentando tirar. Porém você não tem essa infraestrutura, então eu acho que isso é uma coisa muito ruim pra nós aqui no nosso país.”


Se você não fosse o que é hoje, o que gostaria de ser?

“Olha, se eu não fosse um atleta, eu amo saxofone, eu queria ser um saxofonista, adoro saxofone, adoro jazz, porém, não nasci com o dom, com a vocação da música, até porque na minha família todo mundo é da música, então eu não fui, mas estou feliz com que eu sou hoje que é ser um professor de educação física, formado, técnico de atletismo e procuro fazer a diferença na vida das pessoas, estou tentando fazer o que fizeram comigo em prol da minha carreira. Atualmente estou com a missão de fazer a diferença na vida de cinco atletas, como qualquer cidadão comum é, no mínimo, se ele ganhar medalha, beleza, mas se ele já tiver uma formação acadêmica, seja qual for, eu já fico feliz porque eu salvei cinco.”


Hoje, após anos de títulos, campeonatos, você faz sempre essa ponte - Brasil/EUA. Onde vc se sente em casa?

“Após ter participado de quatro olimpíadas, nove campeonatos mundiais, ser ranqueado número um no mundo, ser campeão do mundo, enfim, ser campeão do circuito mundial de Grand Prix, ser campeão panamericano, e por aí vai, essa ponte se faz porque, primeiro que eu tenho alguns atletas que eu estou preparando e quero que eles vão para os Estados Unidos, e depois eu faço parte de um programa hídrico de atletismo no qual esse programa tem como objetivo fomentar, usar do brilho da nossa medalha, do brilho da nossa carreira a inspirar a outros atletas que possam chegar a um Pódio Olímpico. Então, essa é essa ponte que eu estou sempre aqui. E o programa que tem o Right to Play, que é um programa criado pelo Comitê Olímpico, que dá para crianças refugiadas de guerra, crianças em risco, a gente faz programa, participa, ajuda para que possa dar eles a esperança de que um esporte ainda possa dar eles um caminho em vários países. Mas é só o trabalho que eu estou fazendo aqui sempre. E ajudo, porta para as pessoas que precisam de mim com o meu nome para alguma coisa positiva, vem pais, amigos, você não consegue isso, tá? Eu tento procurar ajudar todo mundo. É o meu objetivo fazer o bem e ajudar quem está com vontade de chegar lá. E aonde você se sente bem, no Brasil ou Estados Unidos? Na realidade, cara, eu sou brasileiro, eu amo ser brasileiro, gosto do meu povo, é aqui que está a minha raiz, eu nunca escondi isso, me sinto bem aqui, mas acontece o seguinte, eu morei no Estados Unidos, eu tenho mais tempo no Estados Unidos do que aqui, eu tenho construído uma vida nos Estados Unidos, eu tenho uma construção de uma vez no Estados Unidos, eu sou avô, tenho família, tenho filhos lá, enfim, então eu fico à vontade do Estados Unidos porque eu construí uma vida lá, mas eu amo ser brasileiro, eu venho pra cá e quando eu venho com o Brasil eu deixo a realidade do Estados Unidos lá e sou brasileiro, procuro viver e sinto à vontade também no país, então eu sinto vontade em dois lugares, mas eu tenho uma vida construída nos Estados Unidos.”


Deixa uma mensagem (motivação) para os novos atletas, que querem seguir carreira.

“Eu sempre digo que a mais bela coragem é a confiança que devemos ter na capacidade de nosso esforço. E eu acho que para você chegar à porta de sucesso, você precisa ter quatro características fundamentais, que é o que eu falo para os atletas de hoje que querem seguir na carreira.

Primeiro, você tem que ter disciplina, segundo a determinação - o que é determinação? querer muito, em terceiro, a perseverança, e o que é perseverança? querer sempre, e quarta característica é a coragem, ou seja, acreditar naquilo que todos acham ser impossível.

Esses são os ingredientes básicos, disciplina, determinação, perseverança, e a coragem, ou seja, acreditar naquilo que todos pensam ser impossível. E se você quer seguir a sua carreira profissional, ou quer ser um atleta, ou o que você for fazer na sua vida, você precisa ter pelo menos isso aí, porque caso contrário fica bastante difícil.

E aí tem outras várias coisas que aí vem com a experiência de vida: se precisa ter a sabedoria, a inteligência para poder seguir na carreira e lógico, ter o mental forte, porque vai ter muita gente torcendo contra, ou querendo que você saia. Então, você tem que acreditar em você, no seu ideal, em Deus, no seu talento, no trabalho que está feito junto com o treinador e suportar dores, dificuldades, adversidades, e entender que você é responsável pela mudança da tua vida. E aí você, com certeza, vai chegar onde você quer.”

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