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Sob as lentes: Paula Ribeiro

Os primeiros sintomas do transtorno do espectro autista frequentemente envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem, em geral acompanhado por ausência de interesse social ou interações sociais incomuns de comunicação.

Edgard Júnior - Agitta Social
09/12/22 às 17h17

No Sob as lentes desta semana, eu bati um super papo com a querida e renomada psicóloga clínica Paula Ribeiro, do INSTITUTO COMPORTAMENTALE, que contou um pouco do seu trabalho pra gente.


Fala um pouco de você?

Sou Paula Lidiane Ribeiro, Psicóloga clínica – Atendimento Infantil e Adultos. Com 4 anos de formação.

Quais os pontos positivos e negativos da sua profissão?

Pontos Positivos: contribuir com a evolução no processo do paciente e o mesmo elaborar e ressignificar sua demanda, e assim, promover uma melhor qualidade de vida. Ponto negativo: é o desconhecimento por parte dos indivíduos em geral, dificultando a desconstrução de mitos, fábulas e ilusões das pessoas.

Foto: Edgard Júnior

Em quem se inspirou para escolher essa profissão?

Na verdade, em ninguém. Sempre tive esse desejo pela profissão desde criança. E hoje me sinto realizada pela escolha profissional.

Vamos falar de autismo? Explica um pouco pra gente.

Vamos. Atualmente há uma variedade de conceitos sobre o Transtorno do Espectro Autista, mas vamos mencionar a definição de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-V), as características essenciais são os prejuízos persistentes na comunicação social recíproca e na interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam ou prejudicam o funcionamento diário.

Os primeiros sintomas do transtorno do espectro autista frequentemente envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem, em geral acompanhado por ausência de interesse social ou interações sociais incomuns de comunicação.

Os pais das crianças com TEA são, normalmente, os primeiros a verificar alguns sinais no seu filho, devido às características que podem aparecer nos primeiros anos de vida.

O acometimento do autismo em crianças é de quatro a cinco vezes mais comum no sexo masculino, ou seja, de acordo com os estudos, prevalência é mais comum no sexo masculino do que o feminino.

A descoberta do transtorno do autismo na criança e o consequente impacto do diagnóstico geram sofrimento nos pais.  Além de ser algo inesperado e indesejado, ao longo do tempo causa desconforto, desperta dúvidas, inseguranças e muitos custos com tratamentos.

O transtorno acaba provocando uma exaustão familiar. Isso ocorre pelo esforço da família de se mobilizar ininterruptamente frente ao transtorno em um ciclo cada vez mais interdependente, com impactos individuais e coletivos.

O transtorno acaba provocando uma exaustão familiar. Isso ocorre pelo esforço da família de se mobilizar ininterruptamente frente ao transtorno em um ciclo cada vez mais interdependente, com impactos individuais e coletivos.

Apesar dos avanços genéticos e terapêuticos que a nossa sociedade alcançou, o autismo ainda é um transtorno cercado de incógnitas quanto a sua causa.

Diante do exposto, os pais de crianças com autismo precisarão de um esforço ainda maior para que o desenvolvimento de seus filhos ocorra. No geral, a criança com autismo precisará de um longo acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Equipe essa formada por pediatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psiquiatra, dentre outros.

Vale ressaltar que o transtorno do espectro autista (TEA), o mais abrangente, se refere a um transtorno do neurodesenvolvimento que envolve o desenvolvimento de várias funções do nosso cérebro. Não tem uma só causa que explique o autismo e isso hoje está em pleno estudo. Nós sabemos hoje que existem influências genéticas que podem estar envolvidos na causa, assim como questões ambientais, prematuridade, certas medicações usadas na gestação, histórico familiar, mas ainda está em pleno estudo.

Vamos falar de preconceito? E o caminho a seguir?

Mesmo com ações educativas voltadas para a temática, o preconceito ainda é um obstáculo recorrente às pessoas com autismo, o que dificulta a inclusão social. A percepção reflete como a sociedade vê o autismo, apesar de perceber melhoria no cenário. O preconceito começa daí.

O primeiro passo é negar o que a mãe está vendo e depois infelizmente a sociedade também tem bastante preconceito no sentido de pensar: ah, não tem cara de autista e o autismo não tem cara. O autismo tem um espectro que varia muito de um indivíduo para outro e muitos conseguem se adaptar bem, ter família, ter emprego, muitos são inteligentes que é outra coisa a se desmistificar.  Não necessariamente o autista tem dificuldade de aprender, uma padronização, pelo contrário há uma variação muito grande. Outro preconceito que existe é que o autista não consegue interagir socialmente e isso não é verdade, pois existem vários níveis de dificuldades.

Para os pais que desconfiam que seu filho tem comportamentos atípicos, ressalta que a aceitação é ponto primordial no desenvolvimento do filho, visto que o tratamento precoce colabora na evolução do caso.

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