“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina
Aos nossos mestres, com carinho! Alguns dizem por aí que professores são anjos disfarçados, outros dizem que são nossos segundos pais. O que eu posso afirmar é que sem eles, literalmente não somos nada. Nossa base e nossos aprendizados dependem dessa responsabilidade que eles têm para conosco. Por isso, eu fiz questão de convidar para ser a matéria de capa desta semana, para poder contar um pouco da sua trajetória profissional, desta amiga querida, a renomada professora Miriam Guerra, que falou um pouco sobre sua vida, sua carreira e seus desafios.
Apresentação
“Eu sou Miriam Darlete Seade Guerra, ou simplesmente professora Miriam Guerra. Nasci em Campinas, no estado de São Paulo, mas há 45 anos Três Lagoas se tornou o meu lar. Aqui, construí minha família, eduquei meus filhos, formei laços de amizade que levo para a vida e me realizei profissionalmente. Sou professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde atuei por 22 anos. Antes disso, fui professora da rede estadual por 10 anos, lecionando no antigo Curso Normal de formação de professores, na Escola D’Aquino Correa.”
Conta tudo do começo?
“Mas como me tornei professora? Bem, venho de uma geração em que meninas brincavam de dar aula, ensinando irmãos mais novos, vizinhos e até as bonecas. Acho que esse desejo nasceu ali, na infância, e foi crescendo comigo. Quando chegou a hora do vestibular, optei pela Psicologia, já pensando na Psicologia Escolar. Durante a faculdade, meu estágio foi em cursos de formação de professores, debatendo sobre o desenvolvimento infantil. Depois de formada, casei-me e mudei para Três Lagoas. Logo naquele ano, abriu um concurso estadual para professores. Fui aprovada e passei a dar aulas de Psicologia no Curso Normal. A partir daí, nunca mais parei, ensinar se tornou minha paixão, e só me afastei com a aposentadoria. Ensinar é mágico. É encantador. Porque quando você ensina, você também aprende. E na sala de aula, esse aprendizado acontece todos os dias, de maneira intensa, viva.”
Pontos positivos e negativos?
“O magistério traz consigo algo que vai além do ensinar e aprender: constrói histórias. Fazemos parte da vida de nossos alunos, e é gratificante, mesmo depois da aposentadoria, ouvir: "Ela foi minha professora." Isso aquece o coração e renova o sentido da nossa caminhada. Mas, como em qualquer profissão, também há desafios. A sobrecarga de trabalho, a desvalorização, as condições precárias em algumas escolas… são questões que, infelizmente, ainda marcam a docência.”
Você faz parte da Rede Feminina de Combate ao Câncer, fala dessa experiência pra gente?
“Com a aposentadoria, um novo propósito entrou na minha vida: a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Três Lagoas, onde sou voluntária há exatos 12 anos. Essa experiência transformou meu olhar sobre a vida. Ser voluntária é aprender sobre empatia, é sentir na pele a importância de estar ao lado de quem enfrenta um diagnóstico tão desafiador. Doamos nosso tempo, mas recebemos muito mais: um novo sentido para a vida, uma profunda gratidão e a certeza de que podemos, sim, fazer a diferença.
Com o tempo, o envolvimento cresce, e a luta por melhores condições para os pacientes em situação de vulnerabilidade se torna uma missão. Hoje, percebo que o trabalho voluntário, seja em qual área for, é sobre enxergar o outro. É sobre agir diante das necessidades do próximo. Tudo tem seu tempo, eu sei, mas acredito que todos nós, em algum momento da vida, deveríamos experimentar o voluntariado. Porque ao ajudar o outro, transformamos não só a realidade dele, mas também a nossa própria existência.”