Sociais

Padre Cláudio: Um homem resiliente e forte!

"Hoje vejo na minha missão e vocação uma nova resposta àquilo que eu vivia. Um menino de família pobre foi feito padre para cuidar de outras famílias. Fazer por elas o que um dia fizeram por ele.

Edgard Júnior - Agitta Social
24/01/25 às 16h42

Apresentação

“Sou Cláudio Edmar da Silva, presbítero e Especialista em Educação.”

 

Conte um pouco sobre a sua história de vida?

“Fui criado aqui em Três Lagoas, numa família muito simples: o último de 13 filhos. Não conheci meus pais – eles faleceram antes mesmo que eu completasse dois anos de vida. Desta história, Deus usou-me para que eu pudesse servir outras famílias. No início não entendia nada, apenas segui. Fui para o seminário salesiano muito novo, com 15 anos. Hoje vejo na minha missão e vocação uma nova resposta àquilo que eu vivia. Um menino de família pobre foi feito padre para cuidar de outras famílias. Fazer por elas o que um dia fizeram por ele. E nos desígnios de Deus, exatamente aqui em Três Lagoas, onde tudo começou. Deus escreve certo também por linhas tortas.”

Foto: Viviane Almeida

Quem foi sua inspiração?

“Em Três Lagoas havia um padre trabalhador, Padre Humberto Angeloni, fui coroinha com outras crianças no tempo dele. Aquele estilo de ser padre me marcou. Não me lembro se falei para ele que queria ser padre ou se foi ele quem me convidou a ir para o seminário. Já tentei puxar da memória, mas não me lembro. Padre Altair Ferreira, na época jovem seminarista, também mediou este caminho. Outro incentivo foi o casal: o Diácono Pedro Barbosa e Dona Sarah Romero Barbosa, eles me chamavam para levar mantimentos para o lar da Dona Dirce, além de tantos outros gestos de caridade deles. Eu apenas dizia: quero ser como o Padre Humberto; quero ser como o Diácono Pedro. Eles foram minha grande inspiração.”


E qual seu trabalho atualmente?

“Recebi do Bispo a missão de organizar uma futura Paróquia na região que compreende os bairros na saída para Campo Grande. Essa estruturação chama-se ainda Área Pastoral, ou seja, um trabalho de evangelização que um padre está à frente, com seus colaboradores, para estruturar os espaços e assuntos de que uma paróquia necessita. Numa região de mais de 15 mil habitantes temos muita pouca participação de fiéis. São bairros grandes sem a presença da Igreja Católica. Outros lugares com Igrejas construídas, mas com poucas pessoas nas celebrações. É um trabalho imenso que precisa de muito pulso, coragem e ajuda humana e financeira de todos. Inclusive estou morando na região, no bairro Vila Verde, para viver de perto cada realidade e tentar fazer, com o auxílio de Deus e também com a generosidade dos colaboradores, com que aquelas pessoas também façam a experiência pessoal com Jesus Cristo. Fundamos duas novas comunidades na região, uma dedicada a São Cristóvão e outra a Nossa Senhora de Guadalupe. Os locais foram estrategicamente escolhidos nos espaços geográficos que ainda não estávamos presentes.”


Quais suas maiores dificuldades (pontos negativos)?

“A maldade de gente fraca; os ciúmes e aqueles que se consideram donos da Igreja.” 


Foto: Viviane Almeida

E suas maiores alegrias (pontos positivos)?  

“Poder retribuir para a Igreja tudo aquilo que ela fez por mim. A alegria de trabalhar com muita energia para que as ações propostas aconteçam. Alegria de poder ajudar as pessoas nas suas angústias e sofrimentos. Entrar não apenas nas casas, mas na existência, no coração. Ouvir que a presença do padre pode fazer a diferença na vida pessoal, familiar e profissional. Isso me faz sentir que o caminho seguido é o mais assertivo. Criar coisas novas, fazer o que ainda não foi feito, enfrentar com pulso firme aquilo que precisa ser realizado; ser um desbravador! Estas dinâmicas referenciadas acima me trazem muita alegria.”

 

Quais são seus maiores desafios hoje?  

“Criar uma estrutura de Igreja aonde ela não estava presente e redimensionar o modo de pensar de alguns que ainda estão fechados em si mesmo, olhando apenas para o próprio umbigo e não indo ao encontro daqueles que se afastaram e podem estar necessitados de um abraço ou de uma palavra amiga, considerando o grande número de pessoas com o lado espiritual abalado, nos dias atuais.”

 

Falam muito das suas homílias e celebrações, da sua linguagem direta e simples com o povo. Como chegou a isso?  

“Graça de Deus para com a minha pequenez, mas aprendi com Dom Bosco; ele partilhava as suas homílias com sua mãe antes das missas. Aquilo que ela não entendia, ele mudava. Na sua ordenação presbiteral ele pediu a Deus “a eficácia da palavra”. O Senhor o atendeu. Ele falava e os jovens entendiam. Devo esta característica oratória aos salesianos que me deram uma sólida formação.”

 

E essa barba, novo estilo ou promessa?

“É uma brincadeira entre amigos. Deixarei até a próxima festa de Santa Dulce na qual o leiloeiro irá arrematá-la. O vencedor deverá “tosar” a barba do padre. Então, a deixarei de molho até lá (próxima Festa Social de Santa Dulce dos Pobres – almoço ou jantar com data e local ainda a ser definidos).”

 

Teve uma passagem pela vida política, como foi a experiência?  

“Lutei sem perder os valores fundamentais. Foi um caminho que só me fortaleceu. Sozinho fui mais forte que todos os conchaves. Hoje olho com maior atenção àqueles que usam a força pública para o bem dos menos favorecidos. Aquele que eu perceber que, de fato, trabalha para o povo terá o meu aplauso. Nunca apenas no tempo das eleições. Precisamos de sinergia para fazermos o bem, conto também com a força deles.”

 

Quais são seus projetos?

“Além de organizar as comunidades e encontrar um terreno para construção da Igreja Santa Dulce, estou estruturando alguns serviços de ajuda: no próximo dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, fundaremos o “Grupo das Damas da Caridade”, unir aquelas que desejam ter seus nomes imortais por um trabalho social realizado na nossa comunidade. Também, no dia 19 de março, dia de São José, fundaremos o “Grupo Anjo Bom de Três Lagoas”, reunindo os homens que querem fazer a diferença na história social da nossa cidade. Santa Dulce é chamada de Anjo Bom da Bahia. Em sua homenagem teremos esta organização para os menos favorecidos. Por fim, montar uma estrutura de ação social num dos bairros da periferia que ainda não tenha algo fundamentado e que vá ao encontro das necessidades sociais daquela realidade apresentada. Estou pensando em dar o nome: Projeto Vida Nova, animados pelas Damas da Caridade e pelos Anjos Bons de Três Lagoas.”

 

 Tem algum medo?  

“Sim! Que o meu Palmeiras não se torne Campeão Mundial em breve!”

 

  Deixe-nos uma mensagem.  

“Eu preciso de ajuda! Muita ajuda! Não apenas dos Católicos, mas de todos os de bom coração. Jesus Cristo contou com muitas pessoas na sua missão. Eu peço a ele que toque o coração de quem ler esta entrevista para que possa fazer a diferença na vida de outras pessoas. A vida de quem se propõe a fazer o bem a outras pessoas poderá ter mais sentido quando colocada a serviço dos mais necessitados. Como filho desta terra eu peço, não me deixem sozinho! Várias pessoas já se uniram à causa, mas preciso de mais forças, de mais gente corajosa e destemida – que me ajude a organizar as ações propostas com reponsabilidade e zelo – sem ciúmes, sem reclamações e, sobretudo, sem intrigas. Dessa forma, futuramente o nome de quem contribuir será proclamado entre aqueles que deixaram sua marca na história das causas sociais urgentes. Eu espero cada um para dizer: “Seja bem-vindo e muito obrigado pela coragem e força de querer fazer história digna e humanizada!”. Ajudem a Igreja, ajudem o Padre Cláudio, pois o que fazemos neste mundo ecoará na eternidade.”

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM SOCIAIS
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.