“Teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição;
Figuras entre os primeiros, do nosso esporte bretão
Salve o Corinthians, de tradições e glórias mil;
Tu és orgulho, dos desportistas do Brasil”.
Hino oficial do Corinthians - compositor: Edmundo Russomanno / Letra: Lauro D'Ávilla.
Antes de começar esse texto, eu pensei em diversas formas para poder descrever a minha matéria de capa desta semana. Seja com um poema de algum heterônimo de Fernando Pessoa, ou algo bucólico do mestre Gonçalves Dias ou até mesmo, sei lá, algo sobre a Iracema, de José de Alencar, mas eu achei muito oportuno (sei que ela vai amar) colocar os versos do seu time do coração, que atende pelas alcunhas de: “Timão, Time do Povo, Coringão, Todo Poderoso, Alvinegro do Parque São Jorge, Campeão dos Campeões, República Popular do Corinthians, ou até mesmo, o Clube Mais Democrático do Brasil”, me refiro ao alvinegro Sport Club Corinthians Paulista.
Eu já tive o privilégio de ser seu aluno e hoje eu considero ser seu amigo. Em homenagem ao dia dos professores, que acontece neste domingo, dia 15 de outubro, a nossa matéria de capa é dos maiores nomes quando o assunto é docência em língua portuguesa, literatura e, claro sua maior paixão e expertise, a redação. Ela é referência em toda região costa leste do Mato Grosso do Sul.
Estive em sua residência e sentei-me ao seu lado, onde demos muitas risadas, fizemos fotos, rabiscos, relembrando nossos velhos e bons tempos (com direito a consulta a fotos antigas também). Me refiro à maravilhosa e inveterada corinthiana, professora Mercedes Meza Bonfietti, ou simplesmente Mer. Ela respondeu às minhas perguntas (de forma manuscrita) pois, segundo ela, não gosta de digitar e se mostra mais inspirada escrevendo. Mer contou um pouco sobre sua vida, sua história e seus pensamentos.
Apresentação
Mercedes Meza Bonfietti - professora de língua inglesa por 14 anos, língua portuguesa, gramática, literatura e redação, comecei aos 18, já fiz 70 e ainda não parei. Dou aulas em minha casa e corrijo TCCs, teses e livros variados.
Conta tudo do início? Como tudo começou?
Morava numa cidade pequena e não tive muita escolha - professora oportunista. Precisava fazer faculdade e trabalhar, já estava casada e vim para Três Lagoas para estudar na UFMS - era Centro Pedagógico de Três Lagoas.
Quais os pontos positivos e negativos de ser professor?
Ser professor é a glória - fica difícil envelhecer quando você trabalha com várias gerações - e é um aprendizado contínuo. Puxei o extrato e o saldo é positivo.
Não computo fracassos na profissão. Entre perdas e ganhos salvaram-se os sucessos, o reconhecimento. Gosto de pular ou chutar as pedras do caminho.
Quais os maiores desafios nos dias de hoje?
Respeitar o aluno - primeiro - e depois toda a comunidade escolar que deve ser coesa, atenta e ter atitude para mirar o futuro. Isso não é sonho - tive a honra de trabalhar na escola Fernando Corrêa onde isso aconteceu. Sempre agradeço as mãos estendidas na minha direção - e tanto nas escolas públicas quanto nas particulares, retribuo.
Se eu não fosse professora, seria...?
O sonho era ser jornalista. Passou.
Os alunos vão lembrar: Se lembra da história da nota? 8 para aluno, 9 para a professora e 10 somente para Deus? Nos dias de hoje continua assim?
Lembro - sempre entendi que meu aluno não podia se acomodar, 10 era para tirar lá no Enem. Comigo não, queria sempre mais. Continuo com a mesma opinião - hoje quero 1000. A escola foi realmente minha segunda casa e lá desenvolvi e aprimorei espírito e caráter - compartilhei isso com os alunos, porque manipulei meu ser humano preferido - eu.
Deixa uma mensagem para os nossos leitores e quem quer seguir seus passos.
O suficiente é para quem não sabe. No conhecimento - especialista ou generalista - o que existe é o infinito. Isso porque o aprender está no fazer: quando eu ouço, esqueço. Quando eu leio, aprendo. Quando eu vejo, eu lembro. Mas… Quando eu faço, eu sei!
Nesse mundo tão diferente hoje, mas sempre acolhedor quando cada um faz sua parte com a consciência tranquila, o encantamento reina e a magia acontece. Bom seria se mais e mais jovens quisessem ser professores. Mas, por favor, nunca peça carga mais leve no trabalho, peça ombros mais fortes.