No decorrer da minha vida, eu sempre acreditei que o destino é algo surpreendentemente sábio! Durante a semana que passou, ele me trouxe a história dessa personalidade que vem se destacando em nossa sociedade. Com um misto de (jeito delicado + personalidade forte e decidida), eu conversei com a maravilhosa engenheira florestal Mariana Amaral. Formada pela Universidade Federal de Santa Maria/RS há quase 20 anos, ela defende com muito afinco causas extremamente nobres e contou um pouco da sua trajetória de vida, sua carreira profissional e seus anseios.
Conta um pouco do início da sua carreira - o começo?
No início, tudo é muito desafiador, tanto para homens quanto para mulheres recém-formadas, mas por ser mulher e trabalhar em uma área que a predominância é de homens, as dificuldades aumentam. Quando me formei, fui trabalhar em uma cidade distante da minha, longe da família e dos amigos, em um lugar que não conhecia ninguém. Precisava estudar muito para conquistar respeito e um lugar de destaque na empresa sendo assim uma grande experiência. Obtive reconhecimento e fui para Pelotas/RS, que estava se tornando um pólo florestal e lá comandando mais uma vez uma equipe de colaboradores homens, daí novamente os desafios continuam, mas acredito que com conhecimento e carisma, eu consegui grandes conquistas. Foi lá também que conheci meu marido Rafael Borba, e recebemos o convite de vir para Três Lagoas que foi uma mudança brusca, mas muito gratificante. Nossa empresa cresceu aqui, fizemos grandes amigos, me encantei com a população, pois sempre digo: não conheço uma cidade mais solidária que esta e tenho muito a agradecer pelo carinho e receptividade.
Causas voluntárias - adoro! Conta tudo o que você faz e o sentimento em fazer?
Acredito que o voluntariado é de família, aprendi em casa a olhar a dor do próximo e não se acomodar, em tentar ajudar, em tentar minimizar o sofrimento do outro. Em Três Lagoas, iniciei o trabalho de voluntariado junto à Rede Feminina de Combate ao Câncer já em 2010, e quando abraçamos uma causa, acabamos abraçando todas, fui vice-presidente do CMDCA, pois as crianças são as que mais precisam de atenção e cuidados, e são eles que farão a diferença no mundo, precisamos cuidar do nosso futuro, cuidando das nossas crianças. Com esse pensamento participo também da Comunidade Educa, um projeto encantador que agora depois da pandemia está retornando com força total. Durante a pandemia fui convidada a formar o projeto “Gente que faz bem", que era um grupo de empresários que se mobilizaram para captar recursos, e doar cestas básicas, álcool, material de higiene para pessoas carentes através das igrejas. Esse projeto também tinha o intuito de pressionar as decisões junto ao comitê de enfrentamento à pandemia.
Então se considera uma mulher empoderada? O que você faz? Conta o segredo.
Empoderada? Prefiro Corajosa! Todas as mulheres e homens já nascem com o poder, o que precisam é ter coragem para ir em frente, conquistar espaço. Carrego a bandeira da coragem e acredito que quando educamos as nossas meninas a se arriscarem mais, quando cair, saber levantar e tentar novamente, estamos mudando o velho conceito de fragilidade. Homens e mulheres têm aptidões diferentes, que se complementam. Não estamos disputando quem é o mais forte ou o mais capacitado, mas infelizmente nossa cultura ainda deixa muito as mulheres em desvantagens. Ainda precisamos batalhar todo dia para mostrar que somos capazes. E sim, precisamos muito ENCORAJAR as mulheres e as nossas meninas a arriscarem mais. Estudo mostra que os homens quando preenchem 60% dos requisitos de uma vaga, mandam seu currículo para e empresa, enquanto as mulheres não mandam se não preencher acima de 90%. Somos metade da população brasileira e mundial, e nossa representatividade em grandes cargos de chefia, e principalmente na política, ainda são muito pequenas. Como coordenadora do Programa Crea Mulher MS, conversei com muitas estudantes e profissionais do sistema, e vi de perto que estamos evoluindo (mas muito lentamente), então precisamos acelerar mais o processo.
Qual sua maior luta e objetivo?
Tenho o sonho de viver num mundo mais igualitário e mais humano. A cada dia, vejo mais grupos de pessoas lutando por uma causa, seja dos autistas, dos que têm alguma deficiência física, ou intelectual, seja das pessoas que sofrem violência (e as mulheres e crianças são as mais vulneráveis), das pessoas com doenças graves, algumas raras, enfim, não importa; sonho e luto para que um dia sejamos todos respeitados, e principalmente assistidos por políticas públicas realmente inclusivas. Sonho com o dia em que uma mãe, não precise implorar ajuda para conseguir um medicamento ou um atendimento para seu filho. Sonho no dia em que não será necessário cotas para termos voz, que isso se dará de forma natural e por pura competência. Sonho com a acessibilidade para todos.
Deixa uma mensagem para nossos leitores e leitoras?
Na vida é necessário três coisas: serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir a diferença. Faça o seu melhor, faça a sua parte e faça a diferença, nem sempre seremos reconhecidos, mas seremos realizados.