“Depois da família, tenho duas coisas muito importantes na minha vida: o trabalho e a competência (conhecimento, habilidade e atitude) que devo ter para executar este trabalho com excelência.” Victor Prates - portal: o Pensador
É dessa forma que eu começo essa matéria de capa da nossa coluna social desta semana. Eu tive o privilégio de conhecer esses dois profissionais exímios, que tem na medicina uma das suas grandes paixões - além da sua família e do príncipe Joaquim. Conversei com a médica Dra. Jady Nayara Braz Martins, que atua na área de psiquiatria e é graduada há 5 anos e também com o Dr. Olavo Satoshi Arantes, que é médico anestesiologista desde 2015. Ambos atuam no Hospital Cassems aqui em Três Lagoas e contaram um pouco da sua trajetória profissional e desse amor pela profissão e pela família.
Conta um pouco do início (como tudo começou profissionalmente) até os dias de hoje?
JADY:
No início do internato médico (2 últimos anos da graduação), eu pensava em ser anestesiologista. Passei a acompanhar a equipe de anestesia do meu hospital escola e foi assim que acabei conhecendo meu esposo (risos) e em pouco tempo percebi que não era exatamente a anestesia que fazia meu coração "pulsar" (além do Olavo, claro). A psiquiatria foi AMOR desde o ciclo clínico (3º e 4º ano da graduação), mas amor esse que ficou latente até "germinar" no último semestre da graduação quando passei pelo estágio em saúde mental (ambulatórios, CAPS, enfermaria psiquiátrica) e foi quando tive a certeza do que queria seguir para a vida toda. Iniciei a minha especialização em março de 2019 e ainda no meu primeiro ano, em setembro, fui convidada pelo médico psiquiatra da cidade vizinha (do hospital que eu fazia plantões de pronto socorro para complementar o valor da bolsa da residência médica) a dividir os plantões da retaguarda de psiquiatria. Eram 5 leitos psiquiátricos em enfermaria de hospital geral dos quais eram avaliados diariamente (15 dias por mim e 15 dias pelo Dr. Igor) além de atuar como médica reguladora da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) do estado de São Paulo desses 5 leitos. Permaneci nesse cargo até fevereiro de 2022 quando concluí minha especialização e me mudei para Três Lagoas/MS.
OLAVO:
Fiz medicina tendo como exemplo minha irmã. Fui graduado na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em 2010. Servi ao Exército Brasileiro em 2011 como tenente médico temporário. Fiz residência médica no Hospital das Clínicas de Marília/SP por 3 anos. Trabalhei no serviço de anestesiologia de Barretos (SAB) por mais 3 anos. Em 2018, vim para Três Lagoas, trabalhar no Serviço de Anestesiologia de Três Lagoas (SAT), onde estou há 5 anos.
Pontos positivos e negativos da profissão
JADY:
Poder colocar em prática o CUIDAR todos os dias é o ponto mais positivo da minha profissão. Saber de fato quem é o seu João, a dona Maria e não só da esquizofrenia do seu João ou da depressão da dona Maria é o que faz sentido para mim. Olhar empático e holístico faz toda a diferença na evolução e desfecho dos transtornos psiquiátricos. Como ponto negativo, eu acredito que o estigma existente dentro da psiquiatria seja o maior de todos além da não adesão ao tratamento por parte de alguns pacientes e as dificuldades de acesso/custeio a serviços de saúde mental/tratamentos medicamentosos.
OLAVO:
pontos positivos - dedicação à profissão, possibilidade de alívio da dor e do sofrimento dos pacientes enquanto anestesiologista. Executar o sacerdócio da medicina. Os pontos negativos se resumem, basicamente, a alguns plantões noturnos que me distanciam um pouco da minha família.
Jady e Olavo mamãe e papai do Joaquim (família), como é? Fora da profissão?
JADY:
Apaixonada pelo maternar, o qual me possibilitou um olhar ainda mais altero e uma escuta ainda mais ativa para meus pacientes e/ou seus responsáveis (principalmente para os pacientes da infância e adolescência). Sim, Joaquim me mudou para melhor. Jady família é o que dá sentido para a Jady pessoa/médica.
OLAVO:
Me dedico integralmente a minha família (esposa e filho) nas horas de folga. Gosto de cozinhar em casa, aos finais de semana.
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JADY:
Independente de qual for seu diagnóstico, o importante é se autoconhecer e se entender. Quanto mais "aberto" ao tratamento psiquiátrico você estiver, melhores são os desfechos e a qualidade de vida que obterá. Psiquiatra não é médico de louco, psiquiatra é médico de gente. Não se sinta "reprimido" ou envergonhado para procurar ajuda. Será um prazer ajudá-lo(a)!
OLAVO:
Seja grato ao seu passado, incluindo seus pais. Faça o bem hoje e olhe para o futuro sempre com otimismo.