Eu sou a irmã Maria Inês Cardoso. Sou mineira e pertenço ao Instituto das Missionárias de Nossa Senhora das Graças com sede em Caratinga Minas Gerais. Estou há 24 anos no convento: quatro anos de formação interna e 20 anos de votos religiosos. Sou formada em pedagogia. Atuei por vários anos no âmbito escolar.
Desde minha juventude tenho essa vocação de estar no meio e ajudar pessoas que necessitam, dando o meu melhor. Estive em missão nas terras de Rondônia nas cidades de São Domingos Guaporé e Costa Marques, ficando lá por sete anos. Voltei pra Minas Gerais, depois de um período fui enviada para Três Lagoas para formar comunidade com as irmãs que já moravam aqui e também ajudar nos trabalhos pastorais acompanhando e ajudando a formar lideranças.
Minha vocação religiosa é tardia. No ano de 2000 que foi proclamado pela Igreja Católica o ano da missão, então todas as paróquias e comunidades estavam recebendo missionários que faziam uma visita de casa em casa. Nessa época eu conheci duas irmãs que foram enviadas em missão para a comunidade São Sebastião do Bugre, em Minas Gerais. Faziam essas visitas de casa em casa, e como membro atuante, fiquei responsável com toda a catequese de acompanhá-las nessas visitas. Foi no dia 07 de setembro de 2000, em uma visita, acompanhando as irmãs, que uma delas, na verdade a noviça, me perguntou se eu nunca tinha pensado em ser religiosa. “Você nunca pensou em ser religiosa?” “Já pensei, mas agora eu não quero mais, já estou velha pra isso.” Retrucou a noviça: Quem te disse que está velha?” Fiquei calada. Não sabia o que responder. Então a Irmã que estava atenta a conversa respondeu:” Pra Deus não existe o velho, sempre é tempo. Quando chamou Abraão, este já tinha mais de cem anos.”
Terminada a missão, continuei minha vida como de costume. De repente, naqueles dias mais difíceis na escola, turma de quarto ano, turno dobrado, tudo tinha que acontecer muito rápido e de preferência, o mais certo possível. Recebi uma carta convite para um encontro vocacional. Que dúvida! “Agradeço e não vou, ou devo conhecer pra depois não arrepender?” Resolvi participar para conhecer como era. Neste encontro a superiora me convidou para fazer uma experiência, podia entrar no convento no dia 02 de fevereiro do ano seguinte. Fui fazer a experiência e ainda estou experimentando até hoje.
Sou realizada no que faço. Faço de coração. Procuro aprender com cada pessoa. Pois cada ser humano carrega dentro de si uma grande bagagem que basta saber como usar para melhor proveito.
Nem tudo é “mar de rosas”. Tenho minhas fragilidades. Sinto falta da família, amigos que marcaram minha vida e que hoje não damos conta de um contato constante. As realidades enfrentadas em cada lugar por onde passo. Incompreensões, incertezas, dúvidas constantes e a vontade de vencer sempre. Nem tudo na vida é fácil. Mas só experimenta o sabor final aquele que persiste.
Acima de tudo isso, com a presença de Deus, a perseverança na fé e a busca da prática do que é certo, alcanço boas amizades por onde passo, faço novas famílias, posso contar com pessoas que as vezes nem notei no caminho. Aqui está uma realidade. Você..., com quem partilho a minha história. Sou agradecida, pois mesmo sem conhecer muito, sem ter grandes possibilidades, sou amparada por quem me encontra, por quem eu posso encontrar no caminho. Isso sim é viver da graça de Deus.
A nossa vida é feita para doar, amar. Qual o sentido de ser bonito e ninguém conhecer? Coragem. Você é capaz de alcançar seu sonho com lealdade, verdade e justiça. Deus está sempre ao teu lado confia. Somos grãos de areia diante de tudo que nos acontece, mas esse grão de areia, essa pequenez, tem força e valor diante de Deus que nos transforma. Nos inspira a querer cada dia servir melhor. Que a nossa vida, o nosso dia a dia seja para o serviço do próximo. Quando nós vemos quem está ao nosso redor feliz, isso nos alegra. Trabalhemos para que as pessoas que convivem conosco, que estão ao nosso lado possa ser feliz e buscar também a felicidade uns dos outros. Conserve sua paz interior e tudo irá bem.
Irmã Maria Inês - MNSG

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