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Guta Costa: Beleza, intensidade e o amor pela vida

Ela contou um pouco de tudo, desde o início da sua trajetória, até os desafios diários e a gratidão que tem a Deus por exercer esse ofício tão belo.

Edgard Júnior - Agitta Social
11/11/23 às 08h24

“Ei, você que salva vidas, que dedica a sua vida a socorrer quem precisa, me escute agora. Você que é dono de uma coragem tamanha, que atende os chamados sem saber o que irá encontrar no destino e que enfrenta o medo sem hesitar. Você que trabalha sob chuva, sol e tempestades, que enfrenta a escuridão da noite para que um sol novo nasça ao amanhecer. Você é um ser humano especial! Bendita seja a sua vida na Terra!” Autor desconhecido.

Foto: Edgard Júnior

Me perguntaram se existem anjos na terra, eu respondi que sim! Aqueles anjos que se arriscam, que salvam vidas e que, de forma perspicaz e assertiva, conseguem fazer milagres salvando a vida das pessoas. Um exemplo lindo a ser contado é a história de um anjo desses, que escolhi para ser a matéria de capa desta semana. Eu conversei com a enfermeira Guta Costa, que há 20 anos, vem fazendo o seu melhor: cuidando das pessoas e salvando vidas. Guta contou um pouco de tudo, desde o início da sua trajetória, até os desafios diários e a gratidão que tem a Deus por exercer esse ofício tão belo.


Fala um pouco de você?

“Eu me chamo Maria Augusta Machado da Costa, mais conhecida como Guta Costa. Sou enfermeira. Tenho 42 anos, sou casada com o Gilson Guimarães, tenho uma filha de 6 anos, que se chama Isabella. Sou natural de Três Lagoas e formada pela 2ª turma de enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus Três Lagoas. Sou pós-graduada em Atendimento Pré-Hospitalar, Enfermagem do Trabalho e Docência na Área de Saúde. Atuo como enfermeira intervencionista do SAMU 192 de Três Lagoas há 14 anos - já fui coordenadora-geral do SAMU e diretora da Rede de Urgência e Emergência. Em dezembro do próximo ano completo 20 anos de formação profissional.”


Em quem se inspirou para exercer sua profissão? Conta tudo do início?

“Minhas maiores inspirações foram os meus pais, que sempre foram da área da saúde – eu cresci neste meio. Minha mãe Leila Maria, foi coordenadora do Laboratório Municipal durante anos e tenho uma amiga de infância, a Paula Toledo, que iniciou o curso de enfermagem antes de mim, e em nossas conversas ela sempre contava como era o dia-a-dia acadêmico, então foi a partir daí que me identifiquei ainda mais com os relatos da profissão.

No primeiro ano da faculdade eu já sabia que queria ser da área de urgência e emergência. No ano 2000, Três Lagoas não dispunha do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), já que o mesmo iniciou as suas atividades no Brasil só em 2003 e as referências do atendimento pré-hospitalar eram GRAU e os Anjos do Asfalto, e nessa época, eu já era apaixonada por esta área. 

Durante os anos de faculdade, todos os meus colegas de turma já diziam que se o assunto era urgência, emergência ou APH, então era comigo. Concluí a graduação em 2004 e logo iniciei a especialização em Atendimento Pré-Hospitalar, título que recebi em 2006. Após a titulação, eu já estava apta a atuar em serviços como o SAMU 192. Antes disso já atuava como estagiária voluntária no Pronto Atendimento Básico (PAB) até concluir a minha graduação, com a supervisão do enfermeiro Oswaldo Alves. Com ele aprendi muitas coisas - inclusive ele já contava comigo como parte da equipe e eu pude abranger meus conhecimentos de uma forma diferenciada, afinal eu tinha as minhas responsabilidades e serei sempre muito grata a este profissional. 

Assim que concluí a graduação em dezembro de 2004, já iniciei como enfermeira na Unidade Básica de Saúde São Carlos - fiquei somente seis meses e logo fui trabalhar no PAB, na área de urgência e emergência. Eu conhecia todos que trabalhavam lá e também a rotina da unidade, experiência essa muito gratificante. No PAB, eu pude conhecer muitos colegas da área da saúde (muitos que atuam até hoje e alguns já se aposentaram) - aprendi muito com todos eles. No PAB pude confirmar minha paixão pela área do APH. 

Em 2008, fui aprovada no processo seletivo para enfermeira no SAMU-TL, e estou até hoje. Durante dois anos atuei no PAB e SAMU concomitantemente, e em 2010 eu fui aprovada no concurso público como Enfermeira Intervencionista do SAMU- TL, me efetivando no cargo. Atuei como enfermeira do trabalho dentro da obra da UFN3 em uma empresa de engenharia por um ano, e como ficou muito corrido exercer as duas funções, optei em ficar somente no SAMU.”


Quais os pontos positivos e negativos da profissão?

“O APH exige dos profissionais um raciocínio ágil na tomada de decisão para atingir os objetivos do cuidado com o paciente e isso é o que me motiva a gostar tanto desta área que atuo - é aquele minuto que faz toda a diferença para salvar uma vida. Me sinto realizada, é gratificante quando conseguimos salvar uma vida, e aprendo muito com cada atendimento, procuro fazer pelo próximo o que gostaria que fizessem pelos meus (ou por mim), e penso que o paciente não escolheu estar ali, mas eu sim, então busco fazer o meu melhor, pois quero voltar para casa e poder deitar no meu travesseiro com minha consciência tranquila de saber que fizemos tudo que poderia ser feito e da melhor maneira possível, principalmente quando não temos sucesso no resultado pois tem atendimento que fazemos tudo, mas a vontade de Deus é a que prevalece sempre e isso é uma parte difícil para mim, mesmo com algum tempo de serviço, não consigo e não quero me tornar uma pessoa fria pois eu quero sentir a perda de uma vida, quero ser solidária com os familiares enlutados, quero ter uma palavra que possa confortar naquele momento difícil. Eu tenho que trabalhar muito esse lado, busco na terapia uma forma para lidar melhor com isso, principalmente quando envolve a perda de uma criança. A terapia é um divisor de águas na minha vida pessoal e profissional, nossa profissão geralmente é cercada de um ambiente pesado, estressante e isso acaba sobrecarregando os profissionais, a somatória dos acontecimentos, então é preciso trabalhar muito bem este lado para não ficarmos doentes. É grande o número de profissionais de saúde com problemas emocionais, depressão, ansiedade, entre outros, principalmente após a pandemia, vivenciamos acontecimentos pesados demais.

Mas o lado positivo sempre prevalece, temos nossas recompensas, pacientes que vão até a gente para agradecer, as crianças que nascem pelas nossas mãos, salvar uma vida, isso não tem preço.

E não tem como não falar que foi através da minha profissão que conheci pessoas especiais na minha vida. Como plantonistas acabamos passando a maior parte de nossos dias trabalhando, e convivemos muito uns com outros construindo amizades e uma dessas amizades foi onde conheci meu esposo.”  


Quais os maiores desafios nos dias de hoje na sua profissão?

“Eu acredito que um dos maiores desafios na área da saúde hoje está relacionado ao comportamento social, o aumento dos casos do uso abusivo de drogas, também o uso descontrolado de recursos como celulares. As pessoas buscam esse subterfúgio e adoecem gravemente. Eu creio que não estamos preparados para os agravos decorrentes: violência, automutilação, autoextermínio, entre outros. A questão da saúde mental dos profissionais da saúde também é um tema de grande relevância nos dias atuais.”


Deixa uma mensagem para os nossos leitores.

“Deus me deu a enfermagem, e com ela várias oportunidades, eu sou grata a ele pela minha profissão, que me permite evoluir e ser uma pessoa melhor a cada dia, poder ajudar ao próximo, ter o pão de cada dia e um lar para onde voltar a cada fim de plantão.”

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