Sociais

Adriana Alves de Matos conta sua história profissional

A empresária falou um pouco da sua trajetória, seus anseios e o amor que tem pelo seu trabalho.

Edgard Júnior - Agitta Social
15/01/25 às 17h42

“Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam, aí está a sua vocação.“ Aristóteles

Foto: Viviane Almeida

Essa frase, apesar de ser curta, é bem direta e resume bem quando o ser humano descobre a sua vocação e o seu propósito profissional. Aquela sensação de estar fazendo a coisa certa, no tempo certo, com afinco, amor e dedicação: são essas emoções que estão estampadas o tempo todo no rosto e nos gestos dessa profissional que eu admiro demais. Foi aí que fiz o convite para ela ser a matéria de capa desta semana da nossa coluna social.

Conversei com a empresária Adriana Alves de Matos, que é formada em Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, pós-graduada em Educação Especial e AEE, Especialista em Autismo, Analista do Comportamento, e fundadora da Clínica Aba Evoluê, que é referência em Terapia Comportamental, já possui seus 4 anos de história e há 2 anos e meio, junto à sua sócia Vanessa Lurdes. Adriana falou um pouco da sua trajetória, seus anseios e o amor que tem pelo seu trabalho.


Em quem se inspirou para montar empresa? Conta tudo do início?

“Durante o período de estágio, tive a oportunidade de ingressar na APAE, o que se configurou como um marco decisivo em minha trajetória acadêmica e profissional. Foi nesse ambiente que me apaixonei pela área da educação especial, especialmente ao perceber a grande demanda de pessoas que apresentam algum tipo de déficit e necessitam de intervenções específicas e adequadas para seu desenvolvimento.

Diante dessa realidade, fui tomada pela convicção de que deveria me dedicar de forma mais profunda à causa, o que me impulsionou a intensificar meus estudos na área e a refletir sobre a importância de atendimentos individualizados. Tais atendimentos se mostraram fundamentais para o aprimoramento das dimensões intelectual, social, acadêmica e da autonomia, particularmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Com essa conscientização, decidi criar minha própria clínica, com o objetivo de oferecer um atendimento personalizado, visando alcançar o maior número possível de crianças e proporcionar a elas as melhores condições para seu desenvolvimento integral. No início de tudo a pandemia trouxe um cenário desafiador para o sistema educacional, forçando o fechamento das escolas e interrompendo o processo de socialização e aprendizado das crianças. Contudo, no contexto de atendimentos individualizados, foi possível manter a continuidade dos tratamentos, uma vez que essas abordagens podem ser realizadas de maneira mais flexível e adaptada, mesmo durante a quarentena. A natureza personalizada do atendimento permitiu que as crianças, particularmente aquelas com necessidades especiais, tivessem o suporte necessário, preservando a continuidade de seu desenvolvimento, ainda que de forma remota. Esse modelo de intervenção revelou-se não apenas viável, mas essencial para garantir a manutenção do progresso individual durante um período de isolamento social.”


Pontos positivos e negativos?

“Dentro da perspectiva da análise do comportamento, um dos aspectos mais gratificantes é observar a evolução de cada criança ao longo do processo terapêutico. Essa transformação, que reflete o impacto positivo de intervenções bem conduzidas, é algo inestimável, transcende qualquer valor material. No entanto, ao refletir sobre os desafios dessa prática, é difícil apontar aspectos negativos, especialmente quando se dedica à área com o intuito de promover mudanças significativas. Contudo, se fosse possível destacar uma preocupação, seria a grande quantidade de indivíduos que necessitam desse tipo de atendimento especializado, mas que não têm acesso a ele, especialmente no contexto da rede pública. Esse acesso restrito, limitado muitas vezes a aqueles que possuem plano de saúde, é uma realidade amarga e, como empreendedora na área, torna-se doloroso testemunhar as barreiras que impedem tantas famílias de obter o suporte necessário para o desenvolvimento de seus filhos.”


Quais os maiores desafios que você enfrenta?

“Como mencionei anteriormente, a limitação no acesso ao tratamento especializado representa um dos desafios mais significativos nesta área. Esse obstáculo se agrava pelo fato de que, frequentemente, até mesmo os planos de saúde restringem ou interrompem os atendimentos, comprometendo, assim, o progresso no desenvolvimento das crianças.”


Se a Adriana não fosse o que é hoje, o que ela gostaria de ser?

“Esta é uma questão complexa, pois, sinceramente, não consigo conceber a possibilidade de me dedicar a outra profissão. O campo em que atuo é aquele que desperta a minha verdadeira paixão, e foi nele que encontrei meu propósito. A profundidade do envolvimento e a dedicação com que me entrego a essa trajetória refletem o compromisso absoluto com o que faço, tornando impossível imaginar um caminho distinto.”


Deixa uma mensagem para os nossos leitores.

“Eu gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão que considero fundamental no momento atual: a importância de cultivar a empatia com as crianças que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). É essencial que, como sociedade, compreendamos que essas crianças não são apenas um conjunto de características a serem corrigidas, mas seres humanos complexos, com suas próprias formas de perceber e interagir com o mundo. A empatia, nesse contexto, não significa sentir pena ou tratar com excessiva condescendência, mas, sim, entender e respeitar suas necessidades específicas, oferecendo-lhes o suporte adequado.”

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