Nesta edição da nossa coluna social, vou confessar a vocês que foi um grande desafio e responsabilidade fazer, pois conheço tanto seu trabalho profissional acadêmico quanto sua vida pessoal e familiar desde muito novo, e adianto que tenho a maior admiração e carinho, tanto pela figura da professora, da diretora, da mãe, da avó coruja e da mulher que ela representa. Estou me referindo a um ícone da nossa educação – Professora Doutora Lucrécia Stringhetta Mello. Com um currículo acadêmico de tirar o fôlego de qualquer um, eu convido vocês para conhecer um pouco da sua trajetória:
Sobre sua formação:
Formação: Doutorado em Educação pela PUC/SP. Mestrado em Educação pela PUC/SP. Especialização em Didática e Graduação em Pedagogia.
Professora desde 1967 da Escola SESI e Escolas Estaduais em Araçatuba/SP onde também atuou como Diretora do Colégio Estadual de Gastão Vidigal/SP.
Em Três Lagoas – 1973 – Professora da Escola Estadual Dom Aquino Corrêa até 1976. Nesse mesmo tempo iniciou no Centro Pedagógico de Três Lagoas/MT.
Em 1976, passa a ser Diretora do Centro Pedagógico e desliga-se da Escola Estadual onde permanece como diretora até 1979 quando da Divisão do Estado.
Com a divisão do estado, o Campus passa a integrar a UFMS como Centro Universitário de Três Lagoas - CPTL. Nesse contexto exerceu o cargo de Diretora de 2006 a 2008.
Sobre a carreira, os cargos que ocupou, os alunos, sonhos e aprendizados:
O curso de Pedagogia, simbolicamente falando, sempre representou o pilar para meu trabalho profissional, é dele que retiro a base para o ensino, a pesquisa e extensão, e foi ele o cenário de minha carreira profissional. Embora tenha ensinado em todas as licenciaturas do então CPTL, as disciplinas pedagógicas do campo de formação docente como Didática, Filosofia, Psicologia, Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1 e 2 graus em 1973, quando iniciei minha carreira no ensino superior e mesmo depois nos anos seguintes, o Curso de Pedagogia era o eixo propulsor de meus fazeres uma vez que a ênfase estava voltada para a formação de professores do ensino fundamental, gestores e coordenadores pedagógicos.
O cargo de Diretora foi um espaço de trabalho onde me foi possível vivenciar e aprender a administrar recursos humanos, físicos, financeiros e planejar. Foi nesse período que tive a ampla vivência de uma universidade com sua Reitoria, Pró-reitoria, Órgãos e Conselhos Universitários. Exerci também outros cargos administrativos como: Chefia de Departamento, Coordenação de curso, Coordenadora de Curso de Especialização. Membro de Colegiados: Pedagogia/CPTL, Cursos de Educação a Distância da UFMS. Representante da Linha de Pesquisa: Educação Currículo e Prática Docente quando professora do Curso de Mestrado e Doutorado do CCHS/Campo Grande.
Fui também membro do Conselho Estadual de Educação como representante da UFMS. Trabalhei como professora de Educação a Distância em várias cidades do interior do MS (Camapuã, São Gabriel do Oeste, Rio Brilhante, Coronel Sapucaia e Água Clara). Fui líder de Grupos de Pesquisa: NEI (Núcleo de Estudos Interdisciplinares: a pesquisa como estratégia de formação). GEFI, GENFIC.
Fui parecerista de Revista Científica e Avaliadora de Cursos - MEC/SINAES/INEP. Durante 10 anos coordenei cursos de extensão aqui no município de Três Lagoas.
Nessas idas e vindas não tenho como calcular o número de alunos dos quais participei de sua formação desde a graduação e pós-graduação. Uma certeza é de que vejo muitos deles tornarem-se meus colegas de faculdade, ocuparem cargos de especialistas, diretores e ótimos professores no campo da educação. Tenho livro publicado de minha autoria e, também, livros organizados em parcerias. Artigos publicados em revistas científicas sempre buscando parcerias com orientando de IC, Mestrandos e Doutorandos.
Cada um de nós em sua história não é apenas ele mesmo; é também um pouco daqueles que passaram em seu caminho. No entanto é único, singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenômenos do mundo se cruzam de alguma forma.
Um sonho que sempre acalentei nesses anos de universidade (45 anos) e, também aspiração de nossos egressos era criarmos o curso de Mestrado em Educação e isso se realizou recentemente após minha aposentadoria em 2018.
O que deixo? Aos meus discípulos, hoje professores, mestres e doutores a continuidade do trabalho de formadores no campo da educação lembrando que a vocação para “ser mais” não se realiza na existência de “ter”, na indigência, mas demanda liberdade, possibilidade de decisão, de escolha, de autonomia. Sei que viver este presente tão desafiador para os professores e gestores requer de cada um reinventar-se para ensinar crianças e jovens num mundo marcado pelo inédito que a pandemia desencadeou e, também o apego aos celulares, redes sociais, aos jogos que o isolamento. Esse mundo novo que se apresenta exige sensibilidade, criatividade e muita sabedoria.
E sobre a evolução do ensino nesse período, e o modelo ideal para dar certo?
Não existe um modelo ideal, a educação se faz na ação e no fazer.

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