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Antônio João Campos de Carvalho - intensidade e amor pela vida

A capa da coluna social desta semana é um dos maiores nomes da medicina da nossa cidade e região.

Edgard Jr.
03/09/21 às 12h41
(Foto: Janda Penha)

A capa da coluna social desta semana é um dos maiores nomes da medicina da nossa cidade e região. Fiz um bate papo sensacional com o médico psicanalista, ex-vereador e ex-prefeito de Três Lagoas, meu amigo Dr. Antônio João Campos de Carvalho, que tem uma história incrivelmente ética e cheia de vitórias pessoais e profissionais. Convido todos vocês leitores para conhecerem um pouco mais desse caminho traçado com tanto sucesso.


Uma sucinta apresentação?

Eu sou Antonio João Campos de Carvalho, médico há 48 anos, com atividade médica em clínica médica e urologia por 30 anos e exercendo a psicanálise há 18 anos.


Como a medicina entrou na sua vida? E a psicanálise?

Eu costumo dizer que não foi a medicina que entrou na minha vida, mas a minha vida que me levou para a medicina. Fatos intercorrentes ao longo da minha escolarização ao nível científico me tiraram do meu sonho de fazer engenharia aeronáutica e me levaram para os estudos da biologia. A partir daí uma continuidade sem obstáculos, só de conquistas ano a ano eu acabei me vendo em uma escola de medicina e uma paixão que se instalou logo após a entrada. Foi um único vestibular e uma aprovação imediata no curso que entrou na minha vida e não saiu mais. Eu não saberia fazer outra coisa senão medicina e acho que nem teria sido um bom engenheiro aeronáutico como eu pretendia ser na minha adolescência.

Já a psicanálise entrou na minha vida de surpresa. Ao longo do tempo da minha atividade profissional intensa com vários vínculos de trabalho e não só da responsabilidade de ser médico nas diretivas em hospitais, clínicas de saúde e  clínicas vinculadas ao estado me trouxeram uma arritmia cardíaca e eu numa expectativa de mudança de atividade porque a arritmia dita pelos cardiologistas era pelo estresse. Um belo dia abro a minha caixa postal com um folder oferecendo um curso sobre psicanálise então resolvi buscar informações com o conselho de medicina para ver se era compatível com minha atividade médica e a partir daí me inscrevi no curso, 2 anos depois me tornei psicanalista e deixei toda medicina formal - foi aí que não tive mais nenhum aparelho de pressão no consultório. Entrei na psicanálise de corpo e alma e hoje me identifico demais.


Você já foi prefeito. Como foi a experiência?

Sim, já fui prefeito e vereador, me elegi em 1985 aqui em Três Lagoas após os prefeitos estarem nomeados durante 17 anos. Depois desse período, o primeiro prefeito eleito fui eu para um mandato de 3 anos definido por lei para poder compatibilizar eleições com vereadores e na sequência das outras eleições. Foi um desafio imenso e tinha que buscar aquilo que talvez outros não buscaram - eu tinha um slogan durante a minha campanha que era exatamente isso: olhe o homem e busque a sua verdade e eu fiz isso durante os meus 3 anos em um município pequeno (ainda com 60 mil habitantes - hoje com mais de 120 mil), com arrecadação anual igual a mensal de hoje. Foi uma luta, uma busca que me enriqueceu muito. Fiquei muito feliz em poder dar a minha comunidade (aquela que eu nasci) todo o reconhecimento que ela me deu até eu chegar a ser prefeito. Nasci, cresci e fui reconhecido aqui e eu precisava retribuir isso - usei a minha atividade profissional política para conciliar esse reconhecimento. Depois fui vereador e trabalhei também com esse mesmo intuito e não mudei em nada e nem me senti diminuído em relação a cargo político. Para mim todos eles quando desenvolvidos e desempenhados com o âmago da sua vontade e da essência do cargo, eles são todos iguais.

Qual é o maior desafio da sua profissão?

Um dos grandes desafios da medicina é entender o homem como um todo, não vê-lo apenas como um aspecto econômico financeiro que sustenta a minha vida pois é necessário mas não ser piegas ao ponto de só fazer a medicina e esquecer que a água, luz e conforto exigem finanças, mas entender o homem como um todo. A sua intenção de vida, de necessidade de vontade e dividir isso com ele empregando e dando a ele o meu conhecimento. Fiz isso ao longo desses 48 anos e essa passagem da medicina formal para a psicanálise foi um tanto tranquilo em função dessa busca que sempre tive e que para mim foi o maior desafio. Não era ver o cliente como um cifrão e sim como uma pessoa, o que é difícil, e um parênteses aqui (sem ser muito crítico - mas vê-se pouco isso… eu não vejo mais a medicina pela que me encantei sendo exercida hoje, e fico triste, mas de qualquer forma serviços médicos de grande qualidade são prestados. Talvez não olhando pro homem como homem, mas como uma fonte de renda, eu lamento e às vezes sofro).

Quem é o doutor Antonio João? E o Antonio João família?

Sou um cara simples, afável, tranquilo e educado, de vez em quando com um pavio curto (como qualquer um pode ter). Hoje com 72 anos aprendi muita coisa e trouxe uma estabilidade emocional maior do que tinha no começo da minha atividade profissional. Em 48 anos de profissão nunca tive nenhum atrito com ninguém, e nenhuma ação judicial. Digo isso pois tenho até hoje um foco: eu sei o meu limite e do que sou capaz e nunca cruzei esse limite. Sempre soube dizer que o limite estava extrapolado e precisávamos de outro nível de conhecimento e sabedoria para nos ajudar. Nunca tive medo de dizer: não sei, mas vamos buscar quem sabe. Muitas das vezes esqueço de dizer que sou doutor, mas simplesmente o Antônio João… pois doutor é apenas uma honraria…. amo com intensidade minha família, e todos aqueles que estão próximos.

Um amor?

Vamos dividir por etapas da vida? pois tenho uma lista pra fazer rs… afinal ninguém tem um amor único, temos amores, e todos eles que passam pela gente tem grande significado, senão não seriam amores. Os meus atuais amores são minhas duas netas lindíssimas, minhas duas filhas e minha atual esposa Janda (meus atuais amores) mas tive muitos amores no passado, mas afinal, quem é que não teve?


Uma mensagem

Seja coração em qualquer época da sua vida. Eu sempre fui isso, sempre amei com intensidade tudo aquilo que fiz e ainda continuo amando com intensidade tudo aquilo que faço pois isso me dá condições de enfrentar todas as adversidades que foram aparecendo na minha vida ao longo do tempo. E um segredinho né (sem ser egoísta claro): ame-se porque quando você se  enche de coisas boas, o que é que você tem pra dividir? Coisas boas. E quem se ama procura o que é bom… agora se você não se ama, vai se encher de coisas o que? Coisas ruins. E na hora de dar, vai dar o que? Coisas ruins. E nesses tempos atuais de distanciamento encare a luta e lute pelos seus.

 

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