Saúde e Bem estar

Síndrome de burnout: como sofrem todas as áreas na pandemia

Médicos, professores, donas de casa... Em um momento tão sensível é preciso tomar cuidado com o esgotamento mental.

Bruna Taiski
19/10/20 às 15h46
Burnout (Reprodução)

É como se o corpo e a mente colocassem um ponto final: “Agora chega!” Um cansaço devastador revela falta absoluta de energia. Todas as reservas estão esgotadas. No trabalho, a pessoa, antes competente e atenciosa, liga o “piloto automático”. No lugar da motivação, surgem irritação, falta de concentração, desânimo, sensação de fracasso. Você já se sentiu assim?


Esses são indícios de uma doença de difícil diagnóstico que avança nos hospitais, nas empresas, escolas e até mesmo em casa… A síndrome de burnout, que decorre de stress prolongado. O termo em inglês significa estar chamuscado, queimado, calcinado por um fogo que se alastra.
“Esta síndrome é um distúrbio emocional que refere-se à exaustão e esgotamento físico e emocional resultantes do excesso de trabalho e/ou trabalhos desgastantes”, diz a psicóloga Janaína Catolino.


No Brasil, 30% dos profissionais apresentam esse grau máximo de pane no sistema, conforme pesquisa da International Stress Management Association (Isma), que avaliou mil pessoas de 20 à 60 anos entre 2013 e 2014.

Além dos escritórios

As categorias mais atingidas são as que lidam com pessoas e se expõem ao sofrimento humano, conforme nota a psicóloga Janaina. “As áreas mais comuns de se desenvolver a síndrome são os profissionais da área da saúde, educação, assistência social, agentes penitenciários, bombeiros, policiais, profissionais que atuam sob pressão e que não gostam de pedir ajuda, sobrecarregando-os”, explica.


Médicos e enfermeiros - Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos de burnout. De acordo com um estudo recente no Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos níveis da síndrome. Estes profissionais convivem com a obrigação de lidar com uma cobrança excessiva, pressão por resultados e jornadas extenuantes de trabalho. Vale ressaltar que os médicos e enfermeiros fizeram parte da linha de frente no combate ao novo coronavírus, lidando com o distanciamento da família e emocional abalado.Todos esses atributos misturam-se a queixas crescentes, como: expectativa de melhora em ganhos financeiros, aumento dos processos e desejo de maior reconhecimento pelo trabalho.


Os enfermeiros, pelas características do seu trabalho, estão também predispostos a desenvolver burnout. Esses profissionais trabalham diretamente e intensamente com pessoas em sofrimento. Particularmente os enfermeiros que trabalham em áreas como oncologia, a psiquiatria e a medicina, muitas vezes se sentem esgotados pelo fato de continuamente darem muito de si aos seus pacientes.


Professores – A síndrome de burnout em professores não é mais do que uma variante específica que ocorre nos profissionais do campo da educação. Devido aos novos desafios presentes na educação - aulas online, novo sistema de aprendizagem - muitos educadores se sentem insatisfeitos com seu trabalho e podem apresentar uma grande quantidade de sintomas relacionados ao estresse.

A maioria dos casos ocorrem por uma diferença de expectativas entre a ideia que tinham de como seria o trabalho e o que realmente acontece. Isso pode provocar uma dissonância cognitiva, fomentando o aparecimento da síndrome em professores.


Estudantes - A mudança não foi somente com os educadores, a carga emocional também foi sentida pelos alunos. Em tempos de estresse, como durante as provas, o equilíbrio é precário e o tempo disponível para o estudo é muitas vezes insuficiente. As horas de sono que lhe são atribuídas, muitas vezes são as primeiras a sofrer diminuição. Se ocorrerem problemas pessoais, juntamente com fadiga e má alimentação, a exaustão pode acontecer muito rapidamente. Não percebendo a deterioração de sua condição, se esforçam para continuar a satisfazer todos os pedidos, isso caracteriza parte da síndrome de Burnout. Portanto, quanto mais o aluno está decepcionado, mais ele trabalha duro. Sua ansiedade aumenta, a qualidade do desempenho diminui e as falhas se tornam mais dolorosa.


Mães - Fazendo um paralelo com a síndrome do esgotamento profissional, nos Estados Unidos já se usa o termo Mommy Burnout para se referir a exaustão e estresse crônicos de mães sobrecarregadas em sua rotina e função materna. Mais uma vez, sentir-se cansada ao final de um longo dia é natural, desde que a exaustão não vire rotina, atrapalhando as demais atividades e fazendo com que a mãe perca seu interesse e motivação por coisas que antes gostava de fazer.
Assim como no Burnout profissional, o quadro acontece mais comumente com mães que buscam corresponder a expectativa irreal da maternidade perfeita, exigindo demais de si para ser uma mãe 100% boa em 100% do tempo. Além do esgotamento constante, o Mommy Burnout também vem acompanhado de outros sintomas, como irritabilidade, falta de interesse, motivação e propósito, falta de prazer no cuidado com os pequenos e pensamentos negativos frequentes. Claro que esses sintomas podem fazer parte de nossas vidas em determinados momentos, por isso é preciso atenção a intensidade e frequência desses sentimentos para saber quando é o momento de buscar ajuda profissional.

Relax

A psicóloga ainda traz algumas estratégias que são ótimas maneiras de prevenção da Síndrome, como por exemplo:


- Estabeleça pequenas metas diárias em sua vida profissional;
- Participe de atividades que proporcionem diversão;
- Mantenha uma parte do dia que seja voltado apenas para algum tipo de lazer pessoal, como leitura ou atividade preferida;
- Fuja da rotina diária, mesmo que isso seja mudar o caminho entre a empresa e sua casa;
- Faça algum tipo de atividade física regularmente;
- Tenha momentos alegres com amigos e família;
- Evite ao máximo levar os problemas do serviço para casa;
- Não se cobre excessivamente;
- Dê o seu melhor, mas sempre respeitando os seus limites;
- Descanse adequadamente;
- E principalmente, delimite e mantenha o equilíbrio entre serviço, lazer, família, vida social e vida pessoal.

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