Saúde e Bem estar

Por que o Instagram é um perigo para a saúde mental?

No dia Mundial da Saúde Mental, a psicóloga Janaína Catolino fala sobre a obsessão com redes sociais e culto ao corpo

Bruna Taiski
09/10/20 às 13h33
Kim Kardashian - Estrela que muitas adolescentes e mulheres se inspiram no Instagram.

Quando somos pequenos, passamos horas no meio de brinquedos, vestindo Barbies com proporções irrealistas, sem nenhuma relação a um corpo feminino na vida real. Hoje, trocamos as roupas da Barbie por filtros do Instagram, passando horas para cima e para baixo nos feeds das redes sociais. De fato, para muitos de nós, tornou-se uma parte crucial do dia. Estima-se que o Instagram tenha cerca de 800 milhões de utilizadores, 68% dos quais são mulheres. Neste caso, a beleza não está nos olhos de quem vê, mas nos perfis que seguimos.
Segundo estudo do University College London (UCL) divulgado em Londres, mulheres e meninas adolescentes são duas vezes mais propensas a apresentar sintomas de depressão ao uso de redes sociais.

Uma em cada quatro meninas analisadas apresentou sinais clinicamente relevantes de depressão, enquanto o mesmo ocorreu com apenas 11% dos garotos, segundo o estudo. Os pesquisadores constaram que a taxa de depressão mais elevada é devido ao assédio online, ao sono precário e a baixa autoestima, acentuada pelo tempo nas mídias sociais.

A ministra britânica adjunta da Saúde Mental e Cuidados Sociais, Barbara Keeley, afirmou que "esse novo relatório aumenta as evidências que mostram o efeito tóxico que o uso excessivo das mídias sociais tem na saúde mental de mulheres jovens e meninas [...] e que as empresas devem assumir a responsabilidade pelo que ocorre em suas plataformas"

Vaidade x Obsessão

Para alguns, isso pode parecer frescura e até mesmo exagero, mas as doenças da beleza são reais e cruéis com as mulheres. 

“Atualmente vivemos a era do culto ao corpo, em que vaidade e obsessão são separadas por uma linha tênue e perigosa. É saudável e devemos sim ter o hábito de cuidar do nosso corpo e da nossa aparência, porém, a partir do momento que esses cuidados passam a ser excessivos, desgastantes, inflexíveis e trazem sofrimento, angústia e prejuízos, a situação deve ser encarada como um transtorno. Todo comportamento disfuncional deve ser considerado um problema.” – diz a psicóloga Janaína Catolino.

Conforme Janaína, tudo começa gradativamente, de forma sutil, o cuidado com o corpo acaba se tornando um vilão para a saúde e muitas vezes, para a vida.

“São através de pequenas situações cotidianas que podemos perceber que algo não vai bem, como: acordar muito mais cedo para se arrumar, sentir culpa quando falta a academia ou quando consome algo fora de sua restrita alimentação, recusar ou faltar a compromissos sociais por não se sentir bem com sua imagem, contar calorias de todos os alimentos, se afastar de pessoas por medo de não ser aceito, enxergar defeitos que ninguém mais vê, entre outros”.

“Esses sintomas vão se intensificando até o momento em que a pessoa sente que perdeu o controle e inicia métodos mais invasivos como uso de laxantes e diuréticos, vômitos intencionais, jejum por longo período ou dietas desequilibradas. Por serem atitudes aceitas e esperadas pela sociedade, muitas vezes as pessoas demoram a entender e aceitar o problema". 

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