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Entenda o poder de projetos sociais três-lagoenses na vida de crianças e adolescentes


Bruna Taiski em 17 de outubro de 2019 - 07h32

 Começar a modificar a sociedade não precisa de grandes passos. Na verdade, existem inúmeros exemplos de projetos sociais que estão modificando a vida de várias pessoas - neste exato minuto - e que precisam de doação de tempo, dinheiro ou conhecimento para que essas ações continuem existindo.


Se você está cansado de tantas injustiças sociais ou apenas deseja começar a praticar o bem, saiba que existem muitas maneiras de ajudar e fazer com que os bons projetos sociais continuem transformando várias realidades. Quer ajudar? Veja algumas instituições que selecionamos e que você precisa conhecer!


CANDEIAS


“Desde adolescente, eu realizava algum tipo de voluntariado. Já tive experiência com crianças especiais, com menor infrator e com idosos. Aqui em Três Lagoas, o que me tocou foram essas crianças do “Projeto Valorização da Criança e do Adolescente”, que são carentes financeira e afetivamente. Enxerguei uma enorme possibilidade para fazer a diferença na vida de alguém. O contato com elas me emocionava constantemente. Entendi aquilo como o lugar onde eu deveria estar”. Este é o depoimento da coordenadora Larissa Barberi Nunes, que trabalha no Projeto Valorização da Criança e do Adolescente; emocionada, não poupa palavras ao falar das vidas que o programa transformou.

O Projeto de Valorização da Criança e do Adolescente teve início em 1994 com o Programa Jovem Aprendiz; a partir de 2006 ele passou a abranger somente crianças de sete a doze anos. O objetivo principal é ajudar no aprendizado, na construção da cidadania, bem como na segurança de crianças nos momentos em que elas se encontrariam em situação de vulnerabilidade. Paralelamente, visam orientá-las a exercer a cidadania e o respeito ao próximo. Também oferecem complementação escolar, auxiliando nas tarefas, trabalhos e no estudo para provas do ensino regular. Além disso, são servidas duas alimentações por turno - café da manhã e almoço para a turma do matutino, bem como almoço e café da tarde para a turma do vespertino.


“É um trabalho maravilhoso, com potencial gigante de proporcionar um futuro melhor para essas crianças. Somos extremamente vigilantes com todas elas. Observamos cada conversa, comentário e comportamento que elas demonstram dentro da unidade. A partir disso, conseguimos identificar algum problema que ela esteja sofrendo e abordamos de alguma forma a orientar, minimizar ou até mesmo encaminhar a criança ou família para atendimento psicológico junto à Prefeitura” - diz.


A capacidade de atendimento é de setenta crianças nos bairros próximos à Vila Piloto – atualmente, sessenta crianças, de sete a doze anos, estão sendo atendidas. A maioria delas é do Bairro Vila Alegre, do Cinturão Verde (Zona rural) e, claro, do Vila Piloto.


IMPACTO SOCIAL


Como o intuito é principalmente ajudar a formar ‘crianças de bem’, Larissa diz que muitas daquelas que já passaram pelo projeto tornaram-se ‘homens e mulheres de bem’ e estão empregados no comércio local. “Há também o caso de um ex-aluno que hoje reside fora do Brasil e nos deu testemunho da sua situação, agradecendo pela oportunidade que a iniciativa trouxe” - conta.


Melhor do que realizar o trabalho, é ver o resultado que ele proporciona; hoje, quarenta e duas famílias são impactadas diretamente. “As crianças costumam nos falar que adoram estar no ‘Projeto Valorização da Criança e do Adolescente’ e têm plena consciência de que seus rendimentos na escola melhoraram. Temos ainda o ‘feedback’ dos seus pais, que também aprovam o zelo que temos com as crianças, já que estamos sempre observando seus comportamentos e trabalhando em cima de problemas que frequentemente encontramos”.


Não há como não nos lembrarmos dos voluntários que trabalham em prol dessas crianças sem pedir nada em troca... Talvez um sorriso ou um ‘Te adoro tio (a)!’


“Eles correm atrás de parcerias; realizam eventos; vendem produtos etc. Há também os doadores que contribuem financeiramente ou com doações de qualquer espécie. Além disso, há aqueles que exercem o serviço voluntário diretamente com as crianças, ajudando nas aulas, na recreação, na monitoria e assim por diante”.


Em 2019, após ganhar um pouco mais de visibilidade, o número de voluntários aumentou. “Estamos recebendo muitas visitas de interessados na causa e ainda podemos contar com aquelas pessoas que aderiram à campanha lançada recentemente, chamada ‘Apadrinhe uma criança’, em que fornecemos um carnê e o valor arrecadado é direcionado para manter essas crianças no projeto, provendo aulas e alimentação”.


PARA AJUDAR

O Projeto é mantido principalmente pelo Grupo Assistencial Espírita “A Candeia”, cuja unidade é estabelecida no Bairro Nossa Senhora Aparecida. Lá também são feitos eventos para o custeio, além de um brechó que ajuda a sustentá-lo. Ele também recebe doações de empresas e de pessoas da sociedade que são essenciais para a sua existência.

“A nossa maior dificuldade é manter o Projeto funcionando, devido aos gastos mensais que temos. Portanto, é um grande esforço mês a mês para arrecadar fundos destinados a custear, principalmente, folha de pagamento de funcionário e todos os impostos inerentes, além das despesas fixas como água, luz, telefone e reparos gerais”.


Todo tipo de ajuda é bem-vinda, principalmente com voluntariado.“Precisamos de voluntários para dividir a supervisão das crianças em sala de aula, pois contamos somente com uma pedagoga para cuidar de trinta crianças ao mesmo tempo, de idades bem diferentes. Mas, temos inúmeros meios pelos quais a população pode contribuir. Basta saber o que o interessado tem possibilidade de oferecer”.


“Também gostaríamos muito de proporcionar a elas aulas diferentes e um lugar mais bonito, onde possam praticar esportes, fazer atividades ao ar livre, receber aulas de música e de computação - é um sonho de toda a equipe”.


O Projeto funciona np Bairro Vila Piloto, à Avenida Dom Bosco, número 240, de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h. Para participar, o responsável pela criança deve procurar a sede do Projeto, nos mesmos horários acima e preencher um cadastro. Posteriormente, a assistente social fará uma avaliação sobre a real necessidade dessa criança, que deverá estar em alguma condição de risco ou vulnerabilidade social. “Se for preciso, visitaremos a residência e conversaremos com a família dessa criança interessada”.


COMUNIDADE EDUCA


Valores como respeito e cidadania através da prática social vêm sendo transmitidos para crianças do Programa Comunidade Educa. Você que está atento às causas sociais de Três Lagoas deve conhecê-los. O Educa é uma associação sem fins lucrativos, de cidadãos interessados em fomentar a cidadania às crianças e adolescentes, utilizando Escolas Municipais abertas aos fins de semana e que, através de brincadeiras, oficinas e dinâmicas, estimule a convivência social, promovendo a integração.


Fundado em 2015, o trabalho voluntário ocorre todos os domingos no período da tarde, na Escola Marlene de Noronha, instalada no Bairro Jardim das Violetas, em Três Lagoas. A instituição é pioneira e serve como modelo piloto para o Programa que visa ser direcionado a todas as demais escolas da cidade.


“No início, não tínhamos a alimentação para oferecer; fomos percebendo a necessidade disto, porque as crianças começaram a desmaiar por causa da fome - logo, com doações, começamos a servir o lanche. Temos atividades recreativas, pinturas, esportes, voluntários ensinando capoeira, trabalho artesanal ou, até mesmo profissionais passando informações como palestras, higiene bucal, etc” - explica Isabela Vasconcelos Arantes, coordenadora do Educa.


Nos corredores da escola, a gente se esbarra em muitos sorrisos e olhares de gratidão. A alegria que as crianças têm de serem protagonistas do espaço é imensa! É perceptível a enorme transformação do projeto na vida delas.


“Tudo se baseia na criança; se nós conseguirmos construir cidadãos melhores com sentimentos de bem, dando apoio, diálogo, atenção, nós conseguimos transformá-los em adultos ainda melhores. Também procuramos levar profissionais de fora para mostrar um pouco de outra realidade para essas crianças - para elas verem que há um mundo melhor, com esperança. Nossa missão é formar cidadãos que façam o que estamos fazendo, hoje em dia” - diz Isabela.

Esta realidade é uma das conquistas que o Educa objetivava quando nasceu. A coordenadora explica que o endossamento da comunidade em relação à escola e a integralização entre pais, alunos e voluntários estão entre as finalidades.


“É importante destacar que o Educa não é só para as crianças; ele é um projeto voltado para a família. Eu acredito que muitas famílias sejam impactadas com a presença do “Comunidade Educa” no Bairro Vila Verde e na região. Nós queremos melhorar a qualidade de vida das famílias e levar as crianças do projeto para a Universidade”.


O Educa não para de ganhar adeptos e força na cidade. Atualmente, aproximadamente 30 voluntários estão ligados diretamente ao Programa que lidera os seis eixos formadores: cidadania; cultura; saúde; esporte e lazer; meio-ambiente e geração de renda. Os eixos servem para estruturar as atividades desenvolvidas pelos voluntários que, em geral, promovem ações educativas incentivando a participação ativa e consciente da comunidade: disseminam atividades artísticas na literatura, na música, na dança e no cinema; estimulam a criação de hábitos saudáveis; fomentam a prática de atividades físicas e esportivas e a promoção de oficinas para geração de renda e empreendedorismo para desenvolver competências pessoais e empresariais.


Isabela afirma que, apesar do crescente número de voluntários nas causas sociais do município, ainda faltam profissionais da educação para trabalhar as atividades com as crianças. “Nós estamos estruturando pessoas e profissionais especializados na área do ensino. Existe muita deficiência de leitura e de escrita – então, nós queremos um reforço escolar. Estamos procurando uma sede, parceiros, para fazermos mais isso. É nosso plano para o futuro”.


 A FORÇA DA EDUCAÇÃO

Em média, 80 a 100 crianças são atendidas por domingo.  Em datas festivas esse número aumenta - no Dia das Crianças, já chegaram a contabilizar mais de mil participantes.  Durante os encontros dominicais os voluntários se dividem em grupos e realizam diversas atividades com as crianças - pautadas na cooperação e na união como valores básicos para o amadurecimento individual. O voluntário, além de ajudar a cuidar dos pequenos, ainda pode desenvolver e ser o autor delas na Fábrica de Projetos. “As crianças são treinadas para que desenvolvam seus próprios projetos e trabalhem em equipe. Cada um ensina o que sabe e os pagamentos além dos abraços e sorrisos, podem virar até presentes”.


“Recentemente, recebemos alguns computadores para o Programa EDUCOIN - é uma forma de a criança se comprometer a fazer as atividades da escola. Tudo que ela faz - por exemplo, se ajudou na limpeza, tirou boas notas, teve um comportamento excelente - ela ganha um ponto. Esses pontos são convertidos em moedas - que é o EDUCOIN – e, durante um dia, realizamos uma feirinha e com essas moedinhas ela pode comprar os presentes. Isso também ensina as crianças a administrarem o dinheiro e a comercializarem”.


Várias outras atividades e projetos são encabeçados pelo Programa; no entanto, a coordenadora destaca que o mais importante não são as ações, mas sim os impactos desta. “Não tem outra forma de mudarmos as coisas, se não for pela educação. O “Comunidade Educa” é uma das ferramentas que existem para que consigamos ajudar as pessoas; o principal de tudo não são nem os projetos sociais – mas, você se interessar pelas pessoas; pelo que elas fazem; conhecer mais a sua própria cidade” - diz.


PARA AJUDAR

Atualmente, a arrecadação do Educa é feita através do Evento o ‘Feijão Amigo’, que acontece uma vez ao ano para sustentar o projeto o ano inteiro. Mas, toda doação e voluntariado em qualquer período do ano é bem-vinda. Basta entrar em contato pelas redes sociais ou ir à escola e preencher o termo de voluntariado. Todos podem participar das atividades e contribuir como voluntários; inclusive empresas, universidades, o terceiro setor e demais instituições podem colaborar com conhecimento, serviços, tecnologias, doações, entre outros.


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